Maria Paula da Costa Licenciada em Filosofia

Susana Marta Pinheiro Licenciada em Histria

FRICA NEGRA

Contribuio para o Conhecimento HISTRICO/GEOGRFICO


Digitalizao e tratamento do texto por Guilherme Jorge
(esta obra foi digitalizada para uso exclusivo por parte de
deficientes visuais ao abrigo do artigo 80 do CDADC)


APRESENTAO

A frica  um Continente que desempenhou um papel importantssimo na
Histria geral da Humanidade. A frica Negra  um conjunto belo e
misterioso de que os homens sempre se empenharam em desvendar os seus
segredos... e, cujas potencialidades ainda no foram de todo
aproveitadas nem estudadas. Empenhadas as autoras em revelarem aos
leitores um pouco deste mundo diferente, transmitem-nos atravs desta
obra, informaes gerais que permitem travar conhecimento com a
frica-fonte das maiores riquezas do Globo. Esta necessidade
fundamental de dar uma informao geral, surgiu aquando da sua
frequncia do curso sobre frica Negra, na Faculdade de Letras de
Lisboa e, para a concluso do qual lutaram com dificuldades de ordem
bibliogrfica. Paradoxalmente surgiu a constatao de que poucas eram
as obras editadas de autores portugueses, que estudassem uma zona,
onde to importante e determinante papel desempenharam ao longo dos
sculos, pois foram indubitavelmente os Portugueses que por via
Atlntico "descobriram a frica Negra para a Europa". Pena  que
tantas vezes a vinda dos Europeus  frica tivesse sufocado a cultura
africana, como alis refere Jomo Kenyatta no seu livro "Au Pied do
mont Kenya" ao descrever a vida tribal dos Kikuyu (ou Gikuyu) do
Knia, dando-se conta de que a cultura africana-tipo, frequentemente
foi lesada no equilbrio pela invaso colonial ocidental (1 ) Assim,
surgiu a ideia e a concretizao de um livro escrito por autoras de
lngua portuguesa, sobre povos onde se incluem alguns cujo idioma
oficial  a mesma lngua. Deste modo atravs do esboo da Histria
dos povos e entidades nacionais africanas, se propicia o despertar do
interesse por um conhecimento mnimo divulgando-o no de uma forma
fragmentada atravs de vrias obras que abranjam todos os seus
perodos histricos, ou um s perodo especfico, mas sim--de modo
sinttico--dando uma panormica geral dos seus vrios aspectos,
condensados num s volume, muito ter ficado por fazer ou dizer, mas
os objectivos de uma abordagem de frica Negra tero sido atingidos.
Este livro revela-nos sob um aspecto simples e de fcil compreenso a
sua natureza "caracteristicamente africana" de uma cultura e
geografia especficas que revelam particularidades to interessantes
quanto inolvidveis. Reconheamos o seu mrito j que se encontram
apenas tradues de autores de grande nome, mas estrangeiros, e por
vezes de difcil compreenso. Tentando tambm familiarizar os
leitores com as realidades africanas recorre-se  imagem, favorecendo
a "memorizao visual", importante como forma de desenvolvimento dos
sentidos de observao relativamente  frica que  to diferente do
Continente Europeu. A memria abstractiva deve sempre
complementar-sacom a literatura e a visualizao, donde a preocupao
com a ilustrao da obra. Tanto o pensamento abstractivo e conceitual
quanto a memria eidtica so fundamentais, recordemos que a memria
eidtica est muito longe de ser como imagem visual. Tambm era
importante familiarizar o pblico com os trabalhos artsticos
literrios africanos (signos e smbolos criadores de emoo), da as
figuras a arte e a presena de poesias relacionadas aos assuntos
focados; para alm de mapas, armas e bandeiras contribuindo para o
conhecimento particular do pas. De forma documentada e acessvel
aqui se nos apresenta uma obra coerente e importante, sobre frica
Negra, orientada numa perspectiva em que o pblico em geral tem
acesso, onde todos os pases, todas as etnias, todas as crenas e
opinies polticas so apresentadas sem excepo. Mais importante do
que uma opinio pessoal sem comentrios, so os factos. Aos leitores
se deixa a liberdade de uma interpretao a seu gosto das realidades
descritas, resta a convico e a esperana de que o esclarecimento a
apreenso se liguem com interesses j em vigor ou a despertar, a
respeito desta temtica essencial: a afirmao dos valores
civilizacionais da frica Negra.

A terra onde nascemos vem de longe com o tempo

E foi tambm aqui que eu e tu nascemos

Terra quente de sol nascente

Terra verde de campos plenos

Terra meiga de colo largo

foi a ns que se entregou cheia de vida e amorosa nsia

Marcelino dos Santos Kalungano "Aqui nascemos"

NOTA PRVIa

frica Negra, uma contribuio Histrico-Geogrfica, at que ponto a
oportunidade de uma tal proposta de abordagem e anlise? Certos
historiadores afirmaram a negao do duo "frica-Negra", apontando o
segundo termo como uma proposta produzida sob um conceito de racismo
Mas, em nossa opinio, a palavra, valendo por ela mesma, sem mais
implicaes ou subentendidos, est correctamente empregue, na medida
em que se no deve exagerar certos termos e cair no extremo de
encontrar referncias e sequncias ideologicamente tendenciosas onde
elas no existem. Mas, por outro lado, superada esta primeira
questo, como falar da histria da frica Negra, quando se diz muitas
vezes que tal problema no  verdadeiramente vivel, uma vez que a
"Histria da frica Negra como tal existe", confrontando-nos, pelo
contrrio com a Histria de cerca de uma centena de povos e de
tribos, que criavam reinos ou federaes e, que com a chegada dos
Europeus, teriam sido arbitrariamente agrupadas em colnias Isto
leva-nos directamente  outra questo, ou antes, s outras duas
questes que to intimamente se ligam: o europocentrismo e o problema
da periodizao directamente relacionado com a Histria da frica
entendida como Negra em oposio  frica Branca, a Norte do deserto
do Saara, ocupada por povos de pele mais clara. Estes problemas,
alis, tm sido tratados ultimamente e disciplinarmente por
historiadores, socilogos, etnlogos, antroplogos quem por eles se
interessam em geral, quer sejam ou no africanistas. Se,
efectivamente antes da chegada dos Europeus, uma periodizao
coerente pode ser efectuada, o mesmo j no se poder dizer em
relao a parte da Histria da frica Negra, sempre intimamente
associada  sua geografia. Se, como se diz, a Expanso Colonial 
fruto da poltica industrial protagonizada pela Europa e
correspondendo s suas solicitaes de interesses territoriais e
financeiros, a Histria de frica  consequentemente indissocivel da
Europa, aps a chegada e estabelecimento dos enviados desta.
Tentando todavia superar uma viso etno ou europocentrista, que hoje
inclui toda a frica Negra no Terceiro Mundo, uma vez que considera
subdesenvolvida, sintetizamos a Histria sobre a realidade cultural e
socio-econmica africana de vrias pocas, reunindo sucintamente uma
grande soma de informaes que se destinam a um pblico em geral.
Deste modo  nossa inteno darmos acesso a problemticas referentes
 frica Negra fazendo-a conhecer melhor atravs deste modesto livro.
Nele abordam-se grandes pocas de mudana, que marcaram toda uma
parte de um Continente que to importante , e que to importante
ainda vir a ser no futuro, apesar de ter conservado sempre o seu
esprito e "memria social", peculiar, onde a Cultura Popular e
Tradicional se associa permanentemente com a Erudita, a ponto de ser
impossvel demarcar verdadeiramente uma fronteira. Uma anotao que
todos os estudiosos de frica Negra fazem e, que os preocupa
sobremaneira: a quase inexistncia de fontes literrias, pelas quais
se poder construir uma Histria coesa, relativamente aos perodos
mais recuados, pois que para a poca contempornea tal problema j
no se pe. De um modo geral, s a partir da literatura rabe ou de
obras geogrficas do exterior, temos notcias acerca dos primeiros
tempos da que se convencionou chamar Histria africana, e muito bem,
alis, apesar da ausncia da escrita, o que no implica ausncia de
cultura. A nossa opo relativamente  cronologia, foi tomada por
nos parecer a soluo mais apta a um livro to pequeno sobre frica
Negra, embora tenhamos em conta, as propostas amplamente positivas e
igualmente aceitveis de historiadores ou investigadores conceituados
como, para citar alguns dos mais actuais: Jean Suret-Canale, Endre
Sik, Spengler, J. Vansina, Pierre Bertaux, Samir Amin. Este ltimo
prope um primeiro perodo, que intitula de pr-mercantilista, que se
estenderia desde as origens at ao sculo XVII. O segundo perodo,
"mercantilista", estender-se-ia dos princpios do sculo XVII at
1800, e dar-se-ia nele, um "retrocesso" da frica Negra, esta agora
entendida como uma unidade claramente inferior, porque diferente,
inclusiv a nvel das foras produtivas. O terceiro perodo ia desde
1800 a 1890. O quarto perodo, seria o da colonizao por excelncia,
onde a frica se mantm na periferia do sistema capitalista mundial.
Sik prope igualmente quatro divises, uma primeira at ao sculo XV,
uma segunda do sculo XV a XVIII (apogeu do comrcio de escravos);
uma terceira, com a conquista e partilha de frica pelos Europeus, do
sculo XVIII ao XIX e, finalmente, uma quarta do sculo XIX ao XX, em
que nos deparamos com uma frica Negra sob o domnio imperialista e a
posterior afirmao das vrias independncias. Estes so apenas dois
exemplos significativos da tentativa de novas periodizaes segundo a
evoluo africana. Outras, mais complexas e originais h, como
diviso bi, tri ou quadripartidas, em que na primeira, para citarmos
mais um exemplo de posicionamento, se ir incluir todo o perodo
desde a Pr-Histria at ao sculo XIX Mas, apesar de todas as
problemticas e razes contra, consideramos, como Huizinga, que a
periodizao  um mal necessrio por motivos de ordem pedaggica e de
necessidade de situao no concreto das rupturas que inexoravelmente
se vo dando. Mais do que "periodizar" toda a frica Negra, e numa
tentativa de assumir posies mais realistas, tentamos tambm no
nosso livro dar uma viso e periodizao regional e nacional,
partindo do todo--frica Negra--para a parte--Nao. A frica Negra 
constituda por Povos com Histria (como diz Henri Moniot), mesmo
antes de as sociedades tradicionais serem substitudas por outras
"subdesenvolvidas" ou "perifricas", dependentes, processo que se
acelera e remonta  Expanso Martima Colonial, que ir difundir a
separao dos trabalhadores do meio de produo, deslocando as trocas
para O plano do mercado mundial. Precisamente como reaco ao
progressivo ataque s bases econmicas, sociais da sociedade
tradicional,  que vai surgir o movimento de negritude que foi
considervel representante Aim Csaire, bem como L. Sdar Ser luta
contra a aceitao da inferioridade de todo um povo, consagrada pela
irradiao colonial e relaes econmicas de acumulao e excedentes
(1). Desde a tomada de conscincia das suas riquezas tradicionais,
identidade e problemas colocados face ao mundo novo, que a cultura e
formas de vida, de longe de se reduzirem, se vo antes enriquecendo
procurando novas, perspectivas tambm a nvel social e econmico, que
substituam positivamente estruturas j destrudas. Poesia e
literatura enriquecem-se, a Histria avana, com este pequeno livro
pensamos contribuir para um conhecimento Histrico-Geogrfico da
frica Negra, despertando o interesse por uma zona que constitui uma
parte importante e inolvidvel da Histria da Evoluo Humana.

(1) "A negritude  um humanismo do sculo XX", diz L. Sdar Senghor.
Vide prefcio de se de Dakar, Boulogne, Delroisse, s.d.

As autoras

Maria Paula da Costa e Susana Marta Pinheiro

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FRICA NEGRA

Embora no abundem as notcias do Continente africano na antiguidade,
segundo historiadores e arquelogos a Costa africana foi visitada e
conhecida pelos Gregos, Fencios, Romanos e Cartagineses os quais
nela estabeleceram colnias e feitorias. Em pocas remotas frica foi
pois circunavegada visto que no sculo VII a.C. por ordem do Fara
Necau foi enviada uma expedio composta de Fencios, os quais
partindo do Mar Vermelho, ao longo da Costa africana cruzaram as
Colunas de Hrcules--o Estreito de Gibraltar--no Mediterrneo (1)
Tambm Plnio mencionava a viagem de Hannon, marinheiro cartagins,
que saindo de Alexandria regressou pelo Mar Vermelho percorrendo as
costas no sentido inverso da expedio de Necau. Ainda outras
viagens semelhantes se fizeram existindo provas de que 21 sculos
antes de Vasco da Gama, pelo menos uma parte da forma do Continente
africano j era conhecida. Entretanto, o relato dessas viagens foi
esquecido e pode-se afirmar que realmente o conhecimento de frica
iniciou-se com a Navegao Portuguesa por volta do sculo XV. Os
Portugueses dirigindo-se para o Oriente navegaram e dobraram o Cabo
das Tormentas a que foi posto o nome de Cabo da Boa Esperana,
seguindo-se-lhes os Espanhis pelo Ocidente e, mais tarde, igualmente
outros seguiram o seu exemplo. No entanto, a sua geografia continuou
motivando o nome de "continente misterioso" isto, porque o Continente
no  propcio  penetrao partindo das costas, e apresenta muitas
depresses de enorme extenso juntamente com a imbatvel barreira da
selva ou do deserto. S o esprito aventureiro dos investigadores no
sculo XIX deu acesso ao conhecimento total de frica, a frica
bero de antiqussimas culturas de que s nos fins do sculo XVIII
Bruce fixava com rigor as linhas gerais do curso do Nilo. Tambm s
em pleno sculo XIX Livingstone e Stanley descobriram o Alto Congo e
as regies da frica junto aos Grandes Lagos e, Serpa Pinto, Capelo e
Ivens, as vastas regies da frica Austral compreendidas entre o
Cunene e o Zambeze. Os habitantes deste vasto Continente descendem
de uns quantos grandes troncos tnicos, sendo considerada a frica
Negra todos os territrios compreendidos a Sul do Saara. As
expedies das tribos lendrias, os relatos dos viajantes ou
investigadores limitam-se a mostrar o aspecto externo, e folclrico,
sendo possvel apenas delinear os traos essenciais do que foi a
civilizao negra antes da penetrao europeia. Sobre a sua
Histria, referimo-nos tal como alguns historiadores a que talvez
frica tenha sido o Continente onde a Humanidade teve o seu bero,

Lisboa, ed. Arcdia, 1978, 298 ps.) os Antigos Egpcios j possuiam
barcos que lhes permitiam navegar em pleno Oceano. Heyerdahl chegou
mesmo a exemplificar a sua teoria atravs de duas expedies, a Ra I
e Ra II, em embarcaes de papiro. (2)

Vd. Luis Pericot Garcia e Juan Maluquer de Motes, "A Humanidade
Pr-Histrica", Ed.

embora o homem de pele negra como entidade tipolgica fosse o ltimo
a surgir dentro dos representantes das grandes etnias cujos vestgios
foram descobertos pelos antroplogos (2). Territorialmente a Nbia
(regio do Nordeste da frica e de ambos os lados da actual fronteira
egipcia e sudanesa) e Abissnia (Etipia) reino do Prest Joo, teriam
sido as primeiras regies a receberem influncias externas
nomeadamente egpcias, as quais a partir do terceiro milnio a.C. se
propagaram pelo Sudo Ocidental e atingiram a Rodsia. S que, a
Histria do Interior do Continente africano continuou desconhecida
durante os chamados "sculos obscuros isto , at  sua conquista
pelos Europeus, perodo que muitos designam pela "Idade Mdia"
africana. Dos Imprios Negros, o primeiro a prosperar foi o Gana,
que ao que parece deve ter sido fundado no sculo V e que no seu
apogeu--sculo XI--a do Atlntico at ao Niger e Saara. Tambm o Mali
(Shongoi) e os reinos Bantos fazem parte dos primeiros imprios. A
partir do sculo VIII os Estados sudaneses sofreram a aco
muulmana, tornando-se desde ento fortemente islamizados pelos
rabes no sculo VIII e os Portugueses no sculo XV estabeleceram
feitorias no litoral africano. Nos sculos seguintes XVI-XVIII os
Europeus Portugueses, Holandeses Franceses e Ingleses partindo do
Litoral penetraram pouco a pouco no Interior encontrando na populao
negra uma enorme reserva para o trfico de escravos, do qual o
Continente Americano foi o principal beneficirio. Desta forma em
quatro sculos, a frica perdeu cerca de 12 milhes de habitantes.
Constituram-se Novos Estados Negros esclavagistas entre outros
(Achantis, Abom Yoruba), organizados em funo do trfico de
escravos e depois, do comrcio do azeite-de-dendm. Portanto, no
comeo do sculo XV iniciaram-se os contactos com costas africanas
pelos Portugueses. Em 1480 era conhecida toda a Costa da Guin e,
1482 o Congo, por Diogo Co. Em 1487 Bartolomeu Dias atravessou o
Cabo da Boa Esperana, em 1498 Vasco da Gama tornou possvel o
conhecimento de todo o litoral africano, dando-se a partir da o j
referido comrcio de escravos cuja abolio s foi decretada no fim
do sculo XVIII. Apesar das viagens realizadas pelo escocs James
Bruce (1773 e 1778) atravs da Abissinia e do Sennar (Senegal) e, de
Mungo Park ter em 1795 alcanado o Nger pelo Segu, o interior de
frica mantinha-se um enigma para a Europa. Da que outros seguissem
o exemplo de modo a obterem grandes descobertas. Entretanto, em
1770-1870 um segundo avano muulmano parecia assegurar a progresso
do Islo na frica, mas foi impedido pela influncia de sculos de
Colonizao Europeia. A partir do Sudo--conquistado pelos Franceses
e pelos Ingleses depois de 1870--os Europeus ocuparam a bacia do
Congo, onde os Belgas estabeleceram o seu domnio, enquanto os
Ingleses partindo do Sul do Continente se dirigiam para o Nilo.

A conferncia de Berlim--1884-1885--consagrou a partilha colonial da
frica Negra.  resistncia dos aucttones os colonizadores impunham
uma "pacificao". A frica Negra em poder dos Europeus era
considerada por eles fonte de matrias-primas e mercado para os seus
produtos da indstria sob a sua aco "civilizadora". S que de
possesses coloniais passaram a imprios coloniais e, passa-se do
colonialismo ao imperialismo e, deste finalmente ao processo de
descolonizao. As Potncias Europeias dominavam em 1875, 11% das
Terras africanas e, em 1902 atingiram cerca de 90% de modo a que no
fim da Primeira Guerra Mundial no mapa de frica s havia dois pases
independentes: Abissnia (Etipia) e Libria, pois o resto do
Continente salvo as possesses italianas, belgas, espanholas e
portuguesas, havia sido repartido entre a Gr-Bretanha e a Frana. O
processo de descolonizao iniciou-se por volta de 1960, 17 pases
negros obtiveram o seu "status" de naes livres e, logo em seguida a
poltica mundial acusava, o impacto de uma presena que impunha a
necessidade de uma reviso nas condies do equilbrio mundial.
Posteriormente--em 1975-novos processos de Independncia se
completaram abrindo outras possibilidades de realizao.
Actualmente, os africanos vivem empenhados decididamente em
consolidar a sua Independncia nos campos polticos e econmico e, se
por um lado, Sekou Tour em "Le Dossier Afrique" referiu: "...Nas
actuais condies da independncia e da plena soberania nacional nas
perspectivas de libertao do Continente africano, cada homem, cada
mulher, cada jovem e cada velho--devem tomar conscincia da sua total
mobilizao a favor dos imperativos nacionais da ptria africana...
Quantos africanos se do ao trabalho de estudar as condies de
lanamento dos satlites artificiais mas no dispem nem de tempo nem
de coragem necessria para adquirir os conhecimentos essenciais que
regulam a vida econmica, social e cultural do seu pas..." Por outro
lado, Jomo Kenyatta afirmou: "...a tirania de trs inimigos to
temveis como so a pobreza, a ignorncia e a doena... ainda
persistem." Que pensar e dizer no s destas frases mas sobretudo das
realidades actuais? A frica Negra vive pois a viragem de pgina da
sua Histria e, nela sero escritos os nomes dos dirigentes, dos
estudiosos e dos artistas, que actualmente lutam para marcar os rumos
capazes de a levar rapidamente a atingir as metas desejadas. Na
poltica alternam-se as vozes do Pan-africanismo e as do
regionalismo. O campo da educao e da cultura  marcado por grandes
contrastes, conforme as regies e os pases, tm alento e a
necessidade comum de mostrar ao mundo a sua capacidade. Entretanto,
muitos so os obstculos que atrasam a marcha para o progresso por
maior que seja o entusiasmo com o qual esses pases se lanaram na
empresa do desenvolvimento. Em primeiro lugar, a administrao dos
bens pblicos ainda requer a formao de instituies no existentes,
alm da necessria habilitao de homens idneos para executarem as
novas tarefas.

Os elevados ndices de mortalidade, e de analfabetismo demonstram uma
alarmante falta de mdicos e professores embora a situao tenha
tendncia a melhorar graas ao dinamismo de alguns governantes que em
alguns pases abrem as portas para um reforo de cooperao. Mas
vejamos como  geograficamente: A frica Negra fica a Sul do Saara
entre os Oceanos Atlntico e o ndico e apresenta um contorno mais ou
menos regular tendo o Equador como eixo e sendo um Continente quente.
Tem ao centro a bacia do Zaire submetida a um clima equatorial
coberta por densa floresta, em que de regio para regio observa-se
uma variao que se vai tornando tropical, prevalecendo duas
estaes: a quente e chuvosa, a do cacimbo e fresca. A rede
hidrogrfica da frica Negra  insuficiente, devido ao relevo e 
grande extenso dos desertos. O seu maior acidente  o golfo da
Guin tendo no seu seio a bacia Benim. Destaca-se o canal de
Moambique que separa Madagscar do Continente africano. As costas
tm o clima muito quente, no interior  varivel, consoante os
pases, mas de modo geral a frica  a zona mais quente do planeta,
j que quatro quintas partes do seu territrio encontram-se na zona
trrida. Para alm de vrios lagos e pntanos, mencionamos alguns
dos principais rios: o Zambeze, o Zaire, o Congo, o Senegal, o
Gambia, o Nger, o Oge Mulwa, o Quanza, o Cunene e o Limpopo. O
Zaire e o Zambeze nascem nas regies equatoriais e s chegam ao mar
tal como outros depois de vencer numerosas quedas. Embora noutros
Continentes os rios sejam valiosos meios de comunicao, na frica
com os seus rpidos cursos e quedas, impedem o trnsito. O
desenvolvimento de actividades de produtos destinados  exportao
entre outros: amendoins, cacau, caf, algodo, cana do acar e
oleaginosas hoje uma realidade. Matrias-primas: metais, fosfato,
diamantes e petrleo. petrleo  uma das grandes riquezas do subsolo
africano considerado o " ouro negro". Dos metais  o ouro fino o mais
valioso, que existe especialmente no Congo, Gana, Rodsia (Zimbabu)
e frica do Sul em maior quantidade. [ minerais, os valiosos
diamantes, abundam especialmente na frica do Sul e Angola. As
montanhas mais altas de frica so: Quilimanjaro (Kilimandjaro), Qu
(Kenya), Jebel Tanjurt, Fako e Pico Cathkin.

A Flora Africana

A FLORA AFRICANA  bastante rica e extensa. O Continente encontra-se
dividido em cinco zonas caractersticas, a Nordeste uma distinta
flora atlntica, que apresenta ericceas (planta tipo urze) de
constante cor verde, e em vrios locais predominam bosques de sobros
e, entre as conferas, o pinho de alepo e o cedro atlntico; os
bosques de carvalho com formas atarracadas acham-se nos grandes
montes do Atlas e nas regies ridas, prevalece a erva de folhas
duras. A rvore que identifica o osis  a tamareira (palmeira) e, os
 bosques de genuno carcter tropical encontram-se na regio central
dos lagos na Guin e na parte Norte do Congo. Nas savanas esto
 rvores isoladas tal como o (baob) imbondeiro, a rvore
mais grossa do mundo. Os bosques margeiam os cursos dos rios
frequentemente adornados de nenfares. A magnificncia dos juncos e
de outras plantas desenvolvem-se nas selvas do Oeste e, as cercanias
da linha equatorial esto rodeadas de mangues (plantas aromticas).
 Destaca-se ainda a zona das rvores sempre verdes do Cabo.

FAUNA AFRICANA

Representa um papel importante na vida das suas populaes. Os
 africanos vivem em contacto quase directo com os animais selvagens.
O Sul do Saara ficou relativamente isolado durante milhes de anos,
da a sua fauna caracterstica. A diversidade de animais 
extraordinria: existem pssaros to brilhantes como borboletas e
borboletas to grandes como pssaros; animais de aspecto
antidiluviano como o rinoceronte, o maior animal depois do elefante,
mamferos enormes como o elefante e o hipoptamo, girafas vistosas,
grandes rpteis insectos temveis. A fim de evitar o desaparecimento
de determinadas espcies pelos caadores furtivos foram criados
parques nacionais ou reservas, alguns muito extensos onde os animais
 vivem livres e os turistas passeiam proibidos de sairem dos seus
 veculos. As licenas para as caadas ou "safris" especialmente na
 poca em que certas espcies se multiplicam, so limitadas. Isto,
porque nos fins do sculo passado comeou-se a sentir certa
inquietao acerca do destino da fauna africana, Kruger-boer, alertou
para o facto de as grandes reservas de animais estarem em processo de
desaparecimento dvido  caa indiscriminada. Com base nisso criou-se
em 1898 o Parque Nacional, nele os turistas podem admirar de perto
toda a vida animal e vegetal da regio respectiva. Entre outras
reservas de animais existem as de Natal Umfolozi; Kalahari Provncia
do Cabo; no Congo Albert na fronteira entre Uganda e o Ruanda
cataratas de Murchison no Uganda; no Qunia Alberdare e Tsavo; em
Angola Quissama. Pela Conferncia de Arusha, na Tanzania em 1961,
ficou garantida no Continente Negro a proteco  vida brava na
selva.

Sobre os safris, vemos no princpio do sculo, dois irmos de origem
inglesa, residentes na frica do Sul, transferirem-se para o Qunia
com a funo de estabelecerem uma granja para a criao de
avestruzes. Concedida ampla faixa de terra pelo governo colonial, os
irmos Hill estabeleceram-se sem suspeitar que, de imediato, para
tornar possvel a criao de to apreciadas aves, teriam de se
converter em caadores de lees, e talvez nos primeiros da frica
Oriental, que o fizeram de modo sistemtico e organizado. Mas, as
continuas incurses nocturnas das feras contra os seus animais
levaram-nos a declarar-lhes guerra total, iniciando-se assim a era
das expedies de caa. Logo, o que havia sido uma necessidade
premente para os irmos Hill transformou-se numa das maiores
actividades desportivas da frica. Turistas europeus e
norte-americanos comearam a procurar os irmos Hill e os seus
representantes, para encomendar-lhes a preparao de safris, e
expedies de fotografia e de filmagem de grandes animais. A fauna
escondida no deserto  principalmente nocturna e entre outros
gazelas, os gerbos, a raposa do deserto, a cabra de berbria, cujo
leite  apreciado, o dromedrio, que  o navio do deserto (as suas
patas adaptadas aos terrenos pouco firmes e muito quentes, e a sua
corcova armazena gorduras para as longas travessias e as suas narinas
fecham-se durante as tempestades de areia); a cobra egpcia que lana
aos olhos das suas vtimas um veneno que provoca a cegueira; as
moscas so as principais transmissoras do tracoma e de outras
infeces oculares o que igualmente significa a cegueira; as moscas
por sua vez viajam pelo deserto no lombo dos camelos e detm-se nos
osis. A Savana abriga todo um reino de herbvoros sendo o elefante
o maior dos animais e difcil de domesticar. A maior escola de
adestramento fica em Gangala-Repblica Democrtica do Congo. A lenda
dos grandes cemitrios de elefantes onde se teriam acumulado
fabulosas fortunas de marfim, nasceu da febre que este despertava; no
entanto, os elefantes quando velhos procuram os rios para fugirem do
calor e eventualmente morrem a; o marfim considerado mais fino  o
de Camares. Tambm  possvel domesticar o leo o chamado "rei da
selva", sendo a sua presa favorita a zebra. O leopardo ataca directo
a garganta das suas vtimas arranhando-lhe ao mesmo tempo o estmago
com as patas traseiras. A sua pele  muito valiosa,  um felino que
habita quase toda a frica, a sua vtima favorita  a gazela
abundante nas pradarias do Qunia. O leopardo figura nas tapearias
da Idade Mdia bem como nos mosaicos da Antiguidade. A girafa  um
dos mais belos animais exclusivamente africano, procura as plancies
pouco arborizadas e com boa visibilidade e alimenta-se de folhas de
mimosas e accias. O hipoptamo,que atinge 4 metros de comprimento e
4 toneladas de peso, vive quase sempre na gua, o bfalo cafre 
talvez o animal mais perigoso do Continente pois ataca a grande
velocidade com os seus chifres de cerca de 1 metro, quando est
ferido, e  o terror dos caadores. O rinoceronte  rude, tem m
vista, tomba automveis e camies, tem dois chifres (os da espcie
africana) e apresenta um aspecto antidiluviano. O gnu tipicamente
africano  um estranho animal do tamanho de um asno com a parte
traseira de cavalo e a dianteira de bovino. O antlope negro  um
dos mais nobres animais e  grande a quantidade de macacos e
chimpanzs que vivem no bosque nas ramagens das rvores de grande
porte. O gorila, o maior dos primatas  naturalmente pacfico mas
torna-se perigoso quando provocado. O ocapi, parece uma combinao de
girafa, antlope e zebra, e  encontrado no Congo bem como o
majestoso faiso. Para alem destes existem muitos mais na fauna
africana. Da infinidade de serpentes, a mais perigosa  a venenosa
mamba negra que ataca e causa a morte em trs minutos. A piton
igualmente perigosa enrosca-se ao redor da vtima apertando-a at
asfixi-la. Dos insectos o gafanhoto  o flagelo das regies imensas
e multiplica-se com rapidez; a mosca ts-ts  a transmissora da
doena do sono. As trmitas devoram alimentos, roupas e madeiras.
Entre as aves destaca-se o grou real com a sua harmoniosa plumagem (
o emblema nacional da Nigria). A fauna aqutica: So abundantes os
batrquios e peixes, fonte de riqueza de alguns pases. Nos rios
vivem animais de grande porte como o crocodilo, o gigante dos rpteis
com 5 metros, passando a maior parte do dia imvel sobre as margens,
o qual protegido pelo seu tamanho e fora no teme nada e duracerca
de 50 anos. O hipoptamo africano  anfbio e o segundo em tamanho
(tal como o rinoceronte) dentre os animais terrestres, cujo peso
atinge 4000 quilos e 4 metros de comprimento, porm  tmido, e as
suas crias permanecem no dorso da me a salvo dos crocodilos.

Apito de madeira ornado com cabea de bailarino mascarado. Os apitos
so usados na msica e danas rituais e, tambm por caadores; e
foram muito usados na guerra

Banco artstico em madeira executado na regio do Lembe, Angola. O
toucado da figura  de tradio quioco

Cabaa, fruto da cabaceira que constitui um utenslio histrico.
(Para leo de toucador)

Crucifixo de madeira

Mscara de Quioca, madeira

Na frica Negra para os nativos o maior prazer ou divertimento.  a
dana tpica na modalidade Batuque. alm dos adornos caractersticos
plumas de avestruz sobre a cabea os braos enfeitados com anilhas e
missangas existem os instrumentos msicais especficos fabricados
pelo artesanato africano.

Principais viagens portuguesas atravs da frica 1831-1886 (Segundo
Teixeira da Mota simplificado)

1--Monteiro e Gamito, 1831-32
2--Rodrigues Graa, 1843-46
3--Bernardino Jos Brochado antes de 1850
4--Silva Porto, 1853
5--Pombeiros de Silva Porto 1853-54
7--Henrique de Carvalho, 1884-85
8--Capelo e Ivens 1877-80
9--Serpa Pinto, 1877-79
10--Antnio Maria Cardoso, 1883
11--Capelo e Ivens, 1884-85
12--Serpa Pinto, 1885-86

O mapa-mndi de Andrea Bianco, de 1436, orientado  maneira rabe
para o Sul, representa a frica; alongada muito mais no sentido do
paralelo que do meridiano. O deserto do Saara est ocupado, de lado a
lado, pelas tendas dos nmadas cameleiros. Na Costa ocidental de
frica singra uma nau em direco ao Sul.

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segundo o mapa de Fra Mauro (1459), comparado com a sua configurao
real

Homens da etnia Masai da Tanznia, com afinidade etope dedicam-se 
agricultura e pecuria.

Famlia Boer, descendentes dos camponeses europeus dos Pases Baixos,
emigrados para o Sul de frica no sculo XVII

Em 1482 Diogo Co atinge o Congo, onde na altura reinava Nzinga
Nkuwu, o "Manicongo", chefe dos Bacongo. Deste ento, os reis do
Congo e de Portugal comeam a cooperar, convertendo-se o rei africano
ao cristianismo e adoptando o nome de Joo I. A dinastia real ficar
crist at ao sculo XVII. A primeira igreja foi construda na
capital Mbanza, que toma o nome de S. Salvador. Em 1512 uma
expedio enviada D. Manuel de Portugal ir contribuir para a
construo de um palcio de pedra e a organizao de uma corte 
maneira ocidental. Um membro da famlia real, ser mesmo ordenado
bispo de Utica, pelo Papa, e regressar ao seu pas em 1512, aps ter
estudado na Europa.

Bosqumanos caadores, etnia nmada, cuja maioria vive no deserto do
Kalahari; segundo alguns historiadores teriam sido os primeiros
habitantes da frica Austral

Palanca preta gigante tambm chamada real

Trfico de escravos em Angola.

Engenho de cana de acar, no Brasil nos sculos XVI e XVII. Foi a
mo de obra escrava vinda de frica que permitiu o grande
desenvolvimento desta "indstria"

A ARTE DA FRICA NEGRA

" a arte de uma realidade fantasiada, profundamente ligada aos
poderes sobrenaturais. A abstraco  uma necessidade que leva 
figurao e por sua vez substitui os detalhes em favor de uma
preocupao mais simblica e esquemtica das coisas". Nesta pequena
anlise, encontra-se reunida a essncia da Arte Negra--uma das
manifestaes de maior vitalidade e fora expressiva. O mgico e
abstracto so os dois elementos radicais da concepo do criador das
obras influindo sobremaneira, na evoluo da arte contempornea. Os
aspectos sobrenaturais da natureza desempenham papel predominante na
vida das tribos africanas, da mesma forma que em outros povos no
mesmo estado de desenvolvimento cultural do presente ou do passado.
Da que a natureza e o homem se integrem num todo, no qual a
imaginao tem pleno campo. Entre os povos africanos houve intenso
intercmbio, cultural; as influncias grega, fencia e
egpcia--chegadas em pocas pr-crists--mantiveram-se presentes na
tcnica dos artesos negros durante sculos e, logo se fundiram com
influncias muulmanas de novo cunho. A etnologia do sculo XIX,
tratou de diminuir o carcter original das culturas Negras--foi
resultado do europocentrismo. A moderna investigao nos campos da
sociologia, etnografia e histria da arte permitiu verificar a
profunda personalidade da arte negra em cada um dos seus nveis, seja
no mais primitivo dos povos caadores, nmadas--cuja expresso fica
nos marcos do expressionismo vitalista--seja nos povos de cultura,
agricultores e pastores, que formam a imensa maioria da frica
Negra--cuja arte apresenta a maior gama de variaes formais dentro
de uma nica linha expressiva, derivada da j citada "realidade
fantasiada". Mscaras, figuras humanas, escudos e armas, vasilhas
zoomrficas, mveis esculpidos, adornos faciais, pinturas de parede e
danas de coreografia complexa constituem um todo orgnico, uma
estruturada cultura negra que no pode ser deixada de lado e cuja
influncia se manifestou em vrias pocas e de vrias maneiras no
mundo Ocidental. Distinguem-se numerosos estilos de arte rupestre,
em reas bastante extensas (Tassili, Tibesti, frica do Sul, Shaba
Katangal). A sua data  problemtica (de 4600 a 1200 no caso das
pinturas antigas), mas at o comeo do sculo XX os Bosqumanos
refugiados no deserto de Kalahari, executavam pinturas parietais
semelhantes s do Paleoltico europeu: a maior parte das pinturas
representam caadores de tipo negroide. Poucos vestgios resistiram
ao clima e s vicissitudes da Histria. Entretanto, a descoberta em
1943 de numerosos objectos de uma mesma camada geolgica permitiu a
B. Fagg datar a mais antiga civilizao actualmente conhecida-a de
Noque na Nigria a qual se desenvolveu de 500 a.C a 200 d.C. Existe
certa semelhana (pintura do corpo humano e adornos) entre Noque e
Ife, que conheceu o seu apogeu por volta do sculo XIII e ainda hoje
 o centro cultural dos lorubas, assim passado e presente quase que
caminham de mos dadas. Segundo a tradio, um prncipe loruba
estabeleceu cerca do sculo XIII uma nova dinastia no reino de
Benim. Nessa mesma poca um artista vindo de Ife transmitiu aos
fundidores Binis a tcnica do trabalho em bronze. Outro foco de
cultura revelada por J. P. Lebeuf, foi o dos Saos. Esta
estabeleceu-se no Sul do lago Chade exercendo a sua hegemonia entre
os sculos XI e XIV e desaparecendo no sculo XVI. Na Rodsia, no
territrio outrora ocupado pelos Chonas, aproximadamente uma centena
de runas monumentais formam o conjunto arqueolgico de Zimbabu,
capital do imprio Monomotapa. Numerosos perodos foram revelados
pela anlise com o mtodo do carbono 14--um dos maiores progressos
alcanados na Arqueologia, inventado pelo Dr. Willard F. Libby da
Universidade de Chicago. Este mtodo provou apresentar apenas uma
margem de erro de 10%, e consiste no seguinte: Todos os espcimes de
vida animal e vegetal contm um tipo de carbono radioactivo
(14--carbono) que absorvem enquanto so vivos. Assim que morrem
comeam a perder gradualmente este componente. Aps 5568 anos o
espcime ter perdido metade da quantidade de carbono que continha ao
morrer e assim sucessivamente. Ora esta quantidade de carbono
radioactivo pode ser medida pelo contador Geiger mediante um nmero
acusado de "cliques" isto , suponhamos que um bocado de madeira
pr-histrica  achado e confrontado com o contador e com um outro
pedao de madeira actual. Acusando metade de "cliques" que o recente,
 presumvel que o primeiro deva contar cerca de 5568 anos.
Actualmente este mtodo  usado por toda a parte em arqueologia. Os
prprios clebres manuscritos do Mar Morto foram-lhe submetidos. Os
mais antigos objectos africanos datam do sculo IV. As tcnicas e
peas mais utilizadas na arquitectura tradicional da frica Negra so
as de cermica (zona tropical) e as de fibra tranadas (zona
equatorial). As cubatas de forma muito variada so agrupadas em
torno dos celeiros. . A arte tradicional das populaes sedentrias
tem na escultura a sua manifestao mais rica e os seus centros mais
importantes situam-se na frica Ocidental. Ao trabalhar a madeira,
material preferido, o escultor africano associa outras tcnicas
(cestaria, pintura, colagem de tecidos). Entretanto, apesar de
certas caractersticas comuns, as produes so muito diversificadas,
tornando difcil estabelecer uma noo de "estilo". A tradio
tribal  fonte primeira de inspirao, na arte genuinamente africana,
distingue-se por umm lado, as obras com tendncia  geometrizao,
nas quais  privilegiada a forma vertical da rvore original
(estaturia bambara, ancestrais mticos de braos elevados, entre os
dogs, esttuas-pilo nos senufos), e por outro lado, uma produo
mais naturalista de formas mais realistas, nas quais as figuras esto
em movimento, sem uma frontalidade rigorosa (obras dos Lobis).

No  possvel citar todas as etnias, que elaboraram produes
marcantes --obras como os lintis e portas trabalhadas em
baixo-relevo, esttuas de ancestrais cujos traos receberam
tratamento primoroso, objectos rituais e mscaras, estas
frequentemente encimadas por aves. A arte dos bamileques, organizados
em chefarias reflecte tambm a estrutura social desse povo. O tipo
de assento revela a condio social daquele que ocupa o trono que
reservado ao chefe  profusamente ornado de prolas e todo esculpido.
Embora a produo de arte obedea a normas rgidas que no a leis e a
funes, e o significado da mscara seja muito preciso, o escultor
usufrui de certa liberdade. Tem como nico propsito imprimir 
mscara--que se torna espelho do deus --a fora da expresso interior
e do poder exterior. O escultor utiliza sobretudo a policromia e o
simbolismo das cores, bem como diversos procedimentos: formato em
corao (kuelles) ou o redondo de rostos volumosos (bamuns), volumes
convexos (tchokwes), profusa decorao geomtrica (teks),
idealizao dos rostos (dangs e mpongwes), tendncia  abstraco
(bauls), planos rectos que penetram a face e rectngulos ou
paralelppedos encimados por esculturas de grande altura (dogs).
Originrio de uma casta em certas sociedades, mas no obstante
temido, o ferreiro, em outras sociedades, tal como na nossa Idade
Mdia,  assimilado ao heri cultural sendo o seu papel social sempre
importante: o ferreiro no se restringe  produo de peas
utilitrias,  tambm o artista, que trabalha a madeira e o metal.
As tatuagens, os penteados, a pintura do corpo e a pintura das
habitaes so igualmente meios importantes de expresso dessa arte e
mstica africana, que verdadeira emanao de uma sociedade de
tradies, se ressente do contacto com o Ocidente e se encontra hoje
em dia em completa mutao.

Existem dois grupos distintos: Povos-Bantos e Povos No-Bantos ou
Pr-Bantos.

Histria da populao "Banto"

O nome "Banto" que significa homem africano, "ser humano" designa o
maior grupo do Continente africano, que falam dialectos de uma lngua
comum neles, associada a uma definida conjugao de traos sociais e
culturais. So cerca de 42 milhes a totalidade prtica das
populaes Bantos de frica Negra que se repartem por trs grandes
grupos tradicionalmente designados: Bantos Orientais (ou lacustres),
Bantos Meridionais e Bantos Ocidentais. Os Bantos, designao
lingustica, algo tnica, constituem um aglomerado de populaes mais
ou menos diferenciadas entre si, e que retiram o seu nome do tipo
particular da lngua que falam. Por este motivo, a sua classificao
apresenta-se dum critrio fundamentalmente lingustico. Eles tm
realmente sido definidos, simplificadamente, como um grupo de povos,
que se servem de qualquer forma da raz ntu, para qualificar as
pessoas humanas. Essa raz com o prefixo do plural ba, forma o
conjunto ba-ntu; e da formas Bantu ou Banto que os designa (1).
Assim o exprime Seligam, que diz tambm que a unidade deste grupo
tida como primeiro ponto adquirido no domnio da lngua africana
comparado Neste critrio de classificao lingustica usado para a
grande famlia Banto encontramos uma classificao e distino dos
grandes grupos de frica, por isso designados etnolingusticos, e em
pormenor, na designao das diversas tribos, constituindo
verdadeiramente uma regra. Nestes termos,  margem os diversos
dialectos que constituem o motivo distino entre os corpos tnicos,
 a lngua banto, que forma o fundo lingustico dos povos autctones
da frica com excepo, em especial, dos ncleos Hoter totes e
Bosqumano, por isso designados no-Bantos, a que se pode
acrescentar, um nmero reduzido de pr-Bantos. Admite-se que a lngua
banta teria nascido na vizinhana dos Grandes Lagos (2) Uma forte
infuso de sangue camtico  tida como o principal agente que
diferencia os Bantos dos verdadeiros Negros. Este caldeamento  mais
sensvel no Leste e no Sul, e mais fraco no Norte e no Oeste. Dadas
as dimenses do domnio banto, e as diferenciaes grupais que
constituem os dados antropolgicos, so muito variveis, correndo,
entre os Bantos Ocidentais, desde dolicoc falos com uma estatura
mdia de cerca de 1,68 m, a braquicfalos de pequeno estatura (1,62 m
em mdia). Mescefalos atingindo quase a braquicefalia sobem na
estatura a 1,69 m, e so variadas as diferenas antropolgicas de
vria ordem, registvel nesta grande famlia humana. Quanto 
antropognes, os Bantos so ainda um assunto de discusso; os Povos
Negros surgem no Neoltico, e a frica no forneceu at agora um
antepassado aceitvel do tipo Negro, segundo os critrios mais
aceites. Os Bantos seriam um povo que h cerca de 5000 anos teria
invadido a Somlia, para um milnio depois ser expulso por nova vaga
banto, a que se seguiram outras. As primeiras notcias dos Bantos, no
entanto, esto datadas de 943 (A.C.) e so atribudas a Mas'Oudi, nas
suas descries do Golden Meadows. Segundo ele, os Zindj ou "Zendj"
(nomes por que os rabes designavam os Bantos) ocupavam a princpio a
parte leste da frica, entre o Nilo superior e o Oceano. Cosmas
Indicopleustes, monge egpcio, escrevendo em 547 na nossa era, refere
a existncia de relaes de diversos povos com os Bantos, pela costa
de Zanzibar, e para Sul ao longo do ndico, ento chamado o Mar dos
Zindj (Bantos). Supe-se que as lnguas bantos iniciaram a sua
invaso no Sul da frica h cerca de 2000 ou 2500 anos, e a mesma
data, por outro lado,  dada por Johnston, para as migraes dos
Negros que povoam a metade meridional de frica. Alguns autores
admitem pocas mais tardias, e que s no final do primeiro milnio da
nossa era, e da ao sculo XVI, os Bantos se espalharam por toda a
bacia conguesa, escorraando, destruindo ou assimilando as populaes
mais antigas. A pocas mais ou menos aproximadas do sculo XIV, tm
alguns autores relacionado intensas agitaes populacionais, que
movimentaram toda a frica Central. Os Bantos, cultivadores
extensivos, com as suas tribos de caadores, alastraram continuamente
 procura de novas terras. Pensa-se que com eles se tenha iniciado
em frica a Idade do Ferro, e parece aceite, em todo o caso, que a
eles se deve a difuso do ferro na frica Negra. Aos Bantos se deve a
formao de diversos Estados africanos, apreciavelmente organizados,
alguns deles em Angola ou influindo sobre ela. Paralelamente  ideia
de que as lnguas banto teriam nascido na vizinhana dos grandes
lagos, o foco de desenvolvimento banto  situado a leste da
intersepo do paralelo 0, com o meridiano de 30 Long. Oriental
(Hambly). Admite-se, geralmente, que os Bantos s chegaram ao Sul da
frica no sculo XVI ou XVII. Realmente  aceite que,  volta de
1500, os Bantos eram to estranhos s terras extremas do Sul de
frica como os Europeus (H. Stckil). No final do sculo XIX, aps a
ocupao europeia, os grandes movimentos migratrios dos Bantos
foram-se sustendo, acabando por serem dados por findos.

No-Bantos ou pr-Bantos

Bosqumanos: existem pequenos grupos de etnia Negra, no Banta,
designados Pr-Bantos ou Vtua, encontrando-se alguns deles numa
posio taxonmica algo indecisa, e outros em franca via de extino.
A par destes grupos, e a partir do paralelo 14 para Sul,
dispersaram-se irregularmente, por entre os Bantos, buscando de
preferncia os territrios mais indesejados, ncleos de povos
no-Negros e no-Bantos. So constituintes do j referido grupo,
Koisan ou Hotentotes-Bosqumano, tambm designado esteatopgico por
alguns autores, por motivo de fenmeno de acumulao de gordura na
regio coccgea, observvel nos indivduos que os formam. Possuem uma
lngua monossilbica, em grande parte caracterizada por numerosos
sons clis, ou estalinhos palatais da linguagem. So os "tartamudos"
dos nossos cronistas. Estes povos Koisan ou Hotentotes-Bosqumano,
tm caractersticas prprias, que dum golpe os distingue dos Povos
Negros, como sejam a cor da pele dum castanho avermelhado ou amarelo
em boa parte dos seus efectivos, e o cabelo em "gro de pimenta".
Apresentam cabea mesocfala, face ortognata e plana de malares
proeminentes, nariz chato, fonte bombeada, e a fenda palpebral
estreita, algumas vezes oblqua e atribuindo-se-lhes uma estatura
mdia de 1,52. Admite-se que a sua pequenez, apenas superior  dos
pigmeus, seja de natureza fenotpica, explicada como um caso de
patologia alimentar. Tanto os Hotentotes como os Bosqumanos, em
conjunto designado Koisan, encontram-se representados em vrios
pases africanos entre os quais em Angola. Estes ltimos
dispersaram-se tambm pelo (Sudoeste africano) Nambia,
(Bechuanalandia) Botswana, (Rodsia) Zimbabw e (Unio Sul africana)
frica do Sul, no excedendo 40 000 indivduos, na sua totalidade.
Empurrados pelos Bantos e pelos Hotentotes para as zonas mais pobres,
os seus efectivos tendem a diminuir. Tambm os Hotentotes se
assinalam por um pequeno nmero, junto  fronteira do Sudoeste
africano, de onde procedem. Alguns antroplogos Sul-africanos
repartem os Bosqumanos em dois grupos: Bosqumanos amarelos,
incluindo Mucancalas e Cassequeles, e Bosqumanos pretos a que
pertencem os Cazamas. Trata-se segundo Antnio de Almeida, que
observou milhares de indivduos deste grupo, e em cujos trabalhos nos
apoiamos, duma classificao por motivo de no satisfazer uma
sistematizao alicerada, exclusivamente, na elaborao cutanea (1)
Os Bosqumanos, que em tempos somariam centenas de milhares, se no
milhes de pessoas na frica Meridional, teriam efectuado duas
grandes migraes: a primeira atingiria a provncia do Cabo da Boa
Esperana. A segunda teria alcanado o Atlntico, refluindo para
leste, indo ocupar regies onde se encontra Maputo (Loureno
Marques), deslocando-se mais tarde para Oeste e Norte do Sudoeste
africano. A estes movimentos se podero relacionar vivas tradies de
Bosqumanos certamente do grupo tambm designado por Mucancalas (1)
Buscando-lhes a antrognese, tem-se admitido para os Bosqumanos uma
filiao nos homens de Grimaldi, negroides descendentes de populaes
da sia central, e portadores da cultura aurinhacense, que ha mais de
25 000 anos e durante o Paleoltico Superior, habitaram a Europa
Ocidental (2), Autores tm admitido que do mesmo centro antropolgico
provieram Bosqumanos, Mongs e Negros. Alguns, como Boule, assentam
a ascendncia grimaldiense, situando o seu tronco genealgico no
Norte ou no Centro africano; outros que do ramo dos sul-homindeos ou
dos homens mesolticos de Boskop e Florisbed (frica do Sul), tenham
descendido os Bosqumanos e Hotentotes. Para os Bosqumanos, tm
alguns cientistas considerado datas menos recentes, admitindo-os como
resultado do mestiamento de mulheres somalis, egpcias com homens
mongs, ou mesmo persas e indianos (exploradores de oiro de Salomo
nos territrios de Sab). Para Antnio de Almeida, prevalece a tese
negrode por encontrar certos elementos em que esta se alicera. Dum
modo geral, a origem dos Bosqumanos ainda se discute, e, 
semelhana do Banto, a frica ainda no forneceu um tipo remoto
Bosqumano propriamente dito. Os Bosqumanos teriam sido descobertos
na frica do Sul pelos Navegadores Portugueses, em 1497, mas o seu
conhecimento concreto foi feito por Botelho de Vasconcelos, em 1863.
Admite-se que atingiram o seu habitat actual no Sul da frica,
provindo do Norte, e os seus antepassados teriam ocupado parte do
Leste africano tropical, incluindo a zona adjacente do Centro do
Continente. As sries de estaturas de Bosqumanos de Angola, tornadas
em Mucancalas e Cassequeles adultos, apresentam 1,60 m para os
homens, 1,50 m para as mulheres. As conhecidas e notveis pinturas
rupestres destes povos teriam atingindo a culminncia h 4 ou 5 mil
anos, e h pinturas Bosqumanos com menos de um sculo. Existem delas
alguns testemunhos em Angola. O ciclo cultural dos Bosqumanos (assim
como o dos Vtuas) equivale ao da caa e colheita. No captulo
temperamental, o Bosqumano  descrito como "perseverante e rpido".
Acentua-se a bantuizao dos seus costumes e modo de vida, e procura
de contactos com o Europeu, para efeito de relaes de trabalho. No
que se refere aos Hotentotes, a tese mais geralmente admitida
considera os Hotentotes um resultado de unies entre os Bosqumanos e
Pr-Bantos, ou mesmo com os primeiros Bantos. No entanto, Bosqumanos
e Hotentotes evidenciam afinidades morfolgicas e etnolingusticas.
Da a sua reunio sob a denominao aucttone de Koisan a que j se
fez referncia.

(1) Os Quiocos referem que era seu alimento preferido o caranguejo.
(2) A diferena de estatura, superior no homem de Grimaldi, seria
justificada fenotipicamente, por motivos de patologia alimentar,
responsvel pela baixa estatura e menor constituio dos Bosqumanos.

Nossa terra  de esperana aberta ao franco amplexo

e como irmos mais novos de um sculo mais velho vamos levando em
largas mos a herana dos nossos avs

e com folhas do corao continuar a obra humana o grande desenho da
vida.

Marcelino dos Santos --Kalungano--"Aqui nascemos"

O furor do vento no deserto A coragem, a sede e a fome Quem grita
seno ns no deserto? O Mundo e a sua solidariedade No deserto a
independncia e a orbe A justia, a luta, tudo, no deserto Quem grita
tendo a voz da Verdade O Mundo despreza a Verdade

Jonas Savimbi-"Quando a Terra voltar a sorrir um dia"

PROTOHISTRIA AFRICANA E AS SUAS Influncias EXTERIORES A frica
Antiga: mediterrnica

Salstio (1), dando-se conta de uma realidade importante, afirmava
que o Norte de frica era considerado "como fazendo parte da Europa".
J Plato, anteriormente no seu "Fedro", indo mais longe e, de certo
modo complementarizando o pensamento de Salstio, dava-se conta de
que os homens seus contemporneos viviam como "rs em volta de um
charco", o charco, entendido como sendo evidentemente o mar
Mediterrneo. O Imprio Romano desenvolvia-se com efeito em redor do
Mediterrneo. A frica Negra, conhecida e, nalguns pontos
inexplorada, suspeitada, no fazia contudo parte integrante do
Imprio, embora o fornecesse e as trocas comerciais fossem intensas,
levadas a cabo atravs do deserto do Saara. Relembremos tambm que a
configurao ambiental e geogrfica da poca no era propriamente
igual  que hoje se observa. A grande desertificao do Saara, por
exemplo, no era to intensa como actualmente, e fez-se
progressivamente. Pinturas rupestres de Tassili atestam um local
ainda verdejante e fervilhante de vida animal de grande e pequeno
porte. Os seus perodos hmidos ao que se cr, tiveram lugar no
quaternrio perodo terrestre, que se inclui na chamada Era Cenezica
(com os seus 70 milhes de anos) e que se caracterizou pelo avano
das geleiras. As glaciaes que a se deram, influram intensamente
no desenvolvimento da vida orgnica, e esta precedeu ou como alguns
afirmam, integrou-se na Pr-Histria. Cr-se que o homem como tal,
surgiu neste perodo. A configurao dos Continentes era j a actual,
tendo sido abafados os istmos continentais, que permitiam a passagem
de um continente para o outro, pois estes foram invadidos por trechos
de mar. Apesar de uma tentativa de superao, ainda hoje a passagem
da pr-Histria para a Histria de frica,  tida como se tendo
iniciado com os primeiros documentos escritos. Ora, estes, pelo
menos os conhecidos, so de origem europeia, inicialmente gregos ou
romanos. Contudo, em contrapartida, admite-se de um modo geral que a
frica foi o bero da humanidade e das primeiras indstrias,
comeando por produzir o "Homo erectus" (com capacidade cerebral j
muito desenvolvida) e todas as consequncias de progresso que esse
facto comporta em si. Sucessivamente lega-nos
exemplares-paralelamente a outras regies do globo que tambm as
produzem--de Austrolopithecus (primeira descoberta em
1924--Taungs--frica Meridional), de Pithecantropus (descobrem-se
muitos no sculo XX na frica Oriental--Olduvai e nas costas
marroquinas); do homem do Neanderthal (1863--primeira descoberta
fssil em Gibraltar), este j considerado como Homo Sapiens
(caractersticas: fonte inclinada, arcos supraciliares salientes,
dolicocefalia).

O grupo do Neanderthal, surge de um antecessor que deu tambm origem
 raa de Cro-Magnon que surge no Paleoltico Superior.  aqui que
encontramos vestgios que parecem dar-nos a raz de alguns povos
actuais. Por exemplo, o crnio de Boskop, descoberto na frica do
Sul,  possvel que constitua um antepassado do povo bosqumano; o
crnio da gruta de Gamble (Qunia pode por sua vez representar um
antepassado longnquo dos Bantos. Em 192 perto de Tombuctu, um outro
crnio apareceu, com ntidos traos protonegrides Massas de gelo
polares vindas na era quaternria, atingindo a zona mediterrnica,
levaram  consolidao de fases pluviais de clima hmido e temperado
e posteriormente, correspondendo ao recuo dos glaciares, fases secas
de clima rido e quente. No grande deserto do Saara o clima hmido 
alterado, e a desertificao comea num local at ento hmido com
grandes extenses lacustres e, numerosa fauna semi aqutica
sobretudo, para alm de grandes bosques de pinheiros-de-alepo, o
pinheiro actual do Mediterrneo. Na parte da frica Oriental e
Austral alteram-se os perodos pluviais com os perodos secos.
Julga-se que os grandes perodos pluviais correspondam em frica s
glaciaes nos outros Continentes, embora no lhe tenham sido
rigorosamente paralelos.  por esta altura que comeam a definir-se
os diversos grupos de mamferos, inclusiv j herbvoros e
carnvoros. No Quaternrio, o estreito de Gibraltar j se encontra
aberto, enquanto, em contrapartida, o canal da Mancha ainda unia o
Continente Europeu s Ilhas inglesas. Ser precisamente este primeiro
facto apontado, que dar posteriormente aos Gregos a ideia de um deus
Hrcules que tinha separado com um golpe de massa, a frica da
Europa, cavando o estreito que durante toda a antiguidade se iria
chamar as "colunas de Hrcules". Por isso mesmo e, porque segundo a
lenda, Hrcules teria a erguido, de cada lado, dois pilares,
dividindo a terra, e assinalando que os homens no se deveriam
aventurar no oceano, que se estendia alm dos ditos pilares. Durante
a poca da Antiguidade, paralelamente ao desenvolvimento diferente do
resto da frica, todo o Norte deste Continente foi recebendo
influncias civilizadoras vindas do Ocidente. Gregos, Fencios,
exploraram o Mediterrneo Ocidental e chegam ao Norte de frica.
Alguns provinham do reino de Tartessos, situado no Sul da Pennsula
Ibrica na bacia do Guadalquivir e que era famoso pela sua riqueza em
minas de prata e estanho e ouro, para alm de cobre, era com
facilidade que se deslocavam por mar, pois j ento possuiam avanada
experincia de navegao. So precisamente os Fencios, povo que
fazia parte do mesmo complexo de povos semitas, dos Assrios e
Hebreus, que se estabeleceram na costa marroquina e que fundam uma
cidade, a cidade de Lixus em face da actual Larache onde terminavam
algumas rotas comerciais. Cartago (cerca de 814 a. C.) e Rusadir
(Mlilla) e Tingi (Tanger actual), seguem-se a Lixus. Ser Cartago
quem dominar e se tornar numa poderosa possesso. O Estado
cartagins toma um carcter acentuadamente Norte-africano, governado
por uma aristocracia de comerciantes ricos, armadores e grandes
proprietrios fundirios, que formavam o Senado, que por sua vez
fornecia os "sufetas" magistrados, que desempenhavam o papel de
consules e sacerdotes. Daqui partiro duas expedies em busca das
rotas de estanho e do ouro. Uma, comandada por Himilcon, ir ao
Atlntico Norte, outra, dirigida por Hannon, que percorrer em cerca
de 450 a.C. as costas marroquinas do Atlntico, e cujos relatos no
retorno tero sido gravados em placas de bronze suspensas no grande
templo do deus Baal. A traduo grega deste relato chegou at aos
dias de hoje, ao que parece ter-se-iam aventurado at ao golfo da
Guin, mas segundo os historiadores, no teriam passado a Sul do Cabo
Bojador (1). Contudo um comrcio mudo ter-se-ia verificado entre os
cartagineses e os habitantes da frica Atlntica. O Povo Grego tambm
se tentou estabelecer no Norte de frica, mas cedo teria sido
afastado pelos Fencios. Roma surgiu entretanto, como rival poderosa
e fatal de Cartago e, enquanto uma luta sem trguas se desenvolvia
entre elas, os pequenos reinos numdias e mouros, aparecem e
desenvolvem sucessivamente a cena histrica, o que Roma logo
aproveita para os sublevar contra Cartago; foi no meio do sculo III
que as relaes entre Roma-cidade e Cartago se tornaram numa sucesso
de guerras chamadas de "pnicas". Cartago perde a sua frota, Imprio
e domnios africanos e em 146 a.C. foi arrasada e criada a provncia
romana de frica, que ocupava o tero Nordeste da actual Tunsia. Em
seguida  guerra de Jugurta (112-105 a.C.), Roma estende o seu
protectorado para o Este e divide o reino Numda. Contudo em 46 a.C.
Jlio Csar suprime os reinos Numda u que tinham apoiado os
partidrios do seu rival Pompeu, e anexa a parte Oriental da Numda,
criando assim outra provncia, a frica Nova", enquanto o seu aliado
Bogos, rei mouro, expede mensageiros e manda explorar a Etipia,
misses estas que chegam ao Senegal e ao alto Nger. Em 27 a.C. as
duas fricas passam a formar um nico territrio, chamado de frica
Proconsular. Cludio, imperador romano, mais tarde dividir o reino
da Mauritnia em "Mauritnia Cesariana" e "Mauritnia Tingitana". Ao
todo, no decorrer da conquista romana, a frica do Norte ficou pois
dividida em quatro provncias: frica Proconsular com capital em
Cartago, governada por um procnsul; a Numdia, destacada da frica
Proconsular em 37 d.C. e confiada ao legado comandante da III Legio
Augusta (proptor); e em Mauritnia Cesariana e Mauritnia Tingitana,
provncias governadas por procurador. Assim dividida a frica do
norte, pretendia-se impedir uma resistncia nacional consolidada.
Todo este processo de conquista foi levado a cabo no sem o
abafamento de violentas revoltas. Com o fito de proteger o territrio
conquistado, estabeleceu-se um exrcito (a III Legio Augusta) no
Saara, medida que para alm de defesa, pretendia favorecer a
sedentarizao dos nmadas dentro da proteco do "limes"
(fronteira). Paralelamente, seguia-se uma poltica de progressiva
promoo nativa no sentido de povoar terras recm-conquistadas, e de
a fixar s terras impedindo a exagerada emigrao para as cidades,
que ento se dava. Os altos funcionrios do Norte de frica provinham
de Roma-Imprio j, os pequenos funcionrios recrutavam-se entre os
nativos. Contudo, foi a burguesia municipal o agente mais activo de
romanizao no Norte de frica. A Africa romana, economizando
recursos humanos, distinguiu-se na criao de cavalos, cultura de
trigo, criao de mulas, captura de animais selvagens, produo de
mrmore de luxo e madeira, produtos farmacuticos e, a partir do sculo
II d.C., produz em grande escala vinho e azeite que, recorde-mo-lo,
era fundamental na Antiguidade no tanto como condimento da comida,
mas como meio de iluminao. Frutas tambm foram criadas em larga
escala, bem irrigadas pelos no menos competentes hidrulicos
africanos de ento, que emparceiravam com os no menos competentes
engenheiros e arquitectos. A vida urbana atingiu grande apogeu.
Ficaram famosas as cidades de Leptis Magna, de Timgad, Volubilis, que
atingiram grande prosperidade, e que se situavam em flancos doces,
colinas ou plancies frteis em gua. Foi a frica romana tambm o
bero de homens de letras e intelectuais famosos (Apuleio,
Tertuliano, Sto. Agostinho: 350-430 d.C.), e agrupou homens de vrias
provenincias sendo contudo a grande maioria Berberes: Mouros ou
Numdas, alguns descendentes de cartagineses que haviam casado com
mulheres indgenas. Trs lnguas oficiais coexistiam: o lbico, o
pnico e, evidentemente o latim, que se passou a falar depois da
conquista no Norte de frica pelos Romanos, mesmo entre os escravos
negros provindos do Sudo ou entre os Berberes. A partir do sculo III
verifica-se uma crise econmica e no sculo IV eclode uma crise
poltica e social a par de conflitos religiosos. Com efeito, o
Cristianismo surgido no sculo I d.C. em frica, propagou-se
rapidamente, depois da liberalizao religiosa de Constantino e a
Igreja de frica foi rasgada por um sisma (o donatismo), propagado
pelos partidrios do bispo Donato de Cartago, cuja doutrina Sto.
Agostinho combateu. Por estas alturas j a Africa romana estava
mergulhada na desordem. O Imprio do Ocidente fora separado do
Oriente desde 395, e fora invadido pelos Brbaros; em frica os
Berberes agitavam-se tambm. Em 429-438, os Vandalos (provenientes
da Germania) invadem a frica romana e sero estes e os bizantinos
que iro suceder aos Romanos na Tunsia e na Numdia. Na restante
frica do Norte, os Berberes tornam-se Independentes. O reino
vandalo cai em 534 com a conquista de Belisrio, general de
Justiniano, o Imperador bizantino de Constantinopla. A Tunsia,
Dellys, Tipasa, Cherchel, Ceuta e Tanger ficam sob o domnio de
Justiniano, com ele a antiga ordem romana foi restabelecida a nvel
administrativo, mas durante todo o tempo, a frica bizantina foi
constantemente agitada por revoltas camponesas e insurreies.  num
pas arruinado e decomposto que entra a primeira armada rabe em 47
mas, aps a chegada dos rabes, portadores da Cultura islmica e de
uma nova religio, o Cristianismo e o Latim subsistiram ainda em
algumas localidades, para se extinguir a pouco e pouco noutras.
Cerca de 610 d.C., Maom conseguiu congregar e propulsionar os seus
companheiros de modo a criar uma nova f. As primeiras passagens do
Alcoro, o livro Sagrado ditado por Maom, demonstram que este se
situa na tradio do monotesmo Judeu-Cristo, pelas suas concepes
do Deus criador, da revelao, da ressurreio e do julgamento e, no
ltimo ano de vida de Maom, este j era o soberano de quase toda a
Arbia. O Estado Islmico, em 632 (ano 10 da "Hgira") era um
aglomerado de tribos aliadas a Maom em condies diferentes, tendo
como centro os habitantes de Medina e de Meca. A comunidade islmica
oferecia estabilidade perante os Imprios bizantinos e persas do
Oriente, em plena desagregao e, ir futuramente determinar a
Histria de frica tanto ao Norte como ao Sul do Saara, bem como a
Histria da Europa, pois dois anos aps a morte de Maom, comearo
as conquistas bedunas e posteriormente, a dominao muulmana
estender-se- dos Pirinus ao Senegal e ao Iro. Em 640, encabeados
pelo califa Omar, os rabes muulmanos penetram no Egipto derrotando
o exrcito bizantino que a se encontrava. Alguns berberes no
convertidos ao islamismo iro passar  frica Negra. Porm, entre os
Berberes islamizados tambm se do fugas para o Sul. A confederao
de tribos Tuaregues-Sanhadja, ir emigrar at ao rio Senegal e tomar
conta da importante pista Saariana comercial estabelecida entre
Marrocos e o Gana e, ser em Marrocos que os califas Omadas lanaro
em 734 uma primeira expedio contra o Sudo, que j na Antiguidade
era um importante fornecedor do Imprio Romano. No Senegal, 
fundado um "mosteiro" islmico numa ilha, a se constituem os
Almorvidas (palavra que traduzida do rabe significa "os do
convento"), que em 1042 se lanaram  conquista do mundo at ento
conhecido, comeando por se estabelecerem na capital do Gana em 1076
e, sendo da expulsos em 1240 pelo novo reino do Mali, puramente
negro e, que se constitura numa provncia exclusivamente mandinga,
com capital em Niani. Este imprio que se estendia do deserto ao
Nger, produziu tambm um Kankan Mussa, filho de Abubakary II, que
reinou de 1312 a 1337 e, que ficou clebre pela sua converso ao
islamismo, sendo imortalizado pelos famosos historiadores rabes Ibn
Batuta (m. 1377) e Ibn Kaldum (m. 1406). Deste modo se estabeleceu
uma ligao entre o mundo Negro e o rabe. Mussa chegou mesmo a
empregar o arquitecto rabe Es-Saheli, na reconstruo de Tombuctu e,
por outro lado, suspeita-se que manteve comrcio com a Espanha. Ser
precisamente aquando da decadncia deste imprio, que os Portugueses
iro entrar em contacto com ele. Em 1400 a capital do Mali  pilhada
pelos Sonrha, habitantes do reino do mesmo nome, que se tinha
formado a partir do agrupamento de pescadores Sorko, membros do grupo
tnico Sonrha, instalados junto do rio Nger. Em 1468 tomam Tombuctu
que os Tuaregues ocupavam a partir de 1435. Ali Ber, um dos maiores
reis e conquistadores da frica Negra, torna-se num adversrio do
Islo considerando este um perigo para as tradies Negras. Mas em
1591, conquistadores marroquinos chefiados por um jovem sulto, Mulay
Ahmed, conquistam Tombuctu, que durante muito tempo seria um centro
cultural importantssimo. No Gana tambm se formara um volumoso
imprio, que chega a enviar delegados a Portugal a D. Joo II. Mas,
juntamente com os trs imprios importantes do Sudo nigeriano, de
que acabmos de falar (Gana, Mali, Sonrhai), coexistem outros
imprios de menos importncia. Em 1591, j tardiamente, surge um
grupo tnico dinmico, os Bambara, agricultores, e no incio do
sculo XVII, formam-se no Nger dois reinos: ao Sul do Nger, os
Mossi, uma casta guerreira. Nos rios do Senegal, os Tekrur,
incluindo entre si berberes assimilados. A verdade  que quando se
iniciam os tempos histricos para a frica Negra, se vivia j uma
Idade Mdia contemporaneamente na Europa e no Norte de frica. Da o
facto de se fazer referncia a "medievalismo-islamismo" no Norte de
frica nesta poca. Com efeito ela  bem parte integrante do mundo
mediterrnico de Henri Pirenne, contrapondo Carlos Magno  expanso
preconizada por Maom. Ser posteriormente "O Mediterrneo e o Mundo
Mediterrnico na poca de Filipe II" de Fernand Braudel. A Sul do
Saara, na frica Negra, o Estado considerado mais antigo, por esta
altura  a Etipia (depois de 1941 chamada de Abissinia). No sculo
III existia j o porto de Adoulis, que tinha relaes comerciais com
o mundo rabe, Persa, Indiano e de Ceilo. Axum, a sua magnfica
cidade convertida ao Cristianismo desde 333 e j integrada numa
Etipia crist, decai no sculo VIII conquistada pelos rabes. Mas,
a partir do sculo VI, formam-se outros reinos cristos, outros
tantos focos de resistncia ao islamismo: o reino de Nobatia (Nbia),
de Dongola e de Aloa, com capital em Soba, perto da actual Cartum
(que em rabe significa "Tromba de elefante"). Mais a Sul, coexistem
tribos de caadores, pastores, pescadores negros, que se associam
tribalmente, evoluindo progressivamente primeiro a civilizao antiga
de Nok, o Chade, depois o lar Bantu, a Norte dos Camares, unidade
cultural mas no "racial" e que no sculo X atingir a Rodsia e o
Congo. Na floresta, os Pigmeus (que j Estrabo referenciava), mais
a Sul ainda, os primeiros bosqumanos; na costa Oriental os Hamitas.
Formam-se posteriormente entidades polticas a Sul do Equador no
sculo XIV e XV, como o Congo, pois foi entre o Saara e a zona de
floresta tropical, que se desenvolveram os mais antigos reinos
Negros. Relembremos contudo que na Antiguidade o ouro vinha do Gana
(reino que teve o seu apogeu do sculo IX a XI), junto da actual
Guin, bem como o sal (1) Neste reino a sucesso era de ordem
matrilinear. Outras sociedades coexistiam sem Estado nem organizao
poltica especializada, algumas, "anrquicas", o que no quer dizer
que fossem desordenadas, mas antes baseadas na autoridade de quatro
formas disfaradas de poder emanado pelos chefes respectivamente da
famlia, da linhagem, do cl e da etnia. Usava-se o critrio de que a
experincia directa e o conhecimento aumentavam com a idade, donde a
provenincia da assembleia dos velhos, que sempre assistia os chefes.
Nos reinos j formados e dos quais demos exemplos, uniam-se para os
formar, conjuntos de cls (reclamando um antepassado comum) ou de
etnias. Foi neste processo de agregao ou desagregao, que os
Europeus recm-chegados por mar, trazendo novos interesses,
tecnologias e ideais, jogaram um papel determinante.

(1) Recordemos que antes da chegada dos europeus, muitos grupos
tribais sabiam extrair o ferro, usando muito embora processos
primitivos, com cavamento de buracos no cho e cosedura at 
liquefaco.

Noite de grande lua e um cntico subindo do poro do navio. O som
das grilhetas marcando o compasso!

Foste o homem perdido em terras estranhas!... No Brasil ganhaste
calo nas costas nas vastas plantaes de caf No Norte foste o homem
enrodilhado nas vastas plantaes do fumo! Francisco Jos
Tenreiro--"Epopeia"

Paraso, minha infncia africana, que guardava a inocncia da Europa.

Rodeado dos meus companheiros lisos e nus, enfeitados com flores da
selva! Lopold Sdar Senghor-"Acompanhem-me Kras Balafon"

A VINDA DOS EUROPEUS.

SUA PERMANNCIA EM FRICA E FACTORES DA DECORRENTES

Quando os Europeus atingem a frica Litoral e Austral, o modo de
produo dos povos Negros encontrava-se em alguns locais na fase de
transio do nomadismo para o sedentarismo. Noutros, j nitidamente
sedentrio, como seja o caso do Senegal, Niger e Sudo. Transitava-se
da tribo para o Estado unitrio e para a propriedade privada, embora
a unidade social mais representativa ainda fosse a tribo. Trs
civilizaes se distinguem entre o Nger e o litoral Atlntico: o
povo Yoruba, o reino do Benim e o reino de Noup. O primeiro possuia
j organizao poltica de base urbana com centro na cidade de
Ibadan. Os seus reis eram eleitos de 7 em 7 anos por um conselho de
ancios. As suas cidades contudo administravam-se autonomamente por
um conselho municipal designado por um sindicato, o "Ogboni". O
segundo, o reino do Benim, remonta ao sculo XII, recebendo em 1484 a
visita do portugus Afonso d'Aveiro, que leva as primeiras armas de
fogo; este reino distinguiu-se pelos seus famosos escultores e
sobreviveu at ao sculo XIX. O reino do Noup  j mencionado em
1350 por Ibn Batuta (m. em 1377). No sculo XVIII, poca mais
brilhante, o seu rei converte-se ao Islo. Por outro lado, o reino
de Kanem-Bornu, teve a sua prosperidade no incio do sculo XVI e,
era um dos muitos Estados do Sudo central. Entre o Chade e o baixo
Nger desenvolveram-se os Estados de Haussa. Mas, no esqueamos e,
da a importante referncia  periodizao que estabelecemos na nota
prvia-que a Sul da linha do Equador, o perodo histrico
propriamente dito, s comea para muitos povos no sculo XIX,
estendendo-se a proto-Histria do sculo XV (Idade do Ferro) ao
sculo XVI. Recordemos que os Bosqumanos, do sculo XII ao sculo
XIV ainda se encontravam na Idade da Pedra. Nesta poca, outros
Reinos ou Estados se formam. Por volta do sculo XIII, os Peuls, ou
Peles (etnia africana dispersa), emigraram atravs da frica
Ocidental, para o Senegal e o Chade, estabelecendo em 5 locais
hegemonias importantes: no Senegal, na Guin, no Mali, Alto-Volta e
em "Adamanna", espao entre o norte da Nigria e os Camares e
sobrevivem at ao sculo XVIII. Mas os reinos que tiveram maior
impacto, seno maior publicidade, foram os reinos cristos das
cataratas da frica Oriental, respectivamente: Nobatia, Dongola, Aloa
(perto de Cartum), no Alto Nilo e na Etipia. Estes reinos contm
grande vitalidade, mas so isolados pelos rabes. Em 878 so pilhadas
as minas de ouro da Nbia. Soba, capital do reino de Aloa,
distingue-se pelos seus mosteiros e Igrejas, embora pertencendo a um
cristianismo sismtico: eram monofisitas (1). No sculo XIV,
contudo, cristos do Ocidente, contactam com estes reinos e so
enviadas misses dominicanas. No sculo XV, outro reino, o de Funy,
junto do Nilo, constitui-se com os descendentes de nmadas rabes e
de negros. Manter-se- at ao sculo XVIII. Na Etipia, o reino de
Axum, que no sculo XII possuir uma dinastia crist e que envia uma
delegao em 1123 ao papa Calisto II. Mas aqui, devido ao relevo e
comunicaes difceis, os reis e as cortes no se fixam em capital,
mas, pelo contrrio, levam uma vida errante. Identifica-se com o seu
rei o lendrio Preste Joo a quem D. Joo ii de Portugal envia em
1487 por Afonso Paiva e Pero da Covilh um pedido de amizade a este
poderoso e lendrio rei. Em 1520 uma nova delegao Portuguesa
estabelece contacto com este reino e ajuda-o contra as pretenses do
Islo. Em 1541, nova Expedio Portuguesa, comandada por um filho de
Vasco da Gama que o defende contra o reino muulmano de Adal. Em
meados do sculo XV, o reino da Abissnia (Etipia) ou do Preste
Joo, englobava mais ou menos os mesmos territrios de hoje. Governou
entre 1433 e 1467 a Abissnia o rei Zara Jacob, prestigioso e letrado
que se relacionou com a Europa Crist, assumindo-se como Preste Joo,
cuja lenda se gerara anteriormente em redor das riquezas fabulosas e
cristianismo assumido por este reino, ainda pouco conhecido dos
Europeus. Outro Estado, o de "Zendj", constituido (desde fins do
sculo IX) por negros etopes e nilticos, misturados com Bantos, que
emigraram para o Sul atravs da floresta, desenvolvem um grande
comrcio, sobretudo de metais, apresentando cidades j plenamente
desenvolvidas no sculo XIV. Mantinha relaes com a costa Oriental
de frica e a China, que no sculo XVI decaem merc da vontade dos
chineses. Esta civilizao ser destruda aps a chegada dos
Europeus. Por outro lado, h a assinalar ainda o reino de
Monomotapa, anterior ao sculo X, com a ocupao da Rodsia do Sul
(Zimbabu) reino explorador sobretudo de metais, mas que j cultivava
em terraos e irrigava a terra artificialmente; no sculo XVI os
Portugueses tambm atingem Monomotapa. A Sul, os Louba, tambm
mineiros desde o sculo X, que so dispersos no sculo XIX pelos
Belgas e que atingiram o seu apogeu nos sculos XVI, XVII e XVIII.
No baixo vale do Congo, as hegemonias de Loango, Kakongo, Ngoyo,
Mbata, Mbamba, Mpemba, Nsundi, Mpangu, Sonoyo, Ndondo (a Sul do rio
Cuanza). No Centro, o reino do Congo propriamente dito, ocupado pelo
povo banto dos Bacongo, com capital em Mbanza, fundada nos incios do
sculo XV. Diogo Co em 1482 estabelecer contactos com o rei Nzinga
Nkuwu, de grande prestgio. No Sudo ocidental, o imprio dos
Mandingas que comea a declinar no sculo XV e ao qual j fizramos
referncia atrs, e o dos Sonrais. Os primeiros ocupavam desde o
Norte do Saara  grande floresta tropical, Atlntico, Gambia e rio
Grande, e o seu poderio baseava-se no trfico do ouro. Tinha
entendimentos com os rabes e adoptara a f do Islo, contava com as
cidades de Dien.

(1) Monofisita: Doutrina hertica dos que reconhecem uma s natureza
em Jesus Cristo.

Tombuctu, Gao. Toda esta regio desde o Senegal  Serra Leoa possuia
a agricultura, indstria artesanal e comrcio muito desenvolvidos e,
muitas aglomeraes urbanas no sculo XV, quando  abordada pelos
Europeus, Portugueses, que foram indiscutivelmente os primeiros a
explorarem e a estabelecerem contactos com estes povos
sistematicamente. Da Serra Leoa para baixo, no se verificava o
intenso urbanismo, a populao distribuia-se antes por pequenas
aldeias, sem organizao poltica unificada. Ao fundo do golfo da
Guin, entre o rio do Lago e do Nger, numa zona baixa e alagada,
novamente grande surto urbano. O facto  que, antes de os Europeus
chegarem, j se conhecia o golfo da Guin e outros lugares da frica,
pelos relatos dos Negros islamizados levados como escravos para o
Norte. Alis, j na Antiguidade se suspeita do conhecimento da costa
Oriental de frica, pois um priplo do sculo III d.C. descreve a
costa africana at Zanzibar e tambm por se encontrarem moedas
romanas na frica Oriental. Do Senegal at ao Nger, e no Benim,
deparou-se pois aos Europeus uma civilizao comercial e martima
comum, tendo como plo comercial Tombuctu. Para o Sul, at ao Cabo,
as tribos dos Bosqumanos na savana e, dos Hotentotes, que tinham
emigrado para o Sul aquando dos Bantos. Na floresta, os Pigmeus, eram
os que estavam no estdio menos avanado cultural negro-africano e
dedicavam-se sobretudo  pastorcia. Alguns antroplogos afirmam que
estes teriam sido os primeiros habitantes de frica. J tinham sido
referidos na antiga poesia grega e muitas lendas se teceram  sua
volta. Os Pigmeus medem cerca de 1 m a 1,5 m. A restante costa
Oriental encontrava-se sob a dependncia de pequenos sultanatos
urbanos fundados pelos rabes de Mascate e Persas, que traficavam com
a Arbia. O mais poderoso era Quiloa, fundado em 980 e suserano dos
sultanatos de Moambique, Zanzibar, Sofala, Angoche, Pemba, Mocamba,
Melinde e Mogadocho. A civilizao islmica tinha ramificaes em
todo o ndico at  Malsia. Neste enquadramento inicia-se a
poltica europeia de expanso que ambiciona sobretudo atingir a rota
das Indias, esta personificada no labor do Povo Portugus, que foi
fora de dvida a sua grande iniciadora. Pretendia-se o emancipamento
fora do controle dos rabes em geral, dos judeus de Maiorca, dos
Marroquinos e dos Venezianos ou Genoveses, que detinham o controle
das rotas do ouro e especiarias e ainda escravos, que provinham do
Centro e do Sul de frica ou que por a passavam vindos das Indias.
Tentativas anteriores por parte dos Venezianos ou Genoveses tinham
fracassado,  o caso da expedio dos irmos Vivaldi, enviada  India
pelo Atlntico pelo armador Jacopo Doria em 1291. Marco Polo,
concluindo o seu livro, ainda contribua contemporaneamente para
excitar maiores curiosidades e desejos de conquista. Da a sua
poltica de "descobrimentos" (europeia), alguns dos quais reais,
outros fictcios, como depois se veio a provar. Donde a poltica de
"segredo" dos reinos ibricos, por exemplo, as Canrias j eram
conhecidas em 1339 em 1364 os Normandos j tinham dobrado Cabo Verde.
Em Abril de 1500 lvares Cabral "descobre" o Brasil, do qual se cr
D. Joo II de Portugal j tivera notcias da sua segura existncia e
localizao. Em 1434 os Portugueses passam o .Cabo Bojador, fundando
em 1445 em Arguim uma feitoria para comrcio. Entre 1444 e 1447
atingem Cabo Verde e embocadura do Senegal, a ilha de Cor (Dakar), a
Gambia e a Guin que posteriormente iriam ocupar. Cadamosto e o
genovs Uso Dimare, ao servio de Portugal, inspeccionam o Cabo Verde
em 1456, em 1462 atingem a Serra Leoa e exploram a costa nos anos que
se seguem. No actual Gana,  fundada uma nova feitoria, a de Mina,
em 1471. Em 1472 atingem a ilha de Ferno P e o rio dos Camares,
assim baptizado pela abundncia efectiva de camares, que apresentava
nas suas guas. Em 1485 inicia-se a colonizao da ilha de S. Tom,
tendo antes Diogo Co descoberto o rio e o reino do Congo.
Finalmente, em 1487 Bartolomeu Dias e o seu famoso piloto Pero
d'Alenquer dobram o Cabo das Tormentas, que se passar a chamar da
Boa Esperana. Paralelamente, Cristvo Colombo atinge em 1493 o
continente Americano, no mesmo ano a 4 de Maio o Papa Alexandre VI
Borgia, emitir importante bula "Inter caetera", que partilhar o
Novo Mundo entre Portugueses e Espanhis. A Expanso missionria
pelos Portugueses na frica, foi notvel sobretudo nos sculos XVI e
XVII, com a chegada dos Jesutas. Estabelecem-se provncias
eclesisticas. Portugal possua o padroado da organizao e expanso
em frica e sia. At ao fim do sculo XVII fundavam-se misses,
noviciados, hospitais. Muitos africanos se converteram com convico,
outros por motivos polticos ou de prestgio social, mas o facto 
que a aco missionria prosperou se desenvolveu. Com a chegada
europeia comea a recuar a evoluo do Islo pelo menos
comparativamente aos sculos anteriores. Em 7 de Junho  ratificado
o Tratado de Tordesilhas em 1494, cuja clusula fundamental era a que
estabelecia a linha divisria a 370 lguas a ocidente das ilhas de
Cabo Verde. Em 1498 Vasco da Gama e a sua expedio, atinge Calicut,
ameaando definitivamente os rabes (turcos tambm), Egpcio "Zendj"
e Venezianos, que detinham o monoplio do comrcio ndico
-mediterrnio, e que o governador enviado de Portugal, Afonso de
Albuquerque, de que o cronista Gaspar Correia autor das "Lendas da
India" foi secretrio e a que descreve, ir combater e infligir
derrota, tomando Aden e pontos estratgicos na Arbia, com a
conivncia dos abissnios. Enquanto os Espanhis se vo implantando
algo brutalmente nas Amricas Central e na do Sul, os Portugueses vo
optando pela fundao de feitorias e estabelecimento de relaes
comerciais com os chefes ou reis Negros da frica costeira O comrcio
tem como base o trfico de escravos necessrios como mo-de-obra ou
moeda de troca com outros reinos europeus do sculo XVI-XVII. De
frica seguem para a Amrica escravos que garantem a produo de
pedras preciosas e de cana-de-acar. Estabelecem-se contactos com
Nzinga Nkuw rei do "Manicongo" em pleno sculo XV. Nzinga envia
tambm uma embaixada a Lisboa. Constroem-se Igrejas em Manicongo. O
rei de Mbanza em 1490 baptiza-se com os seus sbditos e recebe o nome
de Joo 1, estabelece-se a uma dinastia Bantu crist, que durar at
ao sculo XVII e permitir a fixao de Portugueses. Um prncipe
chega a estudar em Portugal e a ser ordenado bispo de Utica em Roma.
D. Sebastio, rei de Portugal, neto de D. Joo III, ajudar lvaro
I em guerra com os ameaadores JAGGAS. "sistema em marcha", como os
classifica Pierre Bertaux, errantes e guerreiros, sociedade militar
que adoptava os filhos dos vencidos e vivia de razias. (1) Alis,
mais tarde os prprios Portugueses iro favorecer os Jaggas, numa
tentativa de travarem a emancipao do poder dos reis cristos, que
eles prprios tinham ajudado a criar. Em 1620 distingue-se Nzinga (ou
Jinga), rainha de Ngola (Anqola), que abjura o cristianismo e se
retira para a provncia independente de Matamba (Quango). A
resistir, ajudada pelos Jaggas e, aproveitando-se das rivalidades
entre Holandeses e Portugueses. Contudo, voltar-se- a converter-se
morrer em 1663, de relaes abertas com os Portugueses. Tambm em
Monomotapa estabeleceram os Portugueses relaes e em 1514 j a se
encontram. Em 1560 fundam os portos fluviais de Sena e Tete.
Portugal ajuda o seu rei militarmente no sculo XVII contra os
Changmir (dinastia emancipada no fim do sculo XVI). Em 1628 tomam
militarmente a sua capital. A partir de 1600 surgem em frica
Ingleses e Holandeses (que se tinham tornado independentes em 1581
contra a coroa Espanhola) na senda dos Portugueses e das riquezas
africanas e indianas. Ambos se opunham naturalmente aos Portugueses
que na poca se encontravam sob a dependncia do rei de Espanha
Filipe II, adversrio dos Pases Baixos e da Inglaterra. Seguindo o
exemplo portugus, os Holandeses fundam duas companhias: a Companhia
Neerlandesa das Indias Ocidentais, que eclipsa a feitoria da Mina, e
a Companhia das Indias Orientais, que pretende apropriar-se do
comrcio do Cabo da Boa Esperana ao Japo. A Sul de frica,
funda-se a cidade do Cabo, atravs da fixao dos (Boers), camponeses
provindos da Holanda, que se autonomizam. Em pleno sculo XVII,
fixam-se Huguenotes vindos de Frana, em Fish River, a 800 km a Este
da cidade do Cabo. Ingleses, Suecos, Dinamarqueses, Prussianos,
fixam-se tambm em frica: os primeiros aps 1581, altura em que
Francis Drake dobra o cabo da Boa Esperana; os segundos no actual
Ghana; os terceiros na costa Litoral perto de Accra; os quartos na
ilha de Arguim. Em 1629 uma companhia francesa implanta-se na frica
Ocidental, perto do Senegal. Europeus iro digladiar-se pela posse
de territrios africanos e empurrar os povos autctones para fora das
suas terras tradicionais. A luta em si no visava tanto--pelo menos
antes da conferncia de Berlim os territrios em si, como a
instaurao de entrepostos comerciais, pois que o trfego escravo era
algo de essencial na poca para aproveitamento local no exterior.
Estabelecia-se o to falado "comrcio triangular" de quem os escravos
eram o eixo central, e cujo apogeu se deu no sculo XVIII e que
envolvia trs continentes, que de modo esquemtico poderemos enumerar
associando-o com as mercadorias: a frica que fornecia mo-de-obra
escrava, que seguia principalmente para as ndias Ocidentais, ou seja
o Continente Americano, que por sua vez exportava acar, metal e
outros produtos. A Europa recebia a matria-prima e transformava-a
nas suas manufacturas reenviando-a sob a nova forma adquirida e, sob
a forma de armas de fogo, que eram comercializadas e utilizadas no
Continente africano (e na sia tambm) Os locais mais frequentados
para o abastecimento escravo eram a costa do Ouro, o Senegal, a
Gambia, Gana, o Delta do Nger (sculo XVIII-XIX), Daorr Togo e a
Nigria (sculo XVII-XVIII). Espanhis, Ingleses, Holandeses,
Portugueses, revezam-se no negativo comrcio. Correctores residentes
Europeus Negros intermedirios, levavam a cabo as negociaes de
compra e venda. Recordemos porm que as sociedades africanas de um
modo geral tambm repousavam sobre o trabalho escravo e s assim se
compreende a amplitude que este abominvel negcio pode atingir,
mesmo aps a abolio oficial da escravatura os contrabandistas ainda
continuam a levar a cabo o comrcio dos Negros No sculo XVIII
comea a reaco humanitria contra a escravatura, encabeada pela
Frana logo seguida de outros pases. Locke, Diderot, Wilberforc S.
Harp, Rosseau, Jean-Jacques Rosseau escreve no seu "Discurso sobre
origem da Desigualdade", em 1775: "...Toda a Terra est coberta de
naes que no conhecemos seno os nomes e no nos gabemos de julgar
o gne humano:" Opunha-se assim ao pressuposto que estava na base da
escravatura demarcao entre o "outro" e o "eu", este ltimo
considerado superior, face ao animismo (1) do "outro" identificado 
selvajaria e  ignorncia. Em 1765, na Inglaterra, forma-se uma
sociedade anti-esclavagista, e abole-se a Escravatura em 1772. Nos
Estados Unidos, em 1865, no Brasil, em 1882 na Frana em 1848.
Em.Portugal desde h muito que vinha sendo condenada por leis
portuguesas a Escravatura. Desde as leis de 20 de Maro de 1570 e de
12 de Setembro de 1595 que esse esprito de reprovao vinha tomando
corpo(2). O Marqus de Pombal condena-a tambm pelos alvars de
Setembro de 1761 e Janeiro de 1773. O liberalismo, pela voz de S da
Bandeira fez da Abolio da Escravatura uma questo de Honra. S da
Bandeira, Secretrio de Estado dos Negcios da Marinha e Ultramar.
Leu um relatrio de 19 de Fevereiro de 1836, dando conta do estado do
trfico de escravos de cujo fim era fervoroso defensor. Em Dezembro
de 1836

(1) Animismo--Concepo de um mundo onde os seres e as coisas so
todas iguais e que recusa um mundo inanimado.

(2) Gasto S Dias, "Julgareis Qual  mais excelente..", p 214.

publicado um decreto abolindo o trfico de escravos, mas s em 29 de
Abril de 1858 este termina no territrio nacional. A 25 de Fevereiro
de 1869 era assinado o diploma que abolia definitivamente a
escravatura dos Territrios Portugueses. A Inglaterra formar na
Serra Leoa uma colnia para escravos livres. Os Estados Unidos em
Monrvia e a Sociedade Americana de Colonizao promove o seu
estabelecimento na zona da Libria e atribui-lhe um estatuto de
Estado. No Gabo o mesmo sucede em 1849 em Libreville, donde, o nome
desta cidade, "Cidade livre". Na Costa do Ouro Holandeses e
Dinamarqueses cedem direitos aos Ingleses e retiram-se. O Comrcio
Atlntico Esclavagista cessa, mas no o que sempre se desenvolveu
atravs dos mercados tradicionais do deserto do Sahara. Os Prussianos
e Suecos retiram-se tambm de frica. Ficam no sculo XIX face a
face trs potncias: os Franceses, os Ingleses e os Portugueses. Os
Franceses fixam-se na zona do Senegal e Gabo, os Ingleses dirigem o
comrcio no delta do Nger e Costa do Ouro, administrando as suas
colnias directamente. Colonizam tambm a Gambia, a Serra Leoa,
Lagos. Os Portugueses restringem-se  Guin, Angola e Moambique,
tendo perdido a partir de 1650 o monoplio do comrcio no Oriente e
Extremo Oriente, em proveito dos rabes e Turcos. Em 1891, todo o
Continente Sul africano e a partir do Sahara com excepo da Etipia
e da Libria, se encontra sob o controle das potncias coloniais. No
Extremo Sul da frica Austral, os colonos do Cabo e de utras zonas
vo-se assenhoreando das zonas tribais tradicionais dos povos a
residentes. Ao fcil convvio com os Hotentotes (pastores, ao que se
cr resultantes de cruzamento de Bosqumanos com pastores Hamitas do
Norte) sucedem-se incompatibilidades com os Bosqumanos, caadores
errantes e hbeis pintores rupestres, e com os Negros Bantos
agricultores que a se tinham h pouco fixado e que se repartiam
desde o sculo X em trs grupos principais: os Tonga, os Ngumi (da
provm a etnia Zulo que se fixar no Natal, com apogeu no sculo
XVIII e, que leva o gnero de vida guerreiro ao estilo dos Jaggas de
que falmos atrs); e os Soto-Tchuama, que se fixaram na
Basutolandia. Os Bosqumanos, considerados por alguns dos mais
primitivos, dos grupos humanos, constantemente empurrados, acabaram
por se refugiar no deserto de Kalahari. Concluindo, vemos em pleno
sculo XV, merc da erupo de novos interesses e classes sociais
sadas do "Terceiro Estado" medieval, partir-se ao descobrimento e 
conquista de Novos Mundos, ou de mercados j conhecidos, outras
tantas futuras formas de deteno de poder econmico e poltico.
Procura-se paralelamente, segundo vrios modelos, empregues conforme
a "civilizao" encontrada segundo os modelos Europeus, ou a
conquista pelas armas aos "infiis" ou a conquista por intermdio da
religio, com a qual se joga associando-a  poltica, ou a conquista
atravs de estabelecimento de trminus comerciais. No fundo, todas
esto intimamente ligadas, mas o grau de crueldade ou de
permissibilidade ou persuaso varia, conforme os casos. Negoceia-se
com Autctones ou outras potncias Europeias, introduzem-se novas
tecnologias (armas de fogo), joga-se com religio, joga-se com as
rivalidades locais. Foi durante o sculo XVI que o capital mercantil
alcanou um relativo predomnio, contribuindo
significativamente--atravs do comrcio ultramarino--para a
acumulao do capital metropolitano com o fornecimento de capital
externo, "perifrico", extrado ao mundo colonial. O desenvolvimento
da colnia ou entreposto  assim todo orientado no sentido do
desenvolvimento europeu, integrado no processo de acumulao mundial
de capital, tornando-se a no factor de grande peso. Ela  a fonte da
indstria e o mercado para produtos dela provenientes. Aps a
poltica mercantilista, absolutismo e rivalidades do sculo XVII,
acompanhadas nitidamente dos interesses da "classe" burguesa, surge o
sculo XVIII caracterizado significativamente pelo desenvolvimento
de complexos de plantaes esclavagistas, comrcio de escravos e
trfego triangular de mercadorias entre as ndias Ocidentais
(Amrica), Europa, e frica. Ser posteriormente, e j dentro do
sculo XIX que com a conferncia de Berlim, e tendo em considerao a
ocupao efectiva se iro partilhar os territrios coloniais.

Ns da frica imensa

e por cima da traio dos homens

atravs das florestas magestosas invencveis

atravs do fluir da vida

ansia fervente caudalosa nos rios rugidores

pelo som harmonioso das marimbas e, surdina

pelos olhares juventude das multides

multides de braos de nsia de esperana

Agostinho Neto-"Sangrantes e Germinantes"


Sofrimento e mgoas outra natureza nossa,

O Sol nasce mais cedo p'ra castigos nossos,

O cu tem outra cor da dos velhos tempos idos...

Nossa Terra, Nosso Povo, Nosso queixume...

Jonas Savimbi-"Quando a Terra voltar a sorrir um dia'

PARTILHA DE FRICA E VIRAGEM DA HISTRIA DA HUMANIDADE

Foi entre 1870 e 1880 que se reuniram os factores que iriam levar 
partilha da frica Negra. Descobrira-se em 1867 no Transval,
diamantes, ouro no Rand e cobre na Rodsia, o que fizera
imediatamente subir o valor deste Continente  escala comercial. A
ocupao pura e simples do territrio por parte da Europa seguia-se 2
ocupao por intermdio de companhias concessionrias, colonizando-se
preferencialmente, atravs do prestgio industrial e comercial das
principais potncias. "Quadros" e tcnicos superiores, comeam a
imigrar para frica apoiados pelos futuros governos coloniais dos
principais potentados europeus. Os prprios soberanos europeus
sonhavam acumular aos seus Estados, Estados Negros sob os quais
tivessem jurisdio. Os novos investigadores e os prprios membros
de algumas Sociedades de Geografia, so impelidos a assentar nas suas
anotaes algo mais do que as observaes cientficas decorrentes. Em
suma, os pases Europeus interessavam-se grandemente pela frica
Negra. As potncias que j a estavam estabelecidas, inquietavam-se.
Portugal negociava com a Inglaterra, enquanto a Itlia e a Frana se
digladiavam aps a instalao da Frana na Tunsia. Por seu lado,
tanto a Inglaterra quanto a Rssia, rivalizavam entre si no
Afeganisto e na Prsia. O Egipto tambm fora um factor de separao
entre a Frana e a Inglaterra. Bismark, chanceler do Imprio
Prussiano, resolve ento promover uma conferncia internacional sobre
a frica Central. No se falava em partilhar a frica, mas sim em
assegurar a continuao do livre-cambio tradicional costeiro e
assegurar a efectivao, ainda a decidir da ocupao nova de costas
de frica. Contudo a partilha estava implcita e pela primeira vez
este Continente entra com grande barulho no palco da diplomacia
internacional. A 15 de Novembro de 1884 inicia-se a abertura da
Conferncia. Convidaram-se 14 potncias, dentre as quais os
signatrios do Tratado de Viena. Aproximava-se do cimo, como diz E.
J. Hobsbawm, "os quatro sculos da Histria Universal em que um
punhado de Estados Europeus e a fora Europeia do Capitalismo
estabeleceram uma dominao absoluta, embora temporria... de todo o
mundo (1) A conquista territorial aliava-se o interesse por novos
mercados que dessem vazo aos produtos do surto industrial verificado
na Europa e acelerado pela Revoluo Industrial, e que, por outro
lado lhe enviassem matrias-primas. A Colonizao agora ganha um
valor de implantao efectiva. De possesses coloniais passa-se aos
Imprios coloniais.

106

Com a Conferncia de Berlim, marca-se indubitavelmente, o incio da
partilha da frica Negra. Esta inicia-se em 15 de Novembro de 1884 e
estender-se- at 26 de Fevereiro de 1885, e nela participaram
representantes de 12 Naes Europeias, os Estados Unidos e a Turquia.
Em Berlim, renem-se estes representantes, instigao de Bismarck que
pretende a sua prpria afirmao na poltica mundial e encorajar a
posse de colnias por parte da Frana, para a compensar da perda na
Europa--da Alscia e minerais da Lorena (tratado de Francfort-1871) e
para se opor  sua tradicional adversria, a Inglaterra. O pretexto,
tanto para a Conferncia de Berlim como para a posterior partilha,
foi a situao criada na bacia do Congo pelas actividades implantadas
e exploradoras comerciais por parte do rei dos Belgas, Leopoldo II.
Leopoldo sair contudo favorecido desta Conferncia, pois
oficialmente -lhe reconhecido o Estado Independente do Congo que se
estender do Atlntico a Tanganyka, do Egipto  Rodsia, e onde se
implanta uma sociedade controlada pelo rei. Bismarck, por seu lado,
anexar para si territrios africanos em forma de tratados passados
com a concordncia e aliana de soberanos negros locais, mas sem se
implantar poltica ou administrativamente. A poltica inglesa, por
sua vez, visa impedir a unio dos Boeres revoltados com os alemes.
Lord Salisbury, escudando-se por detrs de um dos pretensos motivos
essenciais da conferncia: a explorao e investigao de frica para
a favorecer, primeiro-ministro e ministro dos Negcios Estrangeiros
de 1886 a 1892, confirma a sua posio no Egipto e anexa o Knia,
Uganda, Rodsia do Norte e Nyassaland. Impe-se aos Portugueses a
renncia do "Mapa cor de rosa", que pretendia o territrio
compreendido entre Moambique e Angola, cujos territrios juntamente
com outros, grandes viajantes a partir do exemplo de David
Livingstone, de H. M. Stanley, Speke, Brazza, Serpa Pinto e Silva
Porto, tinham tentado visitar e explorar cientificamente. Abramos um
parntesis para referir que estes viajantes e respectivas expedies,
que tiveram a sua maior incidncia no sculo XIX, muito contriburam
para o conhecimento do Continente africano, da sua Natureza e da
dominao das suas ameaas naturais (doenas, etc.). J no sculo
XVI Duarte Lopes viajara pelo interior de frica e cr-se que
atingira as nascentes do rio Congo e possivelmente do Nilo. No
entanto, o facto  que se estabeleceu um Estado de tenso entre a
Inglaterra e Portugal, posteriormente acalmada pela ecloso da guerra
anglo-boer (em 1899), resumida num tratado assinado em Outubro de
1899 em Windsor. Os Boeres, descendentes de colonos Holandeses que se
tinham estabelecido na zona de Natal e na colnia do Cabo, aps
vrias rivalidades sangrentas com os Ingleses que pretendiam os seus
territrios, so subjugados. Em Dezembro de 1880 declaram-lhes
guerra, refugiando-se na zona do Transval, Repblica fundada em 1836.
S em 1902 se estabelece a paz com a anexao das Repblicas boeres,
que mais tarde se determinam na Unio Sul-africana.

Com os Italianos, que tentam conservar a Etipia, os Ingleses
delimitam a fronteira ao mesmo tempo que cedem aos Alemes a ilha de
Heligolandia, situada no mar do Norte, em troca do protectorado
alemo de Zanzibar. Como resultado de tudo isto, assentam-se as
potncias coloniais que ficam com territrios na frica Negra: a
Alemanha, Portugal, a Frana, a Inglaterra e a Itlia na costa Somali
e na Eritreia. A Frana que tinha anteriormente conseguido para si a
regio do Congo inferior e do Gabo, merc da aco de Savorgnan de
Brazza (de 1879 a 1885), conservar estas regies e a regio do lago
Chade, a ilha de Madagascar, o porto de Djibuti (Jibuti) e ao Norte,
Marrocos e a Tunsia. No Interior de frica Negra, os mais
importantes Imprios Autctones desagregavam-se lentamente merc da
actividade desenvolvida pelas operaes de conquista e de subjugao
das tribos africanas. Foi assim que no territrio de Moambique, os
Portugueses, fazendo face ao Imprio Vtua, aprisionaram o seu
imperador Gungunhana, ao qual os Ingleses se tinham aliado na
inteno de substituir a autoridade portuguesa. Ser precisamente do
conjunto da desagregao de Imprios africanos com a demarcao de
Colnias Europeias, que posteriormente se iro formar novas entidades
polticas que se auto-afirmaro e emanciparo e atingiro em seguida
a Independncia. Mas por ora, em pleno sculo XIX, a Europa tenta
absorver a frica ligando-a indissoluvelmente a si, atravs dos seus
interesses econmicos. Associam-se  metrpole as colnias
partilhadas em Berlim, estabelece-se progressivamente uma ligao de
cariz poltico, dependncia econmica, jurdica e cultural, mediante
o relegamento para segundo plano da cultura local e "no erudita" e
centraliza-se a Administrao. Optam-se por sistemas diversos. A
Inglaterra desenvolve o "indirect rule" ou Administrao Indirecta,
colonizao de base mercantil, que respeitava os costumes locais e
que procurava reconhecer a originalidade entre colonizador e
colonizadores, sendo as leis emitidas por um Administrador Geral
residente na colnia. NA Frana, a mais intervencionista, opta pela
Administrao Directa, na qual a diferena entre as duas sociedades
postas em confronto  reconhecida e a economia de trfego e a Lngua
Europeia impera tendo como Autoridade suprema a Metrpole  qual se
deve fidelidade. Tenta-se fazer do cidado africano um francs (no
governo metropolitano com capital em Dakar colocam-se ministros
negros). Portugal tenta converter o africano num portugus (em 1820
so declarados Cidados Portugueses todos os habitantes do Territrio
Ultramarino). Angola Moambique, a Guin Portuguesa e as ilhas de
Cabo Verde e S. Tom e Prncipe, tornam-se segundo as normas da
miscigenao (cruzamentos de indivduos de "raas" humanas
diferentes), que se d, e pelo Cristianismo vigente que torna todos
iguais. Portugal define-se como Nao "Euro-africana". Na Blgica
visa-se sobretudo atingir a prosperidade mediante o desenvolvimento
das companhias privadas e dos africanos. A Alemanha, embora mostrasse
inicialmente algumas reservas e entregasse o estabelecimento das
Colnias Alems a iniciativas privadas, interessava-se agora
fortemente pela frica e declara os seus direitos sobre o Sudoeste
africano, o Togo e os Camares, em 1884. Algo rudemente, administra
os africanos tornando-os disciplinados e rentveis. Recordemos que a
Prssia, foi uma antiga regio da Alemanha constituda por vrias
provncias, que se identificam com a Histria da Alemanha desde 1871,
ao tornar-se na cabea dos Estados Alemes, que haviam proclamado
Imperador da Alemanha o rei da Prssia, Guilherme 1. A tentativa
italiana de construir um grande imprio colonial na frica Oriental
acrescentando  Abissnia as suas possesses na Eritreia e Somlia,
fracassou com a derrota em dua em 1896, mas por outro lado, a
Blgica manteve a sua soberania no Estado do Congo at 1908. Em 1900
a frica, com excepo da Etipia e da Libria (que se tornara
independente em 1847), estava repartida. Inicia-se a Afirmao dos
domnios por meio de presena militar, ao mesmo tempo que se procura
o equilbrio entre as Potncias Europeias. Evolui-se de modo a que na
primeira metade do sculo XX, trs potncias colociais menores
possuam territrios em frica: a Blgica, a Holanda--logo abafada
pela Inglaterra--e Portugal. Quatro potncias mais importantes
dominam igualmente este Continente: a Amrica (dominao econmica e
tcnica); a Rssia (mar Negro, Cucaso, Turquesto, Sibria) e a
Inglaterra e a Frana. A Alemanha perde o seu imprio aps a Primeira
Guerra Mundial. (1) A Itlia perde o seu imprio aps a Segunda
Guerra Mundial (os exrcitos de Mussolini tinham ocupado a Etipia em
Outubro de 1935) e Adis-Abeba em Maio de 1936. Em 1941 aps a
ofensiva inglesa no Norte de frica, as foras britnicas a 5 de
Abril capturaro aos Italianos Adis-Abeba, capital da Etipia. Aps
a Primeira Guerra Mundial, a partilha de frica encontrava-se
acabada, a as aces da I e da II Guerra Mundial foram muito
limitadas. Aps a I Guerra Mundial as possesses africanas da
Alemanha foram transformadas em mandatos da Sociedade das Naes, mas
a frica ficaria um Continente de forte Implantao Colonial at ao
fim dos anos 50.

(1) Pelo Tratado de Versalhes (28 de Junho de 1919) ps-se fim  I
Guerra Mundial.  nesta altura que a Alemanha perde todas as suas
colnias, em proveito das Naes Aliadas.

Eis as nossas mos abertas para a fraternidade do mundo pelo futuro
do mundo unidas na certeza pelo direito, pela concrdia e pela paz.

Pelo futuro eis os nossos olhos pela Paz eis as nossas vozes pela Paz
eis as nossas mos da frica unida no amor

Agostinho Neto-"Sangrantes e Germinantes"

O futuro sonhado alto desvaneceu, O sorrir preparado alto fundiu, A
lua nasceu tarde e ps-se cedo det

Jonas Savimbi "Quando a Terra voltar a sorrir um dia"

CONSEQUNCIAS E INDEPENDNCIAS

A poltica colonial e ocupao consequente mudaram a face da frica e
remodelaram definitivamente o aspecto deste Continente. Tendncia
provinda desde a mais alta Antiguidade, a Aventura Colonial sempre
atraiu o Homem. contudo, ligados aos factores negativos que j
largamente apontmos o etnocentrismo, as campanhas de "pacificao",
o deslocamento dos centros de actividades africanas tribais ou no,
do Interior para a Costa, a destruio de tradies e tribos, tambm
foram revelados factores positivos que contriburam para a afirmao
deste Continente e sua Independncia. Da Europa veio o conceito de
propriedade privada e de Estado Nacional englobando um territrio bem
delimitado, permitindo a unificao de tribos, castas profissionais e
grupos e a sua sedentarizao. Unificam-se as numerosas lnguas
faladas, d-se incio a um grande surto demogrfico, ao mesmo tempo
que se elimina a escravatura (se de incio a Europa se dedica ao
comrcio esclavagista, foi ela porm no incio do perodo efectivo
quem acabou com a escravatura), a antropofagia, a poligamia, os
sacrifcios humanos (aco que se deve sobretudo aos missionrios
religiosos), as doenas tipicamente africanas; forneceu-se
desenvolvimento tecnolgico. As consequncias da presena europeia
foram sem dvida complexas, bivalentes, bipolizadoras, mas o facto 
que as Sedes de Administrao Colonial se tornaram nas capitais dos
Estados africanos Independentes, ao despertar a Conscincia Nacional.
Desde os anos 60 que a frica tenta adquirir a sua identidade
assimilando e africanizando contribuies vlidas exteriores e
unindo-as a sistemas internos tradicionais ou no, altura esta em que
17 antigas colnias alcanam a sua Independncia na maior parte das
vezes, em ordem, outras vezes em desordem --outras tantas ameaas ao
Povo africano--e promovem uma nova forma de racismo e etnocentrismo,
que ainda hoje a Organizao de Unidade africana e os intelectuais
enfrentam. (1) Os territrioS britnicos emancipam-se logo a partir
dos anos 50: a Repblica Sul africana rompe com a dominao inglesa
para manter o separatismo racial, que ainda hoje mantm, partindo do
pressuposto da superioridade branca e proibindo casamentos mistos. Em
1964, a coroa britnica autonomiza a Basutolandia, que toma o nome de
Lesoto. Em 1966 a Bechuanalandia, torna-se na Repblica do Botswana.
Em 1968 O Ngwane torna-se na independente Suazilandia. Mas o primeiro
Estado a atingir a independncia foi o Ghana (antiga Costa de Ouro
ex-britnica) a 6 de Maro de 1957 e que ir precipitar outras
tomadas de Independncia. A Federao


() O.U.A.--Organizao a que aderiram todos os Estados que se
tornaram Independentes desde 1963. Visa a promoo da Paz e
cooperao no Continente africano e eliminao da ingerncia
estrangeira nos conflitos africanos.

da Nigria em 1960 proclama-se independente, tornando-se na Repblica
da Nigria em Outubro de 1963. A Serra Leoa torna-se membro da
Commonwealth (1) e ganha a independncia em 1961 de acordo com a
Coroa britnica. Revoltas em 1955 marcam partida para a
independncia do Uganda, e o Knia (Qunia) e a Tanzania (Tanganica e
Zanzibar) proclamam-se independentes respectivamente em Dezembro de
1963 (1. Ministro: Jomo Kenyatta) e em 1964 (Presidente: Juli
Nyerere). A Rodsia e Malawi (Niassalandia), a Zambia (antiga Rodsia
do Norte) so alvo de um projecto britnico de Federao que no
resulta. Em 1964 o Estado autnomo do Malawi (Niassalandia),
auto-proclama-se e sai da Federao Centro-africana, no mesmo ano a
(Rodsia do Norte) Zambia atinge a independncia (Primeiro-Ministro:
Kenneth Kaunda); a (Rodsia do Sul Zimbabw atinge a independncia a
11 de Novembro de 1965 e proclama-. Repblica a 2 de Maro de 1970.
Nos territrios franceses, tenta-se ultrapassar um impasse, atravs
da Conferncia de Brazzaville em 1944. Ren Pleveu, comissrio das
colnias organiza uma reunio de 20 governadores a fim de "confrontar
ideias e experincias na comunidade francesa", englobando o
territrio da frica Negra, cujos territrios constituam uma
Assembleia eleita que contudo no desempenhava nenhum papel
legislativo. Em Abril de 1955, a Conferncia afro-asitica de
Bandoeng manifesta a sua solidariedade com os Povos Colonizados e
cristaliza a sua aspirao  Independncia. Em Dezembro de 1958 o
lder Pan-africanista do Ghana, Kwame Nkr mah organiza em Accra a
Conferncia dos Povos de Toda a frica. O Pan-africanismo adopta a
conscincia de negritude, ou seja, a dimenso do homem negro unido e
profundamente humano, detentor de uma cultura especfica. O
intelectual W. E. Burghardt Du Bois (n. 1868 no Massachusetts)
considerado o pai do Pan-africanismo. A partir de 1919 fazem-se
vrios congressos pan-africanos. Ser a partir destes congressos que
sair o conceito de Negritude em 1933, e a inteno de integrar a
cultura negro-africana na realidade do sculo XX e sua emancipao e
coexistncia de culturas sem assimilaes foradas por parte dos
povos europeus. Em Setembro de 1959, a Federao Mali pede a De
Gaulle a Independncia, que  proclamada a 22 de Setembro de 1960.
Forma-se a Repblica do Mali que corresponde ao antigo Sudo francs.
A Guin (ex-francesa)  desde Outubro de 1958 independente. No
Senegal, Lopold Senghor toma a presidncia da Repblica. Aps
negociaes amigveis com a Frana em Agosto de 1960 o Estados da
Costa do Marfim, o Alto Volta, o Nger, o Daom (Benim), atingem
independncia. A Repblica Centro-africana (Ubangui-Chari) forma-se
no 1. de Dezembro de 1958, ao mesmo tempo que a 22 de Novembro de
1958 se forma a Repblica do Congo com capital em Brazzaville. A
Frana d a independncia aos Camares em 1 de Janeiro de 1960
(lder: Ahmadou Ahidjo), ao Togo em Abril de 1960, que  nesta mesma
data admitido como membro das Naes Unidas (constituda pelos
Estados africanos do Sul do Saara, Etipia, Sudo e pases da
Europa). A Repblica (Malgaxe) Madagscar torna-se Estado
independente e soberano a 27 de Junho de 1960. A Independncia do
Congo Belga processa-se menos pacificamente;  liderada por Patrice
Lumumba que  executado em 1961, s  atingida em Junho de 1960,
tomando o nome de Zaire, cujo Presidente desde 1961  o general
Joseph Mobutu. O Congo tinha tomado anteriormente alguns nomes: em
66, Repblica do Congo, depois Kinshasa e torna-se por fim no Zaire.
Na 1.a decnia de 70, quase toda a frica se tinha tornado
Independente. Em 74 e 75 foi a vez dos territrios de Angola, Guin,
Moambique, Cabo Verde e S. Tom e Prncipe, pelo golpe de Estado de
25 de Abril de 1974 em Portugal. A Guin  tornada Estado a partir de
10 de Setembro de 1974, Moambique a 25 de Junho de 1975, Cabo Verde
a 5 de Julho, S. Tom e Prncipe a 13, em Angola a 11 de Novembro de
1975. Vrias;formas de regime se instauram no Continente africano a
Sul do Saara. Mas simultaneamente, tenta-se a valorizao dos
sistemas tradicionais africanos. Etnias unem-se no sentido de
resolverem problemas locais e de eliminar tiranias e totalitarismos.
Tentam-se resolver ressentimentos intertribais e ideologias rivais,
ameaas ao conceito de Nao. Procura-se alargar a democracia na
frica do Sul, o elemento popular reage  guerra, como entidade
destruidora ao "subdesenvolvimento",  dependncia econmica e
tecnolgica. Com ou sem enquadramento partidrio a frica avana para
o futuro, tentando a iseno, nem sempre conseguida devido aos
interesses econmicos internacionais. A frica de bero da Humanidade
converter-se- no futuro da mesma.

(9 Commonwealth--Conjunto de pases unidos por uma comum aliana 

FRICA OCIDENTAL:

A frica Ocidental que representa um tero de todo o Continente
africano, est enquadrada entre o Oceano Atlntico e a imensidade de
areia do Saara, que constitui a maior barreira terrestre do planeta.
Em 1957 o mapa s mostrava um Estado independente, a pequena Libria.
A frica Ocidental Francesa reunia em federao de 1895 a 1958, os
territrios do Senegal, Mauritnia, Sudo, Alto Volta, Nger, Guin,
Costa do Marfim e Daom, com capital em Dakar. Em 1967 o Oeste de
frica era independente com excepo de um minsculo territrio: a
Guin ex-Portuguesa e o territrio enorme de Angola. Em 1975 tambm
estes se tornaram Independentes. A lngua oficial de cerca de 70
milhes de habitantes  o ingls; 29,5 milhes o francs e meio
milho o portugus. Portanto, o ingls e o francs so o factor
aglutinante de uma enorme pluralidade de povos, so os idiomas da
instruo e do intercmbio, pois para alm disso falam-se dialectos
Bantos. Pela vertente Atlntica os rios descem  ribeira; pela
vertente Interior a gua desce ao Saara e forma o rio Senegal e a
grande corrente do Nger. O Saara  relativamente baixo e, o seu
grande lago, o Chade, fica situado abaixo do nvel do mar. Da frica
Ocidental do Saara  costa do Golfo da Guin, sucedem-se diferentes
regies climticas. O Sahel volta-se para a criao extensiva, a
savana, para os pastores e camponeses, a floresta  o domnio
pioneiro das plantaes. O Interior  a zona privilegiada e permitia
a grandeza dos Imprios Negros mas a Colonizao vai inverter papis
e d aos Estados Litorais uma superioridade que se acentua.
Plantaes perto da costa: caf, cacau e hveas. Minrios: petrleo,
ferro, bauxite. etc. e, algumas indstrias do caracterstica
africana a esta parte do Continente. As capitais porturias: Senegal,
Camares, Guin, Costa do Marfim, Nigeria Togo, (Daom) Benim,
Gambia, so zonas dinmicas; sucede o contrrio com Mali, Alto Volta,
Nger, Chade, que so mais isoladas. Os pases situados na frica
Ocidental: Libria, Camares, Chade, Mali, Nigria, Nger,
Senegal-Gambia (Senegambia), Burkinafaso (Alto Volta), Benim (Daom),
Costa do Marfim, Serra Leoa, Gana (Costa do Ouro), Togo, S. Tom e
Prncipe, Cabo Verde, Guin Bissau, Guin.

Os homens do norte os mais lcidos e cheios de ideais deram-te do que
era teu um pedao para viveres... Libria! Libria!

Ah! Os homens nas ruas da Libria so dollars americanos
repticiamente deslizando

Francisco Jos Tenreiro "Epopeia"

LIBRIA, um pas de origem diferente

A Libria foi criada no incio do sculo XIX por uma entidade
filantrpica que comprou um pedao de terra africana para que os
escravos libertos podessem recomear nova vida. Os terratenentes
esclavagistas para quem se tornou perigosa esta proximidade de negros
livres hostilizavam esse movimento unitrio de repatriao. Em 1822
foi desembarcada a primeira leva de emigrantes pela Marinha
norte-americana e, a pouco e pouco a terra foi-se povoando de
escravos libertos e negros cativos. Abandonada numa costa inspita,
sem meios, hostil pelos nativos, a nova comunidade (cujos
descendentes formam a actual a aristocracia liberiana) sofreu
terrveis privaes. Os primeiros colonizadores foram brancos,
alguns provenientes da Vrginia A Libria solicitou, e obteve a sua
Independncia em 1847, tornando-se a segunda Repblica negra no mundo
(o Haiti precedera-a). O primeiro presidente negro, natural de Ohio,
E.U.A., depois de um curto e tempestuoso governo durou de 1870 a
1872, morreu afogado, quando j deposto tentava fugir. Os
amrico-liberianos (como gostavam de chamar-se a si mesmos) 8000 em
1848. Levaram para frica o sistema patro-escravo que tinham
conhecido nas plantaes do Sul dos Estados Unidos. Eles como
Senhores entregavam-se a uma complicada vida social e a manobras
polticas, enquanto que os indgenas que mantinham o mais lamentvel
atraso, eram os escravos Libria foi chamada "O Paraso do Demnio",
porque a chegada dos novos libertos foi uma catstrofe para os seus
irmos de raa. Cerca de 80 000 nativos na sua maioria pescadores,
podem ser considerados "civilizados". Tornou-se um hbito adquirir o
sobrenome do Senhor documentao de genealogia era comprada pelos
nativos mais hbeis que se conseguiam infiltrar na aristocracia
local. Esta opunha-se tenazmente ao progresso. Quando um negro
jamaicano, Marcus Garrey, fundou em 1932 a Companhia de Navegao
para que os seus irmos de raa pudessem regressar dos Estados Unidos
para frica, o governo da Libria receoso dessa emigrao
indiscriminada, criou toda a espcie de obstculos ao projecto. At
 Segunda Guerra Mundial, a Monrvia no possua telefones, corrente,
esgotos, estradas de ferro, rodovias e portos. O moderno
desenvolvimento da Libria comeou em 1926, quando uma grande
companhia americana comprou terrenos para montar uma plantao de
rvores de borracha. empresa modelar, tinha escolas, energia,
estradas, emissora radiofnica e hospitais prprios. Porm s deu
trabalho a cerca de 4% da mo-de-obra do pas Nas colinas de Bomi, a
70 Km a noroeste de Monrvia, capital com 295.000 habitantes situada
na costa pantanosa, so extrados anualmente 2 milhes de toneladas
de um minrio de ferro to rico que pode ser fundido directamente
como se fosse sucata. Em 1951 foi construda uma via frrea para
transport-lo para exportao pelo porto de Monrvia, feito poucos
anos antes da instaurao do governo norte-americano (os Estados
Unidos compram  Libria quase toda a sua produo, 90% das suas
exportaes). Depois de revigorar a sua incerta economia e pr um
pouco de ordem nos seus assuntos internos, a Libria comeou a ocupar
um lugar de respeito entre a Comunidade das Naes africanas.

REPBLICA FEDERAL DOs CAMARES, Estado da frica Ocidental

No fundo do golfo da Guin, com cerca de 474 000 Km2 e, 9 667 000
habitantes. Capital-laound, os idiomas oficiais so o francs na
regio Ocidental e o ingls na Oriental, tambm  falado o banto, o
semi-banto e o sudans. Quanto  religio os pagos e os muulmanos
predominam, embora exista grande nmero de catlicos. No Centro e
Norte do pas a maioria da populao  sudanesa, no Sul  banto e
semi-banto. Os Camares, conjunto de pequenos principados e terra
onde se buscavam escravos, foram submetidos  soberania distante de
Bornu no sculo XVI e de Barguimi nos sculos XVII e XVIII. A
conquista pel teve incio no sculo XIX. Os europeus portugueses que
tiveram contacto com as costas desde o sculo XV, s intervieram
verdadeiramente nos Camares a partir de 1860, quando foram
instalados as primeiras feitorias britnicas e os missionrios,
adversrios da escravatura. Todavia, foi um alemo delegado por
Bismark, Gustav Nachtigal, que obteve dos Dualas o primeiro tratado
de protectorado (Julho de 1884). Colnia alem, os Camares--cujas
fronteiras foram fixadas por tratados com a Frana (1894) e a
Gr-Bretanha (1886 e 1893) --beneficiaram em 1911 de uma extenso
territorial considervel (Neues Kamenum): em contrapartida  Frana
obteve da Alemanha liberdade para agir em Marrocos. Conquistados
pelos franceses (1914-1916), os Camares foram partilhados entre a
Frana e a Gr-Bretanha, que em 1919, obtiveram o mandato sobre os
territrios dos Camares que lhes foram concedidos. Ligados desde 27
de Agosto de 1940  Frana livre, os Camares franceses tornaram-se,
aps a guerra, territrio sob sua tutela, sob presso dos movimentos
nacionalistas e, em especial da Unio das Populaes dos Camares
(U.P.C.), criada em 1948 por Ruben Um Nyob e obtiveram autonomia
interna no 1. de Janeiro de 1959 e a sua independncia no 1. de
Janeiro de 1960. Em 1961, um referendo provocou a anexao aos
Camares ex-franceses da parte meridional dos antigos Camares
britnicos, cuja zona norte foi anexada  Nigria. Dotado de uma
constituio federal, o Estado dos Camares  dirigido desde 1960
pelo presidente Ahmadou Ahidjo. Todavia, este, apoiado pela Unio
Nacional dos Camares (U.N.C.), conta com a oposio da Unio das
Populaes dos Camares. Em 1972, o pas adoptou uma nova
constituio que abolia a separao dos Estados, tornando os Camares
uma Repblica Unitria. O pas estende-se por trs conjuntos
naturais. Na parte meridional, a plancie costeira, dominada pela
grande zona vulcnica do monte Camares (4070 m)  substituda em
direco Este. por uma outra zona de colinas e a seguir de planaltos;
o clima equatorial explica a grande extenso da densa floresta. O
centro do pas corresponde ao grande macio de Adamua, de clima
tropical coberto pela savana. No Norte uma srie de planaltos descem
at a depresso do Chade; o clima torna-se progressivamente seco e a
vegetao torna-se estpica. A populao banto composta de grupos
variados, s  densa na regio litoral. A agricultura ocupa 80% das
pessoas activas e varia segundo as zonas climticas.

REPBLICA DO CHADE Estado da frica Ocidental

 Com cerca de 1280 000 km2 e, 5179 000 habitantes. Capital N'
Djamena: Devido  deficincia das comunicaes, pelo aeroporto de
Fort Lamy passa mais carga area (gado e produes agrcolas) que por
qualquer outro de lngua francesa. O incio do actual ressecamento
da regio provocou em 3000 a. C. o desaparecimento das populaes que
ocupavam a regio setentrional (TibeEnnedi) e, importantes migraes
na direco do lago Chade, onde no sculo d. C. os Tubus do Tibesti
fundaram o reino de Kanem, que controlavam as caravanas, que cruzavam
o Saara. Lutas internas obrigaram os soberanos de Kanem, no sculo
XIV, a refugiar-se no Bornu, dominado pela sociedade canuri,
conquistado pelo Islo, tanto aos poucos Tubus e Fulas foram
absorvidos pelos rabes ou pelos Negros islamizados. No sculo XIX,
os Europeus, Alemes, Britnicos e sobretudo Franceses foram atrados
pelo mistrio do lago Chade. Em 1884-1885, a conferncia de Berlim
fixou os limites da actual Repblica do Chade. As duas campanhas
francesas (Gentil, Lamy) contra o Imprio de Rabah levaram, em 1900,
 formao da colnia francesa do Chade. Muito heterognea, amputada
em proveito dos Alemes (1911-1918), ela s se organizou lentamente,
estando at 1922, integrada ao Ubangui-Chari. Em 1940, liberta-se sob
o impulso do governador Flix Ebou (1884-1944). O Chade foi a
primeira colnia a unir-se  Frana livre, antes de ser base para as
operaes da coluna Leclerc na Lbia (1941-1945). Fundado em 1946
pelo antilhano Gabriel Lisette, o Partido Progressista do Chade teve
papel central no Movimento da Independncia. O Chade tornou-se
Repblica independente em 1960 e, o primeiro presidente foi Franois
Tombalbaye. Uma administrao negligente e a ressurgncia de
conflitos tribais provocaram a constituio de uma Frente de
Libertao Nacional do Chade, responsvel pela rebelio de 1968.
Contra esta, a Frana forneceu uma "ajuda excepcional e limitada"
(3000 homens) s foras chadeanas. Em 1972, instauraram-se paz e um
equilbrio precrios. O assassnio de Tombalbaye (1975) deu o poder a
Flix Malloum. Mas as rebelies alcanaram sucessos decisivos e um
dos seus chefes, Hissne Habr, tornou-se primeiro-ministro em 1978.
Os acordos de Kano (Maro de 1979) pretenderam evitar novos
conflitos, Foram seguidos pelo exlio do presidente Malloum. Um
governo de Unio mal assumiu o poder em Novembro de 1979, sob a
presidncia de Gou Oueddei. Em 1980, novo conflito ops os
partidrios deste aos de Hissene Habr, a vitria de Queddei foi
assegurada pela interveno militar Lbia. O pas estende-se sobre a
metade Oriental da bacia sedimentar do Chade elevando-se na
periferia, esta  contornada pelo macio vulcnico de Tibesti ao
Norte, o Ennedi e Uddai a Eeste e a cumeada do Ubangui ao Sul. O
clima permite distinguir: no Norte, uma zona desrtica, extremidade
meridional do Saara; no Centro, uma zona de estepes, de longa estao
seca; no Sul, uma zona de savana, que se desenvolve com o aumento das
precipitaes. A populao pouca densa distribui-se em dois grupos
muito diferentes. No Norte, os rabes, muulmanos, dedicam-se 
criao seminmada de ovinos e bovinos. No Sul, os Negros, mais
numerosos, Animistas, so agricultores. O milhete  a base da
alimentao; mas, graas  irrigao, a regio situada entre o Chari
e o Logono tornou-se na poca colonial, produtora de algodo,
principal produto de exportao. O pas precisa de importar bens de
consumo e ressente-se de seu isolamento e da falta de sada para o
mar. A balana comercial  deficitria e o nvel da vida da
populao permanece baixo. A moda dos "pratos" nos lbios nasceu no
Chade, como recurso para desfigurar as mulheres e evitar que os
rabes as raptassem. As mulheres de boca de prato no podiam falar e,
s se alimentavam com lquidos. Essa prtica que exigia uma
preparao desde a infncia, actualmente est proibida.

REPBLICA DO MALI Estado da frica Ocidental

Com cerca de 1 240 000 Km2 e, 7 600 000 habitantes, quase todos se
concentram no vale pantanoso do Nger numa infinidade de pequenas
aldeias camponesas. A capital Bamako une-se a Dakar por uma estrada
de ferro que transporta cerca de 90% das exportaes do Mali. s
portas do Saara encontra-se a legendria Tombuctu, que j foi chamada
a "rainha das areias" e foi a capital do Imprio Medieval do Mali que
monopolizava at ao ano 1300 o comrcio e o ouro da regio. Esse
imprio ocupou rea de Senegambia, Guin e Mauritnia; com os golpes
dos Mossis, Tuaregue e Bambaras,desagregou-se. Depois do
esfacelamento do Imprio Mali no sculo XVII o reino de Seg fundado
pelos Bambaras, dominou parte do Sudo (sculo XVIII). No sculo XI
vrios pases mais fortes dividiram o territrio: O imprio Pel de
Macina o de El-Hadj Omar, o de Malink Samory Tour. A penetrao
europeia iniciada no fim do sculo XVIII a partir de 1857. Os
territrios conquistados passaram a constituir em 1904 e dentro do
quadro da frica Ocidental Francesa (A.O.F.)a colnia do Alto Senegal
(cap. Kaye e depois Bamako), que em 1920 se transformou no Sudo
Francs mas sem Alto Volta. A Repblica Sudanesa criada em 1958
inicialmente esteve associada ao Senegal, dentro da federao do
Mali. Quando esta se rompeu foi criada a Repblica do Mali (1960) em
22 de Setembro, de orientao socialista e presidida da por Modibo
Keita. Em 1968 assumiu o poder o coronel Moussa Traor apoiado pelo
exrcito e pelos funcionrios pblicos e que criou um partido nico
em 1976. O Norte e o centro do pas ocupam parte do deserto do Saara
(Adrard Iforas) e das suas bordas, tendo um clima do tipo Sahel
(menos 400 mm de gua por ano), o que permite o crescimento de uma
rala vegetao de estepe planta herbcea. Para essa regio muito
pouco povoada as tribos nmadas trazem rebanhos de animais ao pasto.
O Sul do pas ocupa a bacia do mdio Nger, por onde tambm corre o
Alto Senegal. O clima  sudans mais hmido (em Bamako a mdia  de
1000 mm por ano de chuva), permitindo a vegetao natural das savanas
e principalmente a existncia de culturas. A populao est
concentrada nos vales do Senegal e do Nger, mais neste ltimo onde
esto as cidades principais; essencialmente rural, cultiva milho,
sorgo e arroz. As obras realizadas no curso do Nger permitiram o
aumento das superfcies cultivveis e da renda da populao; o
amendoim e principalmente algodo so os principais produtos de
exportao. A industrializao ainda muito limitada, algumas
fbricas construdas graas  ajuda dos pases socialistas, que
trabalham as matrias-primas agrcolas. O nvel de vida da populao
ainda  baixo.

TOMBUCTU (MALI) a misteriosa capital do deserto

Conta-se que um viajante sedento, cansado (a um quilmetro atrs o
seu camelo morrera), olhando o horizonte distante acreditou estar a
ver uma cidade atravessada por canais cujas guas corriam lentamente;
mas, estava no Saara. Porm, um rabe, antigo condutor de caravanas,
que tambm atravessava o deserto, desiludiu o viajante ao dizer-lhe
que no eram canais o que os seus olhos viam, mas somente sulcos
infinitos e inacabados, que aumentavam como lnguas de fogo sobre as
areias quentes do Saara e, que eles nesse instante estavam na blad al
atach (em rabe quer dizer terra de sede) e, para chegar a esses
canais era necessrio seguir na direco do "meio-dia" at encontrar
Tombuctu, a capital do deserto no Sudo francs (actual Mli). No
dia seguinte o viajante chegou a Tombuctu e, pode ver aquilo que
anteriormente fora uma iluso de ptica provocada pela sede. Isto ,
viu os canais, os verdadeiros canais que a atravessam, com as guas
que correm lentamente ou desaparecem absorvidas pelo insuportvel
calor, que se ergue na atmosfera. Um desses canais que permite a
navegao foi construdo pelo Imperador Mohammed Askia, porm, em
seguida, foi devorado pelas areias levadas pelos ventos persistentes
e implacveis. No entanto, s vezes no so as areias mas sim as
guas que avanam sem se deterem, como aconteceu em 1640: Uma grande
inundao fez desaparecer El Baguidi, um dos bairros de Tombuctu. Por
outro lado, as chuvas prejudicam as construes assentes sobre bases
frgeis, as casas so construdas com ladrilhos, que eram feitos 
mo, antigamente. As cabanas tm formas esfricas e, geralmente, toda
a construo possuia um mesmo tipo; algumas casas tm outra.na parte
superior e em nenhuma delas falta o terrao para fugir do grande
calor, quando o Sol se pe na profundidade das areias do deserto. As
cheias comeam no Vero e nessa poca, Tombuctu enche-se de pirogas,
a cidade do deserto transforma-se num lugar sulcado de braos de
gua, que lhe do um aspecto mgico e fascinante. A respeito desses
canais poder ser dito o que Herclito imaginou para o mundo grego:
"nada pode banhar-se duas vezes nas mesmas guas". Porm, aqui as
guas passam ou secam e, a meio dessa natureza to inspita e febril,
nessa estranha cidade em forma de tringulo, a vegetao  escassa e,
se aparecem algumas palmeiras em lugares distantes, formam somente um
pequeno grupo. Em Tombuctu, somente se pode falar de arbustos
pequenos, que surgem nos caminhos esbranquiados das areias, fora
disso, nada mais do que o espao, as casas baixas e algum edifcio de
pedra nessa terra, que os rabes chamam blad al atach. A Tombuctu,
cuja grafia ainda  discutvel, da forma adoptada pelos primitivos
habitantes da regio, Tombuctu j foi Tin-Bouktou, Ten-Bouktou e
Tombuctu, que no idioma sornhai significa "cavidade". Tombuctu, como
a chamaremos segundo a metamorfose da grafia, j aparecia no livro de
Ahmed-Baba, historiador sudans do sculo XVII. De acordo com esse
historiador, Tombuctu fundada no sculo V da Hgira, ou mais
precisamente, no ano 1077 da nossa era; os conquistadores eram
oriundos das tribos de Imeddider e de Idd Nessa poca, havia a cidade
de Qualata, que era o emprio do Saara Sudo; porm, os Tuaregues,
raa indmita do deserto, arrasaram esta cidade em 1325 dando
oportunidade a que Tombuctu--a cidade das cavidades se tornasse a
capital do deserto. Est situada ao 10 Km ao Norte do brao
setentrional do Nger e, por sua vez, esse brao passa para Kabara,
que  um dos portos da cidade; esse abarca o bairro mais importante
de Tombuctu, onde se comercializa com sal borracha, noz, tecidos e
diversos artigos de metal vindos das zonas europeias Tambm se
comercializa caf e acar e  o ponto final de grandes caravanas, de
camelos carregadas de sal. De Tombuctu partem as rodovias comerciais
que chegam at Marrocos Senegal e outros pases que tm de ir 
capital do deserto a fim de realizar os seus negcios, alguns deles
de grande importncia pelo intercmbio ou quantidade de dinheiro que
se emPrega.

REPBLICA FEDERAL DA NIGRIA, Estado da frica Ocidental

Membro da Commonwealth, com cerca de 924 000 km2 e, 89 600 000
habitantes, sendo em populao o maior de toda a frica Negra.
Nigria deriva da palavra Nger, que significa "negro"; a sua
capital-Lagos; a Nigria e um pas agrcola e mineiro. Como Centro
da civilizao de Nok (c. 900 a. C. 200 d. C.), a Nigria foi
submetida durante toda a Idade Mdia a um intenso ir e vir de
populaes, durante o qual entre os sculos VII e XI os Hassas se
instalaram  marcha do Islame com a converso de Hum 1097, soberano
de Kanem: mas esse reino enfraqueceu pouco a pouco beneficiando com
isso os reinos hassas sobretudo o de Kane cuja dinastia abraou o
islamismo no sculo XIV e, que atingiu o seu apogeu com Muhammud
Rimfa (1463-1499). No sculo XVI o Kane foi eclipsado pela
revivescncia do Bornu. O conjunto Kanem-Bornu conheceu o seu apogeu
com Idris-Alaoma no fim do sculo XVI. No sculo XVII os reinos
hassas entraram numa fase de regresso, tocando aos Peles
muulmanos o papel de inovadores. No comeo do sculo XIX
desenvolveu-se a revolta desses, que culminou com a formao de um
Estado teocrtico e centralizado, com Sotoko como capital e, a cujo
controle s o Bornu escapou. No sul, onde se desenvolveu, no sculo
XIII, a civilizao de Ife, a situao foi caracterizada pelo
crescente domnio do reino de Benim, que a partir de 1472 estabeleceu
relaes comerciais com os Portugueses fundamentalmente centradas no
trfico de escravos. Aos Portugueses sucederam os Ingleses em 1553,
mas s em 1851 esses ocuparam Lagos e da lanam as bases dos seus
futuros protectorados na Nigria. A fundao em 1879 da United
african Company que em 1886 se tornou a Royal Niger Company marcou o
incio de uma sistemtica penetrao britnica no pas. Desaparecendo
essa empresa concessionria. a Nigria passou em 1900  jurisdio do
colonial Office; em 1914 o Sul e o Norte fundiram-se para formar a
colnia e protectorado da Nigria, ao qual uma parte dos Camares
seria em seguida anexada. Paralelamente a explorao do pas
tornou-a uma das mais activas zonas colonizadas da frica. O
nacionalismo nigeriano despertou aps 1945, particularmente entre os
Ibos j que os lorubas se revelaram mais conservadores. De facto, a
criao de um governo representativo em 1951 e o estabelecimento da
Constituio Federal (trs regies) de 1954 foram bloqueados na
prtica pelas tenses tribais. Essas evidenciaram-se nas eleies de
1959, um ano antes da independncia (1. de Outubro 1960) da
totalidade do pas. Transformada em Repblica em 1963, sob a
presidncia do doutor Azikiwe, a Nigria logo foi sacudida por
agitaes, principalmente na regio oeste, que resistiu em
sujeitar-se  efectiva dominao do Norte. Em 1966 um Ibo o general
Ironsi apossou-se do poder e tomou medidas centralizadoras em
detrimento do Norte. Sangrentas revoltas raciais contra os Ibos
manifestaram-se ento. Aps o assassnio de Ironsi em 1966, o
tenente-coronel Yakubu Gowon, novo chefe de Estado foi incapaz de
conter os massacres de Ibos no Norte, e assim explodiu a terrvel
guerra de Biafra (1967-1970) que terminou com a capitulao das
tropas biafrenses. Dois novos golpes militares derrubaram Y. Gowon
(em 1975) e o seu sucessor (em 1976). Os civis retornaram ao poder
em 1979, com a eleio do presidente Shagari. A Nigria com uma
srie de planaltos mais ou menos cobertos de sedimentos desce para a
costa do golfo da Guin. As terras altas, ao Norte ultrapassam 500 m
de altitude. As terras baixas, ao Sul so constitudas por planaltos
cristalinos e a ocidente e por colinas arenosas a Este limitando-se
alm disso com o litoral pantanoso. A Nigria  drenada pelo curso
inferior do Nger e o seu principal afluente, o Benu. Mas 
sobretudo o clima sempre quente, embora desigualmente hmido, que
contribui para estabelecer diferena entre as paisagens naturais.
Sudans ao Norte em particular  beira do lago Chade, torna-se cada
vez mais hmido para o Sul e francamente tropical na costa.
Paralelamente, a vegetao passa da estepe (plantas herbceas) 
savana, depois  floresta rala e por fim, no litoral,  floresta
densa; no vasto delta do Nger, torna-se vegetao de mangue. A
populao  constituda por diversos grupos tnicos entre os quais
sobressaem quatro: os Peles e os Hassas, ao Norte, dedicam-se
principalmente  criao de gado; os Ibos, a Sueste, desbastaram a
floresta densa, a sua densidade pode atingir 500 hab/Km2; os lorubas,
a ocidente so os que h mais tempo se deram  vida urbana. A
coexistncia desses dois grupos no se faz sem problemas. O ndice de
crescimento da populao  elevado mas a urbanizao continua a ser
modesta, pois s 1/4 dos habitantes reside em cidades. As duas mais
importantes, Lagos, Ibadan, esto situadas no Sudoeste e o pas seja
como for, tem 25 cidades com mais de 100 000 habitantes. A economia,
se bem que tenha sido fortemente marcada pelo perodo colonial j
possui transformaes em marcha que visam diminuir a parte das
matrias-primas nas exportaes. A agricultura emprega 2/3 da
populao activa, mas j no chega a representar metade do Produto
Nacional Bruto. As lavouras comerciais fornecem milhete ao Norte e
mandioca ao Sul ao passo que o milho e o arroz acham-se bem
disseminados, em escala modesta, por quase todo o territrio. As
grandes plantaes concentram-se na zona tropical; fornecem cacau
(segundo lugar mundial), azeite-de-dendn, amendoim, algodo e
borracha. Ao Norte, predomina a criao (bovinos, caprinos), que
permanece no entanto extensiva. O desenvolvimento industrial
baseou-se no s na abundncia de matrias-primas agrcolas, mas
tambm nas riquezas minerais, estanho, nibio e sobretudo
hidrocarbonetos (a produo anual de petrleo  da ordem de 100
milhes de toneladas). Paralelamente  transformao de produtos
agrcolas (fbricas de leos vegetais e de pneus), surgiram fbricas
de tecidos de plsticos e de automveis (montagem).

A produo industrial permanece contudo insuficiente e o pas tem de
importar os seus bens de equipamento. Mas a balana comercial graas
ao petrleo, conta com excedentes. A Nigria, alm disso,
beneficia-se com uma boa rede de comunicaes, herdada do perodo
colonial e ligada aos dois portos principais: Lagos e Port Harcourt.
O nvel de vida mdio da populao ainda  baixo, mas o futuro
econmico do pas  promissor desde que consiga resolver os seus
problemas internos.

REPBLICA DO NIGER  um dos Estados mais antigos da frica Ocidental

Com cerca de 1 267 000 Km2 e, 6 000 000 habitantes que se concentram
na fronteira com a Nigria, pas a que est unido por laos
geogrficos e culturais a Capital-Niamey; a sua maior riqueza  a
pecuria. O Nger no se tornou uma entidade poltica seno na poca
Colonial, a ocupao humana, foi contudo a muito antiga
principalmente no Saara, em que o processo de secagem (cerca de 5000
a. C.) provocou a emigrao dos cultivadores para o Sul. Esses por
sua vez foram repelidos pelos Berberes Brancos, antepassados dos
Tuaregues. Um Imprio Sonrai, islamizado bem cedo se desenvolveu
desde o sculo VII a partir de Gao: destrudo em 1591 pelos
Marroquinos, deu lugar a pequenos reinos, que pouco a pouco passaram
para o controlo dos Peles. No extremo final do sculo XIX a
progresso francesa do Nger para o Chade ocorreu num pas muito
fragmentado e cujas possibilidades de resistncia eram por isso muito
fracas. Os primeiros postos franceses do Nger datam de 1897 mas a
submisso dos Tuaregues s se tomou efectiva a partir de 1906 sem
todavia impedir revoltas durante a primeira Guerra Mundial. Em 1900
o Nger tomou "grosso modo" a sua configurao actual sob dominao
de III Territrio Militar e com Zinder e depois Niamey como capital
Passando a territrio do Nger (1921) depois a colnia do Nger
(1922), dotado em 1946 de uma assembleia territorial onde desde 1956
domina o partido Sawaba; Repblica em 1958, independente em 3 de
Agosto de 1960, o pas  dirigido de facto pelo Agrupamento
Democrtico africano, cujo lder Hami Diori (nascido em 1916) foi
eleito presidente da Repblica. Reeleito em 1965 em 1970, Hamani
Diori foi derrubado em 1974 por um Golpe de Estado dirigido pelo
prprio chefe do Estado Maior, o Tenente-Coronel Seyni Kuntch
(nascido em 1931). O Nger estende-se por um conjunto de plancies e
planaltos onde o macio cristalino define os principais acidentes, o
pas acha-se em contacto com duas zonas climticas ao Norte a zona
desrtica, parte do Saara, onde a vegetao est quase ausente (erg
do Tener), e, ao Sul a zona Saheliana onde as precipitaes de
origem tropical ultrapassam 300 mm e permitem o crescimento da estepe
(plantas herbceas). A populao distribui-se de maneira bem espaada
sendo composta por tribos de Tuaregues nmadas ao Norte e por negros
(sobretudo do Hassas) em geral sedentrios, ao Sul e concentra-se na
parte meridional do pas, que agrupa as principais cidades e
principalmente no vale do Nger, que abriga a capital Niamey. A
agricultura continua a ser a base da economia; as plantas herbcea
servem de pasto a grandes rebanhos de bovinos e caprinos. As lavouras
restringem-se ao vale do Nger, onde ao lado do milhete e do sorgo
desenvolvem-se hortalias, amendoim e a cultura do arroz  irrigao.
As jazidas de estanho e de urnio (Arlit) so exploradas mas a
indstria limita-se  transformao dos produtos agrcolas; o
comrcio externo deficitrio ressente-se da falta de um escoadouro
martimo.

 a hora das estrelas e da Noite que sonha E se debrua nesta colina
de nuvens, envolta em sua longa tanga de leite. O tecto das cubatas
brilha meigamente

L dentro, o fogo extingue-se numa intimidade de cheiros agrdoces.
mulher, acende a candeia de manteiga clara, para que  sua volta
conversem os antepassados. tal como na cama os pais e os filhos.

P d Sdar Senghor (1) '(Noite de Si

Presidente da Repblica do Senegal

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REPBLICA DO SENEGAL Estado da frica Ocidental

Com cerca de 197 000 Km2 e, 6 680 000 habitantes e entre eles se
encontram os negros de pele mais escura de toda a frica. A sua
capital . Dacar (Dakar) a "Paris da frica". O enclave formado pelo
Gambia, obrigou os Franceses a construrem o porto artificial de
Dakar e uma estrada de ferro, o que teria sido dispensvel se
tivessem acesso ao rio Gambia. O Senegal com as suas fronteiras
actuais foi criado na segunda metade do sculo XIX, quando os
Franceses reuniram sob um mesmo governo, sediado em Sain-Louis, os
Ulofes, os Seleres, os Tucolores, os Malinques, etc., povos
estabelecidos em torno do deserto central de Ferlo, percorrido pelos
Peles. A ocupao humana da regio  muito antiga, no sculo XV
esta fazia parte do imprio do Mali, aps o desmembramento deste
ltimo, formaram-se pequenos reinos mais ou menos islamizados. Mas a
partir do sculo XV, os Portugueses chegaram ao litoral, onde
fundaram feitorias (Rufisque); no sculo XVI chegaram os Holandeses
(Goria), os Ingleses e os Franceses; estes fundaram Saint-Louis em
1659. Na verdade o comrcio colonial (marfim, borracha, ouro) foi
entregue a companhias privilegiadas. Restitudos pelos Ingleses, de
direito em 1814, de facto em 1817, os emprios Franceses do Senegal
(Saint-Louis, Goria) conheceram sua ascenso econmica no perodo do
governador Faidherbe (1854-1865), que estendeu a influncia francesa
ao interior, a tal ponto que as primitivas feitorias se transformaram
em colnia, tendo Dacar, fundada em 1857, como capital efectiva. A
conquista do Senegal foi terminada em 1879 e 1890; os Franceses
exploraram principalmente, o amendoim cujo comrcio foi facilitado
pela construo das ferrovias Saint-Louis-Dacar (1881-1885) e
Thies-Kayes (1923). A partir de 1848, a Frana concedeu um regime
democrtico e representativo aos "quatro municpios" (Saint-Louis,
Dacar, Rufisque e Goria), que em 1914 elegeram um negro, Blaise
Diagne (1872-1934) para represent-los junto  Cmara francesa dos
deputados. Os habitantes das matas, por outro lado, passaram a
conhecer o jugo do regime colonial. Integrada em 1902  frica
Ocidental Francesa (capital:Dacar), a colnia do Senegal passou a
receber numerosa populao europeia, fixada principalmente em Dacar.
Aps a Segunda Guerra Mundial, Amadou Lamine-Gueve (1891-1968)
conseguiu que a assembleia constituinte francesa estendesse a
cidadania a todos os habitantes. Aps o fracasso da Federao do
Mali, o Senegal tornou-se um Estado Independente, em 1960 a 20 de
Agosto, dotado em 1963 de uma Constituio de tipo presidencialista e
cuja vida poltica era dominada pela personalidade de Lopold Sdar
Senghor. Em 1981, Abdou Diout, primeiro-ministro, sucedeu a Senghor
na presidncia da Repblica. Em 1982. o pas acordou com a Gambia
formar uma federao com o nome de Senegambia, cabendo a presidncia
a Abdou Diout, presidente do Senegal, e a vice-presidncia a Sir
 Dawda lawara, presidente de Gmbia, porm, cada pas conserva a sua
soberania. O Senegal estende-se sobre uma bacia sedimentar, limitada
a Este por colinas cujo cume est situado a 581 m. Aberta para o
Atlntico, esta bacia  delimitada pelo rio Senegal ao Norte o Gambia
ao centro e o Casamance ao Sul. O clima tropical, seco ao Norte do
pas, coberto pela estepe (plantas herbceas), mais hmido ao Sul
possibilitando o crescimento da savana arborizada e da
floresta-galeria. A populao composta de diversas etnias (Bantos)
entre as quais dominam os Uolofes, est concentrada no vale do
Senegal e prximo ao litoral. A agricultura ainda  o sector
essencial da economia. A cultura do amendoim, do perodo colonial, 
associada  produo de milho-mido ao Norte e de arroz ao Sul. As
culturas de hortalias, em parte destinadas  exportao,
desenvolvem-se em torno de Dacar. Entretanto, o rendimento continua
reduzido devido  modernizao das exploraes. A pesca ajuda a
complementar os recursos Alm da explorao de fosfatos, as
actividades industriais (fabricao de conservas, indstrias txteis)
esto concentradas na regio de Cabo Verde em torno de Dacar, cujo
porto assegura o comrcio exterior, principalmente ligado  Frana.

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@REPBLICA DA GAMBIA Estado da frica Ocidental

Membro do Commonwealth, com cerca de 11 200 Km2 e, 737 000
habitantes, capital Banjul (situada pouco acima do nvel do mar). A
Gambia  um enclave dentro do Senegal com cerca de 450 Km de
comprimento e apenas 20 Km de largura, abrangendo ambas as margens do
rio Gambia. Portanto, aberta para o Atlntico estende-se ao longo do
curso inferior do Gambia, enquadrado por baixos planaltos de grs
(rocha macia). O Clima tropical permite o crescimento da floresta,
mas esta tem sido amplamente devastada pelo homem. A populao,
composta de diferentes grupos tnicos (Mandingos, Peles, Uolofes,
etc.), pratica culturas alimentcias de milho, arroz e mandioca. Mas
o amendoim constitui a riqueza essencial do pas e seu nico produto
de exportao. Da a que a sua populao seja camponesa dedicando-se
a maioria ao comrcio do amendoim, colheita importante de modo a
tornar-se necessrio recorrer a trabalhadores temporrios do Senegal,
Mali e Guin (pases vizinhos), que recebem terras e casas em troca
do seu trabalho. Em 1816, na embocadura do rio Gambia, na ilha Santa
Maria, os Ingleses, que h muito se enriqueciam com o trfico de
escravos, fundaram o posto de Bathurst. Entretanto, os Britnicos
desinteressaram-se dessa longa faixa territorial, a ponto de pensar
em abandon-la. Mas os objectivos dos Franceses levaram-nos a
permanecer e, em 1888, a destacar a Gambia do governo de Serra Leoa,
para a construir ao mesmo tempo uma colnia (a zona costeira) e um
protectorado (o interior). Autnoma em 1963, monarquia (1965),
Repblica independente (1970). Em 1982, passou a formar com o Senegal
o Estado Federativo de Senegambia.

REPBLICA BURKINA fASO (Alto Volta), frica Ocidental

Com cerca de 274 200 Km2e, 6 600 000 habitantes, o idioma oficial
francs; a sua capital Uagadugu, nome que significa "terra do povo
Uaga" A grande densidade da sua populao  devida  vitoriosa
resistncia tribos Mossi, frente s incurses dos fulani-caadores de
escravos. O Alto V foi ocupado no sculo XII pelos Mossis e
Gurmacheses, que a fundaram reinos guerreiros; O Volta Oriental foi
o primeiro a ser povoado. Na parte Oeste o povoamento foi mais
tardio; os Uataras, de 1715 a 1850, a levaram a cabo a nica
tentativa notvel de unificao estatal com Bobo-Diulasso como
capital. A interveno francesa preparada por diversas exploraes,
principalmente as de Inger (1886-1888) e Monteil (1890-1891), tomou
sentido o colonialismo partir de 1891, quando Monteil obteve um
tratado de protectorado de Lipt (1891). De 1897 a 1899, operaes
limitadas garantiram a instalao dos franceses em territrio Mossi,
ao passo que no Sul P. C. Caudrelier, em luta COm o sudans Samory
Tur, ocupou Bobo-Diulasso (1898). Englobado de incio no territrio
do Alto Senegal-Nger, o Alto Volta foi dele desmembrado em 1919,
desaparecendo enquanto colnia separada entre 1932 a 1947. O
movimento de independncia foi liderado por um sindicalista crisl
Maurice Yameogo, vice-presidente do Conselho local em 1957 e
primeiro-ministro em 1958. Dois anos depois Yameogo tornou-se
presidente da Repblica Independente do Alto Volta em 5 de Agosto
(1960). Reeleito em 1965, foi derrubado em 3 de Janeiro de 1966 por
um Golpe de Estado militar, que levou ao poder Sangoul Lamizana; em
1980, este foi deposto pelo Cel. Saye Zerbo, que assumiu o poder. O
pas estende-se sob um vasto planalto cristalino parcialmente coberto
de sedimentos e drenado para o Sul pelos trs rios do Volta. 
excepo do extremo Norte, onde predomina a estepe de tipo litoral
encontrada na Tunsia e Arglia o clima tropical com estaes secas
permite o crescimento de uma floresta rala em toda a extenso
nacional. Degradada pelo homem, tal floresta foi substituda em
muitos pontos pela savana. A populao  constituda principalmente
por Mossis, aos quais somam diversas outras tnias, e vive da
agricultura.  produo de (milhete, sorgo) acrescentam-se algumas
culturas comerciais (amendoim e algodo) que fornecem, com a criao
de bovinos, o essencial das exportaes. A indstria resume-se a umas
poucas fbricas de alimentos e txteis, localizadas nas duas cidades
principais, Uagadugu e Bobo-Diulasso. O pas ressente-se muito da
falta de um escoadouro martimo, e o seu comrcio exterior passa por
Abidjan, na Costa do Marfim. Diante da escassez de recursos, a
populao parece ser excessiva, e numerosos habitantes partem para a
Costa do Marfim ou Gana em busca de trabalho.

@REPBLICA DE BENIM (Daom) Estado da frica Ocidental

Com cerca de 115 800 Km e, 3 800 000 habitantes, a capital Porto Novo
era um antigo reino que prosperava vendendo escravos; nome Daom
significa "Ventre de Dan" um antigo rei antropfago. Em 1960 
Independente a 1 de Agosto. Em 1975 adoptou a denominao de
Repblica de Benim. A Frana assinou em 1883 um tratado de
protectorado com o rei de Porto Novo, cuja morte em 1908, antecipou o
regime de colonizao directa. Com o soberano de Abom, os primeiros
tratados de comrcio com a Frana datam de 1851 (feitoria de Uidah) e
de 1868 (Cotonu); uma vez afastados o rei Gl-Gl (de 1858 a 1889) e
seu filho Behanzin (de 1889 a 1894), a Frana constituiu
artificialmente o Daom, colnia da frica Ocidental Francesa, que
era administrada directamente pela metrpole a partir de 1904,
ligando-se o Sul mais evoludo econmica e culturalmente que o Norte.
Membro da unio Francesa em 1946, o Daom passou a ser dominado pelo
Partido Progressista Daomeano (P.P.D.), seco local do.Partido de
Reagrupamento africano (P.R.A.) dirigido por Suru Migan Apithy
(nascido em 1913), que em 1958, se tornou primeiro-ministro da
Repblica de Daom, esperando tornar-se presidente da Repblica (de
1964 a 1965), depois de Hubert Maga, primeiro presidente (de 1960 a
1964). A rivalidade cada vez mais acentuada entre o presidente da
Repblica e o primeiro-ministro era arbitrada pelo exrcito; da uma
instabilidade poltica crnica. Quando em 26 de Outubro de 1972 o
comandante Ahmed Kerekou (nascido em 1933) tomou o poder e se tornou
a um s tempo chefe do Estado e chefe do governo, o Daom sofria o
seu quarto golpe de Estado desde 1960. Daom-Benim antigo pas da
frica Ocidental Francesa, estende-se por trs regies naturais,
desde a Costa do Golfo da Guin, ao Sul at o Nger, ao Norte do S.
ao Norte sucedem-se a regio litoral baixa, de clima subequatorial
hmido, os planaltos cristalinos do Centro, onde o surgimento de uma
estao seca explica a extenso da savana, e o Norte do pas,
frequentemente estpico, onde reina um clima sudans. A populao,
densa, sobretudo na costa, vive principalmente da agricultura; s
culturas de produtos alimentcios acrescentam-se a cultura do algodo
no Norte e sobretudo a do dendm no Sul; elas fornecem a
quase-totalidade das exportaes, que passam pelo porto de Cotonu,
recentemente modernizado. Essa cidade a principal do pas, concentra
as raras actividades industriais: alimentao (fbricas de leo,
fbricas de cerveja) e indstrias de cimento. O comrcio exterior 
muito deficitrio. A Frana, principal parceiro, perde pouco a pouco
a sua preponderncia. Benim  um pas de recursos limitados.

@REPBLICA DA COSTA DO MARFIM Estado da frica Ocidental

Na costa do golfo da Guin com cerca de 322500Km2 e, 8610000
habitantes. Capital Abidjan cidade cosmopolita onde se encontram
muitas mulheres vietnamitas esposas de emigrados da antiga Indochina;
a cidade situada sobre uma lagoa converteu-se em um pequeno grande
porto onde se centraliza o comrcio exterior do pas e do Alto Volta.
A grande quantidade e consequentemente o comrcio de elefantes em
tempos, deram  regio o nome. Nesse pas em que actualmente 
difcil diferenciar os autctones, como os Senufos, dos invasores
Mandingas, Akans ou Bales, os Europeus no fizeram qualquer
tentativa sria de se instalar antes de 1842, quando os Franceses se
interessaram pelos stios dos canais-lacunas, de Grand-Bassam e
Assinie. A dominao francesa da Costa do Marfim foi oficialmente
criada pelo decreto de 10 de Maro de 1893; contudo o primeiro
governador, Binger, e coronel Monteil precisaram lutar alguns anos
(1893-1898) at vencerem Samory o senhor das savanas. A Costa do
Marfim foi incorporada na frica Ocidental Francesa (criada em 1895).
As ltimas resistncias foram vencidas pelo governador Angoulvant
(1908-1915), que reforou a centralizao administrativa colonial.
As ligaes ferrovirias estabelecidas a partir de 1912, em funo de
Abdijan-capital em 1934, explicam, em parte, a incorporao do Alto
Volta, Costa do Marfim de 1932 a 1947. A partir de 1944, o jovem
mdico Fli Houphouet-Boigny assumiu a liderana do sindicato
agrcola africano, primeiro movimento da Costa do Marfim, que
transbordou o mbito das resistncias tnicas. Eleito para a
assembleia nacional francesa (1945), fundou a Unio Democrtica
Africana. Quando a Costa do Marfim, a princpio Repblica autnoma
(1958) se tornou um Estado independente a 7 de Agosto (1960), foi
eleito presidente da Repblica; desde ento, tem sido reeleito
constantemente. O pas estende-se sobre um conjunto de planaltos,
que decrescem progressivamente at  costa baixa, orlada de lagoas
isoladas do mar por elevaes litorais. O clima, tropical hmido na
regio litoral, coberta por densa floresta torna-se pouco a pouco,
cada vez mais seco,  medida que se avana para Norte, enquanto a
vegetao passa a floresta rala e, em seguida, a savana. A populao
compe-se de diversas etnias, perfazendo os Europeus apenas 1 % do
total.  escassamente urbanizada e, com excepo de Abidjan, nenhuma
cidade possui mais de 100 000 habitantes. A agricultura ocupa a maior
parte da populao economicamente activa, produz importantes
exportaes de caf, bananas azeite-de-dendn etc. A explorao da
floresta  uma actividade igualmente importante (mogno). O subsolo
(que encerra apenas um pouco de minrio) pouco favoreceu o
desenvolvimento industrial. As escassas fbricas, voltadas para o
mercado urbano, concentram-se ao redor de Abidjan. No obstante a
debilidade da indstria, a Costa do Marfim desfruta de uma situao
relativamente prspera. A balana comercial tem saldo positivo (a
Frana vem perdendo, progressivamente, a sua posio principal de
parceira comercial). O crescimento recente da economia foi
espectacular. e o nvel mdio de vida  um dos mais elevados da
frica Tropical; subsistem, entretanto, acentuadas desigualdades
sociais e espaciais.

@REPBLICA DA SERRA LEOA Estado da frica Ocidental

Membro da Commonwealth, com cerca de 72320 Km2 e, 3700000 habitantes.
A Serra Leoa j foi chamada a "tumba do homem branco" pelas febres de
1814 e 1885 que mataram 12 dos seus governadores. Freetown  a sua
capital com excelente porto natural. Por volta de 1460, o portugus
Pedro de Sintra deu o nome de Serra Leoa  pennsula montanhosa que
obstrui o esturio dos rios Mitomobo e Maipula; os Portugueses
instalaram a entrepostos e fortes. Mas, durante o sculo XVII os
Ingleses expulsaram-nos em proveito prprio; no sculo XVIII, o
principal recurso foi o trfico de Negros. Contudo em 1786, criou-se
a cidade de Freetown para receber ex-escravos. Em 1787 a Inglaterra
desembarcou em Freetown quatrocentos africanos libertos--antigos
soldados na luta contra os nascentes Estados Unidos-juntamente com
trinta mulheres brancas e desse ncleo deriva a alta sociedade
chamada "crioula", que tinha acesso  Educao Superior, enquanto o
resto do territrio era um protectorado desamparado. Quando o trfico
negreiro foi abolido pelo parlamento britnico em (1807), a Serra
Leoa possesso de uma companhia privilegiada, tornou-se colnia da
coroa; Freetown passou a atrair os escravos libertos de toda a
frica. No sculo XIX, a Inglaterra instalou o seu protectorado
sobre uma zona de influncia prxima das fronteiras com a Libria e a
Guin Francesa. Estabeleceu-se uma coexistncia entre o protectorado
e a colnia, que receberam uma Constituio em 1924. Depois, a aco
do Sierra Leone People's Party (SLPP) culminou na independncia a 27
de Abril de 1961. Aos poucos instalou-se um regime presidencial com
Siaka Stevens, que em 1971, proclamou a Repblica. O pas estende-se
sobre uma poro de savana arborizada e nivelada, parcialmente
recoberta de sedimentos gredosos. Os altos planaltos do Leste
revelados por relevos residuais (1948m), ligam-se  "dorsal
guineense". Dominam uma vasta plancie, parcialmente inundvel,
aberta sobre o Atlntico numa costa entalhada por largos esturios.
O clima subequatorial, muito hmido (mais de 3000 mm de chuvas por
ano no litoral), permite o crescimento da floresta densa (amplamente
desmatada pelo homem) e de mangue, na costa. A populao, composta
principalmente de Mendes e Timnes,  em grande maioria rural.
Concentra-se na zona litoral, cultiva o arroz, mandioca e milho para
sua alimentao. As culturas comerciais, pouco desenvolvidas,
fornecem azeite-de-dendn caf e cacau. Mas o pas extrai grande
parte dos seus recursos do subsolo. As minas de ferro, bauxita e,
sobretudo, diamantes asseguram em valor mais de 2/3 das exportaes.
As trocas quase equilibradas, passam pelo porto de Freetown,
principal cidade do pas. A Gr-Bretanha continua sendo o principal
parceiro comercial.

@REPBLICA DO GANA (Costa do Ouro) Estado da frica Ocidental

Membro da Commonwealth, com cerca de 240 000 Km2 e 14 000 000
habitantes sendo a densidade maior a Sul onde o cacau absorve a
quinta parte dos agricultores. A capital--Accra. Gana foi o primeiro
Estado africano a tornar-se independente depois da Segunda Guerra
Mundial. O sistema educacional  dos mais desenvolvidos da frica
Ocidental; Costa do Ouro foi o seu nome originrio de um rico Imprio
Negro, que caiu gradualmente sob ataques muulmanos. Gana  o mais
antigo dos grandes Imprios que se sucederam no Sudo Ocidental. No
sculo XI era o "pas de ouro" atingindo o seu apogeu; foi destrudo
pelos Almorvidas por volta de 1076 e de 1240, pelo Mandingo Sundita.
Independente a 6 de Maro de 1957, aps dois sculos de competio
entre as grandes potncias coloniais, que se aproveitaram, na Costa
do Ouro, de um activo comrcio de escravos, os britnicos tornaram-se
os nicos senhores do pas no incio do sculo XIX. A abolio do
trfico em 1807 provocou queda econmica, mas a aco eficaz do
governador George Maclean (de 1830 a 1843) e depois do British
Colonial Office fortaleceram a presena britnica multiplicando com
os dirigentes locais, tratados de protectorado (1). Em 1874, a Costa
do Ouro destacou-se da Serra Leoa. A partir de 1901, compuseram-na
trs elementos: a "colnia", o Achanti e os territrios do Norte,
onde as autoridades tradicionais foram conservadas.

O desenvolvimento econmico (mangans, ouro, diamante, bauxita,
cacau) foi rpido; explica, alis, a precocidade do movimento
nacionalista, que obrigou os britnicos a outorgarem desde 1925 uma
constituio, que se ampliou em 1946. Mas o programa de autonomia
imediata e de "aco positiva" preconizado pelo partido de Kwame
Nkrumah, o Partido da Conveno do Povo" precipitou os
acontecimentos. Em 1951, uma nova constituio criou um governo
semi-responsvel: Nkrumah, como primeiro-ministro (1952), obteve a
responsabilidade integral do governo (1954), e depois a independncia
do seu pas no quadro do Commonwealth (1957). Mas a sua vontade de
modernizar rapidamente o pas e, ao mesmo tempo, unificar a frica,
levou-o a exercer uma ditadura pessoal, que foi derrubada por um
golpe militar em 1966. Proclamada a II Repblica (1969), o poder
retornou aos civis, mas um novo golpe militar (1972) reinstaurou um
novo regime. Em Setembro de 1979, os militares entregaram o poder a
um governo civil dirigido por Hilla Liman, eleito presidente da
Repblica em Julho. Em 31 de Dezembro de 1981, Liman foi afastado
por outro golpe militar. O pas estende-se sobre um conjunto de
planaltos, sobre uma cobertura sedimentar primria, nos quais se
encaixam o Volta e seus afluentes.  limitado ao Sul pela plancie
costeira do golfo da Guin. O clima tropical hmido da costa,
torna-se seco progressivamente em direco ao Norte e a vegetao
transforma-se paralelamente da floresta densa para floresta esparsa,
e depois volta a savana arborizada. A populao que aumenta a um
ritmo muito rpido, concentra-se na parte Sul do pas, onde se
localizam as principais cidades: Sekondi-Takoradi, Kumassi e
sobretudo Acra. A agricultura  ainda o sector essencial da economia.
Ao lado das culturas alimentares (milho, milhete), que so
insuficientes para alimentar a populao, dominam as plantaes de
cacau (cerca de 400 000 t. primeiro lugar na produo mundial),
principal produto de exportao. O subsolo contm importantes jazidas
de bauxita, mangans, ouro e diamantes, mas a sua explorao quase
no tem progredido. A construo da Barragem do Volta e a da Central
Hidroelctrica de Akosembo permitiram aumentar a produo de energia.
A electricidade alimenta fundies de alumnio, que se somam s
diversas fbricas alimentares, txteis e mecnicas.

 Recordemos que foi no Gana (Costa da Mina), descoberto em 1471, que
se situou o famoso forte e feitoria de S. Jorge da Mina, iniciado em
1481 por Diogo de Azambuja em nome do rei de Portugal, D. Joo II
com vista  recolha de escravos e de ouro--da o nome de Costa do
Ouro-que aflua tambm de Tombuctu, via Gao. A fortaleza  construda
em pouco mais de 2 meses e pedras j trabalhadas foram enviadas de
Portugal para esse efeito. Em 1596, h um ataque holands  Mina e e
sob o domnio Filipino que os portugueses a perdem. Em 1872 os
holandeses vendem a Mina aos ingleses.

@REPBLICA DO TOGO Estado da frica Ocidental

Com cerca de 56 000 Km2 e, 2 937 000 hab. Capital--Lom, idioma
oficial --francs embora falem o Owe e o ingls como no Gana com o
qual subsistem laos estreitos. Uma grande parte da populao l e
escreve a lngua nativa, isto porque quando colnia alem, os Alemes
criaram e ensinaram uma gramtica local. No fim do sculo XV
instalaram-se na costa do Golfo da Guin, os Portugueses. No sculo
XIX Franceses, Ingleses e Alemes estabeleceram os seus respectivos
postos, graas a Gustav Nachtigal e  eloquncia da conferncia de
Berlim, a Alemanha pode impr o seu protectorado ao pas em 1885,
sendo as fronteiras com o Daom fixadas em 1897 sob a influncia da
Frana. Ocupado pelos aliados de 1914 a 1919, o Togo caiu em parte
sob o domnio britnico e em parte sob o domnio francs. A tutela
das Naes Unidas foi posta em prtica em 1946; os habitantes do
Norte do Togo britnico votaram em massa pela sua incorporao 
Costa do Ouro--Gana, ao contrrio dos Ewes do Sul que repeliram essa
soluo. A Repblica autnoma do Togo foi proclamada em 30 de Agosto
de 1956. Nicolas Grunitzky (1913-1969) tornou-se primeiro-ministro
antes de ser substitudo por Sylvanus Olympio (1902-1963), primeiro
presidente da Repblica independente do Togo em 27 de Abril de 1960.
Olympio instaurou ento um regime presidencialista que beneficiou o
Sul mas foi assassinado em 1963 e substitudo por N. Grunitzky. Este
foi por sua vez derrubado em 1967 por um nortista, o general tienne
Eyadema (nascido em 1935). Togo, um planalto cristalino que se
  alteia a ocidente nos montes do Togo, cobre a maior parte do
pequeno pas. Ao Sul orla-o uma plancie costeira arenosa. O clima
tropical com uma estao seca explica a grande extenso da savana. A
populao  composta por diversos grupos tnicos, entre os quais os
do Ewes, que  basicamente rural. Vive da plantao do dendn, milho,
milhete e mandioca. O caf, o cacau e o algodo destinam-se 
exportao. Em Lom agrupam-se as actividades industriais, que esto
limitadas  transformao dos produtos agrcolas. A exportao dos
fosfatos da jazida do lago Togo facilitou o equilbrio da balana
comercial.

@REPBLICA DEMOCRTICA DE S. TOM E PRNCIPE Estado insular no Oceano
Atlntico

No golfo da Guin, perto do equador;--com cerca de 946 Km2 e, 87 000
habitantes. Capital S. Tom com excelente porto de mar onde fazem a
exportao dos numerosos vegetais da ilha. Este arquiplago 
constitudo por duas ilhas a de S. Tom e a do Prncipe, o idioma
oficial--portugus, embora falem o dialecto banto. Em 13 de Julho de
1975 deu-se a Independncia. Ligado  Histria de S. Tom e Prncipe:
arquiplago de So Tom composto da ilha do mesmo nome e da ilha do
Prncipe situa-se no golfo da Guin onde tambm se encontram as ilhas
de Ano Bom e Fernando P, que com aquelas constituem o chamado
arquiplago da Guin. Esta designao ainda era corrente no sculo
XIX mesmo depois de Ano Bom e Fernando P terem sido cedidas 
Espanha, pelo tratado de 11 de Maro de 1 778. Uma tradio no
documentada data dos anos de 1470 e 1471 o descobrimento de So Tom,
de Santo Antnio (nome primitivo da ilha do Prncipe) e de Ano Bom.
Os nomes que os navegadores lhes deram indicariam os dias em que as
avistaram: os descobridores teriam sido Pedro Escobar e Joo
Santarm, ao servio de Ferno Gomes arrendatrio do comrcio da
Guin. A ilha Formosa (primeira designao de Fernando P) teria
sido descoberta algum tempo depois pelo navegador de quem depois
tomou nome. A primeira tentativa de povoamento de So Tom data de
1486 e o primeiro foral de 1485. Aps o segundo foral em 1496 lvaro
Caminha pode iniciar o seu povoamento efectivo com descendentes de
Judeus e degredados a quem deu escravas trazidas da costa fronteira.
Caminha morreu na ilha em 1499, mas a comunidade a criada j
progredia e, alguns anos depois justificou a criao de um bispado em
1534. A ilha do Prncipe, s teve foral em 1500 iniciando-se ento o
povoamento por Antnio Carneiro. Jorge de Melo obteve a donataria de
Ano Bom em 1503, mas a ilha continuou deserta por alguns anos. A
instalao dos Portugueses em Fernando P, nica das ilhas do
arquiplago da Guin que estava habitada  data do descobrimento, foi
extremamente difcil, a populao autctone resistiu dezenas de anos
 penetrao. A ilha do Prncipe s comeou a ser povoada
principalmente com Negros transportados da Costa Africana, nos
primeiros anos do sculo XVI, quando D. Manuel a doou a Antnio
Carneiro. Em 1534 uma constituio do Papa Paulo III reuniu a ilha do
Prncipe com a de S. Tom e outros territrios numa diocese.

@REPBLICA DE CABO VERDE Estado insular no Oceano Atlntico

Ao largo da Senegambia, com cerca de 4033 Km2 e, 284 000 habitantes.
Capital--Praia na ilha de Santiago com excelente porto de Mar.
Compe-se de dois grupos de ilhas. O de Barlavento ao Norte e
Sotavento ao Sul, que tm enorme importncia para a navegao
martima e area. Este arquiplago  de origem vulcnica. O
cabo-verdiano canta "mornas" com profunda exPresso que revela bem o
carcter pacfico e a brandura dos seus costumes. O idioma oficial 
o portugus embora falem entre os dialectos bantos o crioulo (1 ) O
principal cultivo  do milho, caf, batata doce, feijo e farinha de
mandioca; o arquiplago tornou-se importante base de comrcio. Em
1975 a 5 de Julho deu-se a Independncia, o seu presidente Aristides
Pereira e o primeiro ministro Pedro Pires. Cabo Verde est para alm
de outros ligado  Histria do veneziano Alvise de CadaMosto, em que
no decurso da segunda viagem ao longo da costa Ocidental Africana, ao
servio de Portugal, descobriu quatro ilhas: Santiago, Maio, Boa
Vista e Sal, que so as mais prximas do Continente e esto dispostas
pela ordem referida do Sul para Norte. O veneziano notou
correctamente que Santiago  a ilha maior, ao seguir de Boa Vista
para Santiago encontra outra ilha, que  de certeza Maio. De Boa
Vista v, escreve ele, uma ilha ao Norte contra o vento o que 
correcto; s pode ser a ilha do Sal. Para Sudoeste havia duas outras
ilhas: Maio e Santiago, no obstante limitou-se a visit-las conforme
seu relato. O genovs Antnio da Noli  que recebeu o encargo de
levar a efeito a ocupao, embora no tivesse sido o primeiro a
descobrir as ilhas de Cabo Verde, o seu nome esteve ligado a elas
durante algumas dcadas, porque exerceu as funes de capito durante
trinta anos. Um diploma real de 19 de Setembro de 1462 afirma que
sete ilhas foram encontradas pelo infante D. Fernando e, ainda a
outro diploma a 28 de Outubro do mesmo ano, esclarece que o
descobrimento de tais ilhas foi levado a cabo pelo seu escudeiro
Diogo Afonso. Assim, em 1468 aparecem nos mapas as ilhas Boavista,
Santiago, So Filipe, (Fogo) Maio, Sal, So Vicente, So Nicolau e
Brava e o nome de Antnio da Noli aparece num mapa de 1488-93
atribuido outrora a inspirao de Cristvo Colombo. No mapa
espanhol de Juan de la Cosa de 1500 o arquiplago  denominado:
"Yslas de Antnio del Cavo Verde", no entanto, o Portugus que
descobriu a maior parte do arquiplago foi Diogo Afonso. As ilhas de
Cabo Verde foram dadas em donataria  volta de 1460 a Antnio da Noli
e Diogo Afonso. Os povoadores destas ilhas usufruiram de direitos de
comrcio (do Senegal  Serra Leoa, de Cabo Verde, Benim ao Congo e S.
Tom). Procurando quebrar o monoplio Portugus, h uma forte aco
de traficantes Franceses bem como de Ingleses e mais tarde de
Holandeses. As ilhas de Cabo Verde de caractersticas macias, e de
simplicidade da costa Atlntica de frica so definidas pela escassez
de ilhas associadas ao Continente. As ilhas do Atlntico que ficam
prximas da costa Africana, como as Canrias, Aores (onde um vulco
submarino formou a ilha Nova, em 1957), Cabo Verde, Ascenso, Santa
Helena e Gough so estruturas ocenicas e no africanas . As costas
da frica e da Amrica so quase paralelas, entre elas, e
equidistante, corre uma verdadeira cordilheira submarina-- chamada a
Dorsal Atlntica, nasce em profundidades muito superiores aos 2000
metros e vai da Islndia at  ilha de So Paulo no Equador, ali
interrompida por uma gigantesca fractura (marcada pela profunda fenda
de Romanche, de 7370 m) que se estende do Amazonas ao Golfo da Guin
e corta o Atlntico em duas metades. A Dorsal Atlntica reaparece no
hemisfrio meridional, onde os seus picos so as ilhas de Ascenso,
Tristo da Cunha, Santa Helena, Gough e Bouvet. Do lado Este da
Dorsal erguem-se as ilhas vulcnicas de Cabo verde, Canrias e
Aores. As actividades vulcnicas so relativamente frequentes em
Cabo Verde pois desde 1564 j foram registadas cerca de quinze no
Pico do Fogo (2830 m) sendo as ltimas em 1951 e 1995. O arquiplago
de Cabo Verde (ex-provncia ultramarina portuguesa) est a 450 Km da
frica, em frente de Dakar.  formado por picos vulcnicos, divididos
nas ILHAS DE BARLAVENTO, que recebem o vento oeste do Atlntico
(Santo Anto, So Vicente, Santa Luzia, So Nicolau e os ilhotes
Branco e Raso) e as ILHAS DE SOTA-VENTO (Sal, Boa Vista. So Tiago,
Fogo, Maio, Brava e ilhas Secas). Estas ilhas tm como
capital--Praia, na ilha de So Tiago. O clima  muito seco devido aos
ventos clidos do Saara, durante o vero,(Maio a Agosto) h uma
pequena estao chuvosa. A ilha de So Vicente no recebe chuvas por
estar a sota-vento de Santo Anto, que  maior e mais alta e forma
como que uma espcie de barreira. So Vicente, rida mas preferida
pela administrao por estar livre das tempestades, precisa de
importar no s a alimentao como tambm a gua potvel. A nica
razo para justificar que a ilha esteja habitada  o seu excelente
porto natural, onde deixando-se levar pelas correntes marinhas e
pelos ventos alsios, que as arrastavam para o Sul, os Portugueses, a
partir do sculo XV, partiram para as grandes aventuras martimas. A
srie de novas terras conquistadas comeou com um grupo de ilhas
Desertas: Aores, Madeira e Cabo Verde. O Arquiplago de Cabo Verde,
transformou-se em base vital para o comrcio portugus. Os dialectos
do Sudo ainda so falados em Cabo Verde, juntamente com o portugus.
Essas ilhas foram povoadas por camponeses portugueses, que associaram
os seus costumes e as suas tcnicas rurais aos cultivos tropicais.
As ilhas desempenharam um papel importante nas rotas martimas do
Atlntico e para a propagao na Amrica de mtodos de cultivo; estas
ilhas so muito visitadas por barcos de carga, no seu porto de
Mindelo na ilha de So Vicente. H uma base area na ilha do Sal.
No h outras actividades alm da agricultura, que j por si est
restrita a um terreno pouco propcio e escarpado. Os cultivos so de
caf, acar, fumo (1) e bananas. O milho, cultivo bsico, 
prejudicado pela falta de gua e pelos mtodos de lavoura que so
muito primitivos. As principais exportaes so o caf e as conservas
de peixe. Grande parte de sua populao procura emigrar.

HISTRIA DO GOLFO DA GUIN

Durante a Idade Mdia os rabes controlavam todo o transporte de
especiarias vindas do ndico. Veneza teve o direito de compr-las com
exclusividade em Alexandria e conseguiu assim o monoplio da sua
distribuio pela Europa. Os Portugueses pretendiam acabar com a
navegao comercial rabe, deciso que tambm acabaria com a
hegemonia veneziana. Os Espanhis j tinham as Canrias e chegado ao
Cabo Bojador quando os Portugueses chegaram  Madeira (Joo Gonalves
Zarco, 1419), descobriram oficialmente os Aores (Diogo de Sevilha,
1427-31), chegaram  desembocadura do Senegal depois de passar o Cabo
Branco (Nuno Tristo, 1441-46), dobraram o Cabo Verde, a extremidade
mais Ocidental da frica (Dinis Dias, 1445) e descobriram as ilhas do
Cabo Verde (Lus de Cadamosto, 1456) ultrapassando o Gambia em 1460,
exactamente o ano da morte de Dom Henrique o Navegador. Depois de um
breve intervalo, foi iniciada a terceira tentativa; os navegantes
portugueses arribaram  Costa do Ouro (actual Gana) j em pleno Golfo
da Guin (Santarm e Escobar, 1471) e, nesse mesmo ano atravessaram o
Equador. Fernando P descobriu a ilha que recebeu o seu nome, em
1472, e dez anos depois Diogo Co penetrou na desembocadura do Rio
Congo, muito mais ao Sul, e passou o paralelo 22, alm de Angola.
Bartolomeu Dias, dobrou o Cabo das Tormentas (hoje, Cabo da Boa
Esperana)--Vasco da Gama atingiu a sonhada meta: Calicute, hoje
Kozhicoda, na India. Imediatamente as esquadras portuguesas atacaram
e destruram todos os navios rabes, de modo que em 1504 os barcos
venezianos regressavam vazios de Alexandria e Lisboa estava
abarrotada de especiarias. Enquanto isso, alguns navegadores
foram-se detendo para melhor examinar a Costa Africana. Faziam escala
no golfo de Benim, na parte mais profunda do Golfo da Guin, e vinte
anos antes da viagem de Colombo j exportavam escravos por via
martima. Compreenderam que seria muito caro e desnecessrio penetrar
no Continente para aambarcar riquezas e, usaram os nativos como
intermedirios. Obtinham por esse meio, pimenta da Costa dos Gros
(Libria), marfim na costa do pas que ainda se chama Costa do
Marfim, ouro da Costa do Ouro (hoje Gana) e, cativos negros da Costa
dos Escravos (Togo, Benim, Nigria) . As outras potncias navais
europeias rivalizavam em actividades com os Portugueses, mas tambm
no passavam da costa, pois os rios no eram navegveis, o Continente
inacessvel no convidava  colonizao e a selva era mais perigosa.
A frica continuava sendo o Continente Misterioso; somente depois de
Mungo Park, finais do sculo XVIII, que explorou o Nger (vestido
com batina azul e chapu alto), se verificou que os rios Senegal e
Gambia no eram a desembocadura do grande rio; esta s foi descoberta
em 1830, podendo ento ser separada do esturio do Congo. A
descoberta da Amrica transformou e aumentou o comrcio negreiro
durante o domnio do Islo. Os negreiros inundaram de lcool barato,
a frica Ocidental, a aguardente tornou-se uma espcie de moeda e
alguns sobas chegaram a entesourar cerca de dez mil caixas. Por outro
lado, cerca de cinquenta milhes de habitantes do Continente
Americano possuem antepassados da regio do Golfo. Os negreiros do
Atlntico levaram para a Amrica cerca de doze milhes de escravos,
exceptuando o importante trfico rabe pelo ndico e pelo Saara. A
escravatura tirou de frica os seus filhos e, desencadeou no
Continente uma interminvel guerra entre tribos, cujo lema era
capturar ou ser capturado e, facilitou s tribos mais brutais
subjugar as mais civilizadas, despovoando reas e destruindo, com os
seus interminveis saques, importantes regies culturais. Professores
ou missionrios, como Livingstone, perceberam perfeitamente o
interesse dos esclavagistas em propagar a lenda do "Continente
Misterioso".

@REPBLICA DA GUIN-BISSAU Estado da frica Ocidental

Ao Sul do Senegal, com cerca de 36 120 Km2 e, 835000 hab. Capital
Bissau, que possui excelente porto de Mar. Este pas  banhado a
Oeste pelo Oceano Atlntico, a Norte e a Este tem fronteiras com a
Rep. do Senegal, a Sul com a Rep. da Guin-Conacri; junto da costa
ficam as ilhas de Bolama e Bissau e o arquiplago dos Bijags. O
idioma oficial  o portugus, embora falem dialectos bantos. As
tribos mais importantes so a dos agricultores e a dos pastores. Esta
parte da Costa da Guin s foi verdadeiramente colonizada pelos
Portugueses depois de 1580. Em 1879 a Guin foi separada
administrativamente das ilhas de Cabo Verde com Bolama (Bissau) como
capital. As fronteiras da Guin Portuguesa tinham sido fixadas em
1886. As revoltas das diferentes etnias retardaram certa valorizao
 aco combativa durante muito tempo e portanto clandestina do
Partido Africano da Independncia da Guin e do Cabo Verde
(P.A.I.G.C.) fundado em 1956 e liderado por Amilcar Cabral, que
assumiu a forma de luta armada contra os Portugueses a partir de
1963. Em 1973 no dia seguinte ao assassnio de Amilcar Cabral, o
movimento de Libertao liderado por Lus Cabral meio-irmo do lder
do P.A.I.G.C., proclamou nos territrios sob seu controle a Repblica
da Guin-Bissau, que foi reconhecida pela maioria dos pases
africanos e, por Portugal em Agosto de 1974. Em 1980 aps um golpe de
Estado Lus Cabral foi substitudo na chefia dos Estados pelo
comandante J.B. Vieira. Os rios Cacheu e Geba so os mais utilizados
como vias de comunicao. Os crocodilos enormes e os hipptamos bem
como a vegetao nas margens constituem o panorama das viagens dos
rios e canais cor de lama. Ligado  histria da Guin: A guin do
sculo XV abrangia grande parte da frica Ocidental estendendo-se
para Sul do Cabo Bojador dobrado por Gil Eanes em 1434. As
designaes do golfo da Guin continuam em vigor: Rep. da
Guin-Bissau--Guin ex-Portuguesa, Rep. da Guin--Guin ex-Francesa
e, Guin--ex-Espanhola-Conacri. A primeira povoao portuguesa foi
Cacheu construda em 1588 por iniciativa do Cabo-Verdiano Manuel
Lopes Cardoso e, embora sujeita  jurisdio do Arquiplago de Cabo
Verde veio a tornar-se a sede das primeiras autoridades de nomeao
rgia, os capites mores. Em 1642 Gonalo Ganhoa Aiala fundou as
povoaes de Farim e Zuguinchor, utilizando habitantes de Geba um dos
primitivos ncleos de fixao portuguesa. Assim, a ocupao Lusitana
comeava a constituir-se nos rios Casamansa, Cacheu, Geba e Buba,
ncleo da futura provncia da Guin Portuguesa.. Em 1687 iniciou-se
a construo de uma fortaleza em Bissau, mandada demolir em 1707
pelos Portugueses. De novo  construda de 1753 a 1775

a nova fortaleza de Bissau que liga os novos destinos da Guin aos
interesses do Gro-Par e Maranho. Pela conveno de 1886 Portugal
acabou por abandonar  Frana a praa de Zinguinchor, enquanto esse
pas desistia das suas pretenses na rea do rio Cacine; esta
conveno estabeleceu as fronteiras entre a Guin Portuguesa e a
frica Ocidental Francesa. Em meados do sculo XIX a Guin consegue
sobreviver em grande parte merc dos esforos de Honrio Pereira
Barreto, guineense que governou vrias vezes a Provncia entre 1837 e
1858. A Guin est bastante recortada pelos esturios de numerosos
rios que facilitam as comunicaes com o interior. A selva tropical
acompanha os rios e a savana o interior, da mesma forma que na Serra
Leoa, no litoral drenam-se os pntanos para o aumento do cultivo do
arroz. O pas estende-se sobre um conjunto de plancies costeiras
pantanosas e baixos planaltos, que se elevam em direco a Sueste
sobre os contrafortes de Futa-Djalon. O clima tropical hmido da
costa onde cresceu a planta herbcea e a floresta densa, torna-se
seco em direco ao interior onde a vegetao se modifica em
Savana--plancies de florestas. A populao concentra-se nas
proximidades do litoral e pratica a cultura do arroz e a criao de
bovinos. Plantaes de amendoim e palmeiras oleoginosas fornecem as
exportaes de um pas onde no existe indstria. As trocas
efectuam-se no porto de Bissau, principal cidade.

@REPBLICA DA GUIN Estado da frica Ocidental

Com cerca de 250 000 Km2 e, 5 600 000 hab. cujo idioma oficial  o
francs; e capital Conakri--com um porto importante. A partir do
sculo XIII, a alta Guin fez parte do imprio Mali, cuja capital
Niani. se localizava no seu territrio. Duas grandes etnias--os
Malinques e os Peles--dominaram a Histria da Guin. O comrcio a
longa distncia foi monoplio dos Mascates Muulmanos. os Diulas, que
praticavam o trfico dos Negros. Aps o aniquilamento do Imprio
Mali, no sculo XVI o pas perdeu a unidade poltica, enquanto se
desenvolvia o comrcio Europeu em particular os Portugueses--trfico
de escravos. No sculo XVIII, o Imprio Mandinga dos Bambaras de
Segu que estendeu a autoridade at Curussa, foi substitudo, no
incio do sculo XIX pelo reino dialonque de Tamba. Ocorreu ento o
apogeu do trfico de negros para a Amrica. Em 1850, El-Hadj Omar,
destruiu Tamba e comeou a sua carreira de conquistador. A partir de
1870, Samory Tur criou um vasto imprio, destrudo em 1891 e 1898
pelos franceses. A alta Guin de incio ligada ao Sudo Francs foi
transferida para a Guin em 1900. Por sua vez os Peles a Oeste no
Futa-Djalon, criaram um imprio no sculo XVI, influenciados pelos
Islame (Islo) organizaram no sculo XVII uma dura sociedade
pseudo-feudal que trouxe grande progresso no plano cultural. Mas
tiveram de inclinar-se diante do avano francs em 1896. Em 1893, foi
constituda a colnia da Guin Francesa capital Conacri, que
englobada na frica Ocidental Francesa em 1895, encontrou a sua
disposio definitiva pela anexao do alto Nger (1900) e cesso do
arquiplago de Los pelos britnicos (1904). Entretanto o seu
desenvolvimento foi muito lento; a economia s se transformou
verdadeiramente depois de 1945, pela valorizao de suas grandes
riquezas minerais. A luta pela descolonizao s tomou forma com seu
chefe carismtico, o sindicalista malinque Sekou Tour (nascido em
1922), que prefeito de Conacri (1955) e depois vice-presidente do
Conselho de governo (1957), levou o seu pas em 2 de Outubro de 1958,
 Independncia total e imediata. Desde ento a Histria da Guin
confundiu-se com a vida de Sekou Tour, chefe absoluto da Repblica
da Guin e ao mesmo tempo lder de um partido nico, que no admite
rivalidade nem oposio. Os Altos Planaltos de Futa-Djalon separam a
plancie costeira do Atlntico, de clima tropical hmido, do planalto
mandinga drenado pelo alto Nger onde o clima  muito mais seco. Ao
Sul, o Planalto ergue-se na Dorsal guineense (1752 m), onde o clima
sub-equatorial explica a extenso da floresta densa. O restante do
pas  coberto pela floresta clara, que passa  savana quando o clima
se torna muito seco ou em consequncia da devastao devida  aco
do homem (arroteamento muito frequente. superpastagem). A populao
composta de diversas etnias, principalmente de Peles, concentra-se
na plancie costeira e sobretudo no Futa-Djalon; insuficientemente
urbanizada, vive principalmente da agricultura. As produes variam
de acordo com as regies: arroz, banana e leo de palmeira dominam na
costa atlntica; criao bovina extensiva no Futa-Djalon; mandioca,
milho e arroz no planalto mandiga; caf e palmeira oleoginosa no Sul.
O subsolo contm ricas jazidas minerais: diamantes, ferro e
sobretudo bauxita. Apesar da ajuda estrangeira (E U.A, China
Popular), responsvel pelo desenvolvimento hidroelctrico, a
industrializao  insuficiente. O pas exporta matrias-primas e
importa produtos manufacturados, sobretudo pelo porto de Conacri.

FRICA EQUATORIAL

Situada entre os trpicos e a Oeste do planalto Oriental africano,
estende-se at ao litoral Atlntico e  difcil de ser definida com
preciso.  uma regio de grandes chuvas e, cursos de gua que
correm duma pequena elevao so: Logone e o Chari circundados por
uma camada achatada de aluvio. Assim, entre os rios h uma vasta
depresso que se inunda com as chuvas. Existem duas etnias uma
pacfica e a outra combativa que repele aquela para a Costa
Ocidental. A frica Equatorial a partir de 1910 integrava os pases
que faziam parte das possesses francesas, agrupados em federao de
1910 a 1958: Gabo, Mdio Congo, (Ubangui-Chari) Repblica Centro
Africana e o Chade, com capital em Brazzaville. Depois foram-se
transformando em Repblicas. Esta parte do Continente com floresta e
clima difcil contm uma grande populao espalhada pelos
(ex-Lopoldville). A populao vive da caa, colheita e da
 agricultura. As riquezas: florestas (no Koum do Gabo); grande
potencial hidro-elctrico; jazidas de Katanga (cobre, cobalto, zinco,
urnio) e do Gabo (ferro, magansio, urnio); Para alm das regies
industriais em redor do Porto Gentil . Os pases situados na frica
Equatorial: Guin Equatorial, Gabo, Repblica Centro Africana
(Ubangui-Chari), Zaire (Congo Kins), Congo (Braz), Ruanda e Uaganda.

@REPBLICA DA GUIN EQUATORIAL Estado da frica Equatorial

No Golfo da Guin, com cerca de 28 110 Km2 e, 310 000 habitantes,
Capital Malabo. Idioma oficial--espanhol. Os pntanos e as lagoas
tornam o litoral insalubre. Antiga Guin Espanhola. porque a Espanha
apossou-se do pas quando Portugal lhe cedeu em 1777 (tratado de San
Idelfonso), a ilha de Annobon--descoberta em 1471 e, a ilha de
Fernando P (hoje Biyogo) descoberta em 1472. Ponto importante no
trfico dos negros, a regio s se assumiu verdadeiramente como
colnia em 1858, e a sua valorizao foi ainda mais lenta (1898);
alis as fronteiras da Guin Espanhola s foram fixadas em 1900. Rio
Muni e Fernando P, reunidos em provncia espanhola em 1959, chegaram
 autonomia em 1964 e  independncia em 1968. Francisco Macias
Niguema tornou-se presidente da Repblica da Guin Equatorial e
estabeleceu sangrenta ditadura. Em 1979 foi deposto por um Golpe de
Estado militar e executado. O pas estende-se pelo territrio
continental do Mbni (ant. Rio Muni), recoberto pela floresta densa, e
por diversas ilhas como Corisco Elobey, Chico e, sobretudo Biyogo,
que  de origem vulcnica. Em Mbni parte da populao pratica
agricultura de subsistncia (mandioca). Raras plantaes fornecem
caf, cacau, banana e amendoim. Em Macias Niguema, regio da capital,
a populao  mais densa e as culturas comerciais so mais
desenvolvidas.

@REPBLICA DO GABO Estado da frica Equatorial

 limitado a Oeste pelo Oceano Atlntico e fronteira Oriental da
Guin Equatorial; ao Norte por este pas e pelos Camares; a Este e a
Sul, pelo Congo-Brazzaville. A sua superfcie, cerca de 267 000 Km2
com cerca de 1 200 000 habitantes, muitos dos quais habitam a
capital, Libreville. O territrio, que depois seria a Repblica do
Gabo foi at ao sculo XIX constitudo por um mosaico tnico
(Mpangwes, Orungus, Nkomis, Lumbus, Galoas, Fangos, Okandas, Mbambas,
Punus... ), e s surgiu com a anulao do trfico de escravos em
1839, o que sucedeu aps o estabelecimento de um acordo entre um
chefe da enseada do Gabo e um oficial da marinha francesa.  em
1849 que surge Libreville! logo povoada por escravos libertos. Em
1886 constitui-se em colnia francesa, juntamente com o Congo
fundindo-se os dois entre 1888 e 1904. Aquando da sua integrao na
frica Equatorial francesa, possui identidade administrativa, mas a
sua autonomia s surge a 23 de Junho de 1956, sendo proclamada a
independncia a 17 de Agosto de 1960. Lon M'Ba dirige o pas de 1961
a 1967 e Albert Bongo em seguida. O seu regime poltico 
presidencialista e uma Assembleia nica participa no governo. A
Repblica do Gabo  o pas de toda a frica mais escasso em
populao, donde se verifique um grande incentivo  natalidade por
parte do governo e uma grande proteco  maternidade. As densidades
demogrficas regionais so fracas e h uma desigual repartio da
populao pelas regies. Geograficamente, h a assinalar que a parte
Oriental do pas se dispe em planaltos, que se erguem em macios na
direco Oeste (so os montes de Cristal e de Du Chaillu), ao mesmo
tempo que dominam a costa Atlntica que por sua vez  uma regio de
colinas e plancies pantanosas. Tambm uma densa floresta, "orgia da
vida", como algum a descrevia, cobre grande parte do pas. O rio
Ogou e afluentes banham a Repblica do Gabo. A populao por seu
lado, concentra-se sobretudo na regio costeira (Libreville e
Port-Gentil) e constitui-se de Bantos, Pigmeus, Negritos, Paunos e
Bacotas. A sua economia  sobretudo de exportao e baseia-se em
grande parte na explorao de madeira (ocum), e na extraco de
minerais (ferro, urnio, mangans, petrleo), o que permite o
desenvolvimento industrial que contudo no ir impedir a necessidade
de importao de bens de consumo, alguns dos quais provenientes dos
pases do Mercado Comum Europeu (C.E.E.). Foi no Gabo que um
alsaciano, o Dr. Albert Schweitzer (1875-1965), se distinguiu,
fundando um hospital junto do rio Oguo, e desenvolvendo intensa
actividade humanitria. Schweitzer, foi alis uma personalidade
fascinante: doutorado em medicina, filosofia, teologia e msica,
poliglota, arquitecto, escritor, cirurgio e agricultor, luterano,
dirigiu-se aps os trinta anos para Lambarn, na ento Repblica do
Gabo, situada na frica Equatorial Francesa. A fundou um hospital,
que mudou algum tempo depois para 3 km, situado junto ao rio Oguo.
Juntamente com a sua aco humanitria, transportou para a prpria
frica a reafirmao, dos valores do homem, to abalados ento
ideologicamente, sobretudo a nvel da discusso estril e demaggica
do valor da pigmentao da pele. Albert Schweitzer, ou "Oganga, o
Homem Medicamento", como era conhecido, obteve a imortalidade que os
seus conceitos humanitrios, democrticos e igualitrios, justamente
lhe conferem. Recordemos que a partir de 20-7-1963, a C.E.E. conta
com 16 Estados Africanos Associados. So eles o Alto Volta, Burundi,
Camares, Repblica do Congo, Costa do Marfim, Chade, Daom, Gabo,
Mli, Nger, Senegal, Togo, Madagascar, Mauritnea, Ruanda e Somlia.
Em 17 7 66 entra tambm a Nigria.

@REPBLICA CENTRO AFRICANA (Ubangui-Chari) Estado da frica
Equatorial

Com cerca de 617 000 Km2 e 2 600 000 habitantes. Capital Bangui, que
possui um importante porto fluvial e um movimentado aeroporto. O
idioma oficial  o francs e os dialectos mais falados so o sangho e
o sudans. A maioria da populao  muulmana, embora existam cerca
de 400 000 catlicos e 45 000 protestantes. Pigmeus Bangas da
floresta e tribos Bantos sucederam se a partir do sculo XVI, mas a
regio foi enfraquecida e despovoada pelo trfico de escravos. Aps
a desocupao da bacia do baixo Congo por Savorgnan de Brazza
(1875-1885) os Franceses procuraram abrir caminho para o Chade e o
Nilo. O Ubangui entrou assim aos poucos na zona de influncia
francesa, e a misso Marchand (1896 1898) acelerou o processo de
colonizao. Em 1905, o Ubangui-Chari foi constitudo como colnia
em 1910, foi integrado  frica Equatorial Francesa (A.E.F.). O pas
foi ento abandonado, sem grande proveito prprio s sociedades
concessionrias (florestas, algodo, ouro). Foi o padre Barthlemy
Boganda (1910-1959), deputado da Unio Francesa em 1946, que
despertou o nacionalismo local, fundando o Movimento de Evoluo
Social da frica Negra (ME SAN). Presidente em 1958, do governo de
Ubangui Chari, transformado em Repblica Centro-Africana, conduziu o
pas  independncia em 1960 a 13 de Agosto. O regime orientou-se
para um estilo cada vez mais pessoal com os presidentes David Dacko
(1959-1965) e Jean Bedel Bokassa, que se proclamou imperador em 1976.
Deposto Bokassa em 1979, o pas retomou  condio de Repblica, sob
uma junta chefiada por D. Dacko. Em 1981, por ocasio da eleio
presidencial, Dacko foi confirmado nas funes de chefe de Estado.
Uma linha de montanhas orientada WSW E Nordeste, entre o macio de
Yade e os montes de Bong, abaixa-se por uma srie de planaltos em
direco  bacia do Chade ao Norte e a bacia do Congo ao Sul O clima
em todo o pas  tropical hmido ao Sul e seco ao Norte o que explica
a grande extenso de savana, mais ou menos arborizada. A populao
pouco densa distribui-se desigualmente e concentra-se sobretudo na
regio de Bangui, fracamente urbanizada, que vive principalmente da
agricultura. Ao lado das culturas de subsistncia (mandioca, milhete,
milho), h algumas plantaes de caf, sisal, tabaco, amendoim e
sobretudo algodo. Mas o pas tira a maior parte da sua renda das
minas de diamante, principal produto de exportao.

@REPBLICA DO ZAIRE CONGO KINSHASA (Congo ex-Belga) Estado da frica
Equatorial

 @Com cerca de 2 354 000 Km2* e, 30 940 000 habitantes, capital
Kinshasa (Leopoldville). A maior parte da populao  negra e, na
regio setentrional h grupos Sudaneses e Pigmeus. O idioma oficial 
o francs embora se fale dialectos Bantos, o Sudans e o Olamengo. 
maior parte da populao  pag, os catlicos e protestantes so
 cerca de 6 000 000 embora em maioria catlicos. Os maiores portos
so o de Boma e o de Matadi ambos no esturio do rio Congo (1). O
porto da navegao fluvial existe em Kinshasa s margens do Stanley
Pool. Foi durante a conferncia de Berlim (1884-1885) que o rei da
Blgica, Leopoldo II, obteve das Potncias Ocidentais o
 reconhecimento de uma imensa possesso pessoal na bacia do Congo;
esse sucesso sancionou projectos marcados , pla Constituio em
1876, de uma associao Internacional do Congo, fruto de mais de 400
Tratados com os chefes de tribos e da qual o rei belga tinha o
controle total. O Estado independente do Congo, reconhecido em
Berlim, foi at 1900, progressivamente delimitado. Leopoldo II
 incrementou a sua explorao, tanto por decises prprias quanto
atravs de companhias concessionrias. mas a enterrou a sua fortuna
pessoal. S em 1895 o Congo se tornou verdadeiramente "rentvel". No
entanto, uma campanha internacional, provocada pelos abusos
constatados na explorao dos autctones, obrigou a prpria Blgica a
assumir directamente o controle do Congo (1908): Uma carta colonial
que praticamente no conferia poder algum aos autctones, a fora das
 misses catlicas e o poder das companhias comerciais (lavouras,
fbricas de leo, minas de cobre de Katanga) fizeram do Congo Belga
uma colnia tpica submetida  explorao sem freios. Apesar disso,
s em 1956 o movimento nacionalista se manifestou realmente. Duas
foras polticas congolesas constituram-se ento com acentuado
relevo: o Abako (bakongo), de Joseph Kasavubu (1917-1969), que
 exprimia o nacionalismo tribal, e o Movimento Nacional Congols
(M.N.C.), de Patrice Lumumba (1925-1961)cujas bases estavam nas
cidades. Quando a Blgica, em 1959, prometeu ao Congo a independncia
para 30 de Junho 1960, essas foras dividiram-se. As eleies de 1960
parecem aclarar a situao: Lumumba tornou-se chefe de governo, e
Kasavubu chefe do Estado do Congo-Kinshasa. Na realidade, a
 independncia desencadeou foras centrfugas: o Katanga deu-se ao
 separatismo com Moiss Tschomb, ajudado pela Unio Mineira; noutras
partes, constituram-se governos independentes, enquanto se
desenvolvia a rivalidade entre Kasavubu e Lumumba. Interveio ento o
coronel Joseph Mobutu, chefe da fora pblica, que afastou Kasavubu;
em 1961, Lumumba foi entregue aos Katanguenses, que o executaram. Uma
interveno de foras da O.N.U. (1961-1964) obteve a reduo da
secesso do Katanga e uma relativa tranquilidade sob o governo de
 Cyrille Adoula, um moderado. Mas, aps a sua partida, o retorno de
Kasavubu  frente do Estado e a designao de Tschomb para a chefia
do governo provocaram nova crise, que obrigou o exrcito nacional
congols a intervir. Finalmente, o poder ficou com o exrcito;
Mobutu fez-se proclamar presidente da Repblica e designou Lonard
Mulamba para primeiro-ministro. Perdurando a crise, Mobutu acumulou
 as funes de presidente e primeiro-ministro (1966), e estabeleceu
um regime presidencialista que foi reforado pela reforma
constitucional de 1970 e, sobretudo, a de 1972-1974, que alm disso
fez de Mobutu j dirigente supremo do partido nico, o Movimento
Popular da Revoluo, (M.P.R.) o presidente do Conselho Legislativo
Nacional, do Conselho Executivo Nacional e do Conselho Judicirio. Em
1971, o Congo-Kinshasa tornou-se o Zaire: multiplicaram-se as medidas
 de "zairizao", acompanhadas pela eliminao dos adversrios do
regime. Em 1977, aces rebeldes do Shaba colocaram por um momento em
perigo o regime de Mobutu. O pas estende-se pela maior parte da
bacia do rio Congo ou Zaire. Com uma depresso central aterrada por
 espessas camadas de aluvio, esta alteia-se na periferia, onde
aflora a savana arborizada. A E os montes Mitumba dominam as
profundas fossas da crosta terrestre, flanqueadas de elevaes
 vulcnicas. A oeste certos relevos costeiros, que o Congo transpe
penosamente, separam a sua bacia do litoral atlntico. Atravessado
pelo Equador, o Zaire tem um clima quente, hmido na parte central,
coberto pela floresta densa, que se torna mais seco na periferia,
onde grassa a savana. A populao  maioritariamente constituda por
 Bantos. Na floresta, estes conservaram seu modo de vida tradicional,
 baseada numa economia de subsistncia. O rpido aumento da populao
engendrou contudo um significativo desenvolvimento urbano:1/4 dos
habitantes reside hoje em cidades. A agricultura absorve 3/4 da
populao; paralelamente s lavouras de vveres (mandioca, milho,
 arroz),  caa,  pesca e  colheita de frutos, os Belgas haviam
implantado certas lavouras comerciais, na poca de colonizao.
Localizadas em grandes propriedades, tais lavouras forneciam cacau,
borracha e azeite-de-dendm na zona florestal, e ch, caf e algodo
nas savanas perifricas. A produo sofreu uma queda aps a
independncia, mas actualmente est sendo reactivada, sobretudo no
 tocante ao caf, ao ch e ao azeite-de-dendm; a explorao da
floresta fornece grandes quantidades de madeira. A explorao dos
recursos do subsolo  um dos esteios da economia, iniciada na poca
colonial, foi nacionalizada e levou a um aumento de produo. No
Shaba (antigo Katanga) e no Kasai h jazidas de cobre (500 000
 toneladas), zinco, cobalto, mangans, urnio, ouro e diamantes. Na
sua maioria, os minrios so concentrados antes de serem exportados,
garantindo ao pas uma balana comercial que indica bons excedentes.
Entretanto, as instalaes hidroelctricas s atendem em parte 
actual penria de recursos energticos. O vasto pas tambm se
ressente das dificuldades da comunicao, apesar de constantes
melhoras.

 ' Sendo em extenso o maior de toda a A. N. (1) A palavra Congo
significa "caador".

@REPBLICA POPULAR DO CONGO CONGO BRAzzAVILLE (Congo ex-Francs)
Estado da frica Equatorial

 Com cerca de 342 000 Km2 e, 1 700 000 habitantes. Capital
Brazzaville, o seu aeroporto  internacional. O idioma oficial  o
francs, embora se fale dialectos bantos. A maioria da populao 
pag, os catlicos so 28000. Point Noire  o maior porto martimo e
 fluvial em Brazzaville sobre o rio Congo. No seio do Congo francs
(1891), depois da frica Equatorial Francesa (1910), o pas era a
colnia do Congo Mdio. A penetrao europeia foi lenta; os Franceses
imitando o sistema leopoldiano, inauguraram em 1899, durante trinta
anos, um sistema de explorao concessionria que resultou em
pilhagem e em manter a populao na misria. A resistncia  opresso
colonial manifestou-se, de 1928 a 1935, pela grande revolta da regio
da baa. O Congo Mdio reuniu-se  Frana livre em 28 de Agosto de
1940 sob o estmulo do governador Flix bou, e foi em Brazzaville,
durante uma conferncia presidida por Charles de Gaulle (1944), que
foram lanadas as bases da Unio francesa (1946). A fundao, em
1956, pelo abade Fulbert Youlou, da Unio democrtica de defesa dos
 interesses africanos (U.D.D.I.A.), iniciou a criao, em 1958, da
Repblica do Congo, de que F. Youlou foi o primeiro presidente
(1959), e depois a independncia completa do pas (1960) a 15 de
Agosto. Aps a substituio de F. Youlou por Alphonse Masoemba-Dbat,
o Congo confirmou a sua opo socialista, que o isolou dos seus
parceiros da Unio aduaneira africana e no impediu a manuteno das
graves dificuldades econmicas. Em 1970, o pas-dirigido de 1969 a
 1977 pelo presidente Marien Ngouabi e posteriormente, de 1977 a
Fevereiro de 1979 pelo coronel Yhombi-Opango, e desde ento pelo
coronel Denis Sessau Nguesso tornou-se a Repblica Popular do Congo,
oficialmente marxista. O pas estende-se sobre uma parte do esturio
 aluvial, pantanoso do Congo, margeado a Noroeste por uma sucesso de
planaltos e colinas. A cadeia costeira do Mayomb separa a estreita
franja do litoral do resto do pas. O clima equatorial explica a
grande extenso da floresta densa. A populao maioritria  banta e
pouco numerosa, concentra-se no Sudoeste do pas, nas proximidades de
Brazzaville e de Point-Noire. A agricultura continua sendo o sector
fundamental da economia. Os recursos do subsolo so variados, mas
 pouco abundantes, com excepo do petrleo, explorado h pouco
tempo, e a indstria limita-se  transformao dos produtos
agrcolas. O pas necessita de importar bens de equipamento. A Frana
continua a ser o parceiro principal de um comrcio exterior
deficitrio, efectuado pelo porto de Point-Noire.

Ligado  histria de Brazzaville Pedro Paulo Francisco Savorgnan
conde de Brazza

Ligado  histria de Brazzaville est o investigador: Pedro Paulo
Francisco grandt Savorgnan conde de Brazza, um dos investigadores de
 frica, que ao servio da Frana emocionou os homens da sua poca.
Principiou pela ida na fragata Vnus a diversos pases da frica
entre eles ao Gabo e ao Senegal. Em 1875, decidiu investigar algumas
regies africanas porque, de acordo com a sua ideia, a Europa no
 seria uma entidade geogrfica completa se no investigasse e
 constatasse esses povos to distantes e to importantes que
habitavam o Continente Misterioso e a respeito dos quais eram criadas
fantasias inadmissveis para esse sculo em que a cincia j
triunfava de modo incontestvel. Decidido a realizar esse trabalho
que considerava redentor, dedicou-se  tarefa de procurar
 companheiros e partiu de Bordeaux com o seu amigo, o Doutor Noel
Ballay e com o investigador Alfred Marche; o contramestre Hannon
acompanhou-os, estando convenientemente equipados. A primeira etapa
da investigao foi dirigida para o rio Ogou, cujo curso subiram at
Olope. Em seguida tomaram a direco Sudeste e descobriram uns grupos
de homens muito pequenos, que pensaram serem anes. Porm, eram os
Pigmeus, cuja altura oscilava entre 1 m e 1,50 m e, Os investigadores
prosseguiram at ao Alima e o Licona, perto do Congo. Um deles,
 Marche, adoeceu e teve de ficar num posto de Aruma. Isto ocorreu em
 1878; Brazza e Ballay regressaram ao Ogou, em seguida investigaram
o territrio e Brazza fundou o Comit Francs da Associao Africana,
nas margens do M' Pada. Mais tarde, sem auxlio de ningum e decidido
a realizar os seus sonhos, o Conde de Brazza investigou a regio de
Bafuru e chegou ao Congo, onde, em 1880, fundou a estao Ntamo
Neuna, a qual foi chamada Brazzaville para perpetuar o seu nome. O
conde tomou posse em nome da Frana e o Rei Makoko resolveu
colocar-se sob a proteco das autoridades europeias. Imaginando
 sempre novas possibilidades, novas terras que algum dia seriam as
terras de futuro, chegou a Mdamli-Mbongo onde foi realizado o clebre
encontro com Stanley. Pouco se sabe dessa conferncia, porm
guardou-se uma frase de Brazza, de acordo com o que pensavam os
homens que se embrenharam no territrio africano e mostravam novas
terras para a civilizao, para a futura civilizao universal,
conforme o prprio Brazza dizia. Em 1883, foi nomeado Comissrio da
frica Ocidental e foi-lhe permitido prosseguir o seu trabalho,
 colocaram recursos financeiros  sua disposio ento, voltou para a
frica. Procurou a colaborao dos chefes Negros e assinou uma
conveno com Makoko para assegurar a liberdade de navegao para os
barcos franceses. Em 1886, foi nomeado Comissrio Geral do Congo. Em
1891, investigou o Sangha, partindo de Brazzaville e, fundou uma nova
localidade. Em 1892, embarcou no navio Le Coubert e chegou a Gazza,
cujo territrio investi- gou at Kunde. Investigando o rio Ogou e a
regio entre Franceville e o Alima realizou grande nmero de cartas
geogrficas. Estudou a fauna e a flora dos territrios que descobriu
e, levou para o estudo os primeiros exemplares da mosca ts-ts que
atacam os animais da frica at aniquil-los, lentamente, atravs da
debilidade e da perda gradativa das suas foras. A luta contra
doenas tropicais, sobretudo desde o scculo XIX, foi uma das
 preocupaes da Europa. A descoberta da doena do sono por Robert
 Koch fundador da ,bacteriologia em princpios do nosso sculo 1906,
 foi uma das vitrias.

@REPBLICA DE RUANDA Estado da frica Equatorial

 Com cerca de 26 300 Km2 e, 5 290 000 habitantes. Capital Kigali. De
1916 a 1962 formou com Burundi o Ruanda-Urundi. Idioma oficial
francs. O verdadeiro fundador da Ruanda moderna foi, no scculo
XVII, Ruganzu Ndori, que fixou a capital em Nduga, e cujos sucessores
 desenvolveram uma poltica expansionista. No sculo XIX, Kigeri
Rwabugiri (de c. 1860 a 1895) estendeu seus domnios a Norte e oeste
do lago Kivu; a administrao concentrou-se ento, em torno de um
rei, ou mwami, considerado sagrado; o poder pertencia s grandes
famlias Tutsis aparentadas ao rei. Os Alemes entraram em Ruanda a
partir de 1894, ali estabelecendo, em 1907, um protectorado. Foram
substitudos pelos Belgas em 1916. Ruanda-Urundi (formado por Ruanda
 e o actual Burundi) toi, ento, submetido ao mandato (1923) e depois
 tutela (1946) Belga, que favorecia os Tutsis. Mas as dificuldades
econmicas e o recrudescimento dos dios tribais provocaram em Julho
 de 1973, um golpe militar chefiado pelo general Juvenal Habyarimana.
Este foi, em 1978, eleito presidente da Repblica com a adopo de
uma nova Constituio. O pas estende-se sob um conjunto de planaltos
 elevados, dominado ao Norte pelo macio vulcnico dos montes Birunga
(4507 m).  limitado a oeste pela fenda da frica central, ocupada
pelo lago Kivu. O clima, tropical,  muito hmido mas a floresta
reduz-se, em boa parte, a savana arborizada. A populao constitui-se
de 85% de Hutus, agricultores bantos, e de uma minoria de Tutsis,
pastores hamticos, muito densa,  essencialmente rural. A
agricultura  ainda o sector primordial da economia: mandioca, sorgo,
feijo e milho so a base da alimentao; as culturas so pouco
desenvolvidas (caf, ch). A criao bovina  de pouco rendimento. 
industrializao est apenas iniciada, e o pas  prejudicado pelo
isolamento.

@REPBLICA DO UGANDA Estado da frica Equatorial

 Membro do Commonwealth, com cerca de 243 400 Km2 e, 15 220 000
habitantes em maioria Negros Sudaneses, alm do Hindus, Camitas,
Nilticos e rabes, existe a tribo dos Bugandas a mais numerosa. O
idioma oficial  o ingls embora falem o banto, luganda e sudans. A
 maioria  catlica, no entanto existe ainda a prtica de cultos
pagos. Uganda  um dos pases de frica, que possuem uma fauna rica
e variada, a capital Kampala. Povoado por camponeses, Uganda foi
entre os sculos XVI e XIX, invadido por pastores Camitas, que
repeliram os agricultores para os grandes lagos. Os reis-sacerdotes,
que ento se instalaram, controlaram mal os Estados vassalos: O
Buganda libertou-se assim sob Mutesa I em. 1884) que ameaado pelo
Egipto, acolheu missionrios protestantes e padres brancos
(1862-1879). O sucessor de Mutesa, Mwanga, no pde impedir que o seu
 pas entrasse em 1890 na zona de influncia britnica, para em 1894
 tornar-se o protectorado de Uganda. O desenvolvimento econmico foi
ento rpido, graas em parte  imigrao asitica. Contudo, no
interior do protectorado vigorou o desejo de conservar sua autonomia
quando, aps 1945, comeou a entrar em pauta a ideia de dar
independncia a Uganda. Em 1952, o pas ao mostrar-se desejoso de
levar rapidamente  independncia um Estado ugandense unificado, foi
 com concordncia do rei do Buganda, Mutesa II, que o governador Sir
Andrew Cohen democratizou a Constituio. Mas Mutesa II protestou,
quando ocorreu  Gr-Bretanha em Junho de 1953, a possibilidade de
constituir uma confederao da frica Oriental; os Ingleses
exilaram-no, mas tiveram de aceitar finalmente a formao de uma
Federao ugandense onde coube ao Buganda um papel preponderante. Em
9 de Outubro de 1962, com Apollo Milton Obote como primeiro-ministro,
 a Federao dos cinco Estados ugandenses foi proclamada
 Independente. Em 1963, tornado soberano mas membro do Commonwealth,
o Uganda entregou a presidncia a Mutesa, o ex-rei do Buganda. Sem
demora, conflitos opuseram os Bugandenses aos demais Estados. Em
1966, Obote suspendeu a Constituio e instituiu um regime militar e
contralizador cujo parlamento elegia o presidente; Mutesa teve de
fugir para Londres. Deteriorando-se a situao econmica, Obote foi
derrubado em 25 de Janeiro de 1971 pelo general Idi Amin Dada, que
expulsou os asiticos e ps em prtica uma poltica a um tempo
ditatorial e demaggica. Em Abril de 1979, obrigaram Amin Dada a
fugir e assumiram o controle de Kampala, a Frente Nacional de
Libertao de Uganda instalou um governo provisrio, dirigido por
Yusuf Lule. Em Junho de 1979, Godfrey Binaisa sucedeu a este e, em
Maio de 1980, os militares tomaram o poder e destituram Binaisa. Em
Dezembro, Milton Obote voltou  chefia do Estado aps a vitria dos
 seus partidrios nas eleies legislativas. A anarquia generalizada,
a economia devastada e a seca agravaram a fome, que assolou todo o
Nordeste do pas. Em Janeiro de 1986 o Uganda teve um golpe de
Estado em Kampala e governa actualmente uma junta militar presidida
por um general. O conjunto do pas corresponde a um vasto planalto
coroado por grandes macios vulcnicos e onde se dispem os lagos
 Kiroga e Victria. Tal planalto ergue-se para oeste dominando o Riff
 Valley do Este africano, que  ocupado pelos lagos Mobutu e Eduardo
 separados pelo pico de Ruwenzori (5119 m). Situado abaixo do
Equador, Uganda tem um clima hmido, que se torna um pouco mais seco
em direco ao Nordeste onde a altitude influi sobre as temperaturas
 e, a savana arborizada cobre a maior parte do pas. A populao
 relativamente densa  composta em maioria por Bantos 
fundamentalmente rural, com 90% dos habitantes concentrados no campo,
a nica cidade notvel  a capital, Kampala. No pas predomina o
cultivo de banana, substituda no Norte pelo sorgo, a mandioca e
legumes variados. Certas plantaes fornecem os principais produtos
 de exportao: algodo, ch e, sobretudo caf (mais de 50"%, em
valor, das exportaes). A industrializao  limitada; o cobre,
principal recurso do subsolo,  em grande parte exportado em bruto.
Em Kampala concentram-se as construes mecnicas e as indstrias
alimentcias e txteis; o comrcio externo ressente-se da falta de um
escoadouro martimo nacional.

@FRICA AUSTRAL

 Sobre a Costa Ocidental, entre a floresta congolesa e o deserto
litoral, a populao dedica-se sobretudo  agricultura. Altos
planaltos de Grange e Vaal, que baixam a Oeste para as grandes
depresses desrticas do Kalahari e da Nambia revelam-se a Este e a
Sul numa importante barreira montanhosa. Muitos contrastes existem na
frica Austral, enormes reservas universais de ouro, diamantes,
urnio, cobre, carvo, etc. A Federao da Rodsia e Niassalndia que
 desde 1953 at 1963 reuniu trs pases: Rodsia do Sul, Rodsia do
 Norte e Niassalndia configurava as possesses britnicas da frica
Central. Esta vasta regio adquiriu a partir de 1963 crescente
 autonomia at formar actualmente Estados independentes dentro do
Commonwealth com os nomes respectivamente de Zimbabwe Rodsia do Sul.
Zmbia Rodsia do Norte e, Malawi Niassalndia. A frica Austral com
a Ocidental, forma a parte mais povoada da frica Negra. Na frica
Austral o rio Zambeze  navegvel 400 km a partir de Tete at  foz
 formando as quedas do Victria no Centro, do Limpopo no Sul e do
Congo no Norte. Os pases situados na frica Austral: Angola, frica
 do Sul (Aznia), Botswana (Bechuanalndia), Lesoto (Basutolndia),
Nambia (Sudoeste africano), Suazilndia (Neguane ou Ngwane),
Zimbabw (Rodsia do Sul), Zmbia (Rodsia do Norte), Malawi
(Niassalndia), Moambique e Madagscar (Malgaxe).

@REPBLICA POPULAR DE ANGOLA Estado da Costa Ocidental da frica
Austral

 Com cerca de 1246 700 Km2 e 6 570 000 habitantes. Capital Luanda;
idioma oficial o portugus, embora a populao fale vrios dialectos
bantos. Os povos Bantos e no Bantos constituem a maioria absoluta da
populao. Os primeiros povos a habitarem Angola pertencem ao grupo
 Bochimane (Bosqumano), que fazem parte do grupo no-Banto como
igualmente, os Vtuas, grupo que tambm existe em alguns pases
inclusiv em Moambique. A Religio que conta maior nmero  a
catlica, cerca de trs milhes, a seguir a protestante, embora
 grande parte dos cultos sejam pagos. Todo o litoral deste pas 
banhado pelo Oceano Atlntico, da a sua populao se dedicar 
 pesca; alm desta actividade outras, de agricultura tradicional,
criao de gado e, ainda a da actividade mineral sobretudo diamantes
e ferro. Do territrio de Cabinda na embocadura do rio Congo e a
Norte do rio Zaire, (dependncia de Angola pelo tratado de
Simulambuko de 1885), extrai-se o petrleo uma das grandes riquezas
mineiras de exportao. Angola tornou-se conhecida dos Europeus desde
a segunda viagem de Diogo Co (1485), mas durante quase um sculo a
 regio no despertou o interesse a Portugal at que em 1575, Paulo
Dias de Novais, na segunda viagem a Angola desembarca na Baa de
Luanda e deu incio  colonizao de Angola. Nomeado donatrio da
Capitania de Angola criada em 1574, em 1576 ele fundou a vila de
 Luanda, hoje cidade capital de Angola. O domnio Lusitano  posto a
rude prova na primeira metade do sculo XVII, quando o negcio de
escravos o assento, o resgate se tornara uma actividade lucrativa e
cobiada por vrias naes. Assim, em 23 de Maio de 1641, uma
expedio holandesa sada do Recife ocupou Luanda, para servir o
 comrcio negreiro de Pernambuco. Os Portugueses retiraram-se para o
Interior, mostrando a sua resistncia em Massangano, at que em 1648
Salvador Correia de S e Benevides. com uma frota preparada no Rio de
Janeiro, subjugou os Holandeses em Angola, restituindo-a ao domnio
Portugus. Da, que no sculo XVII o pas ficasse sujeito ao governo
geral do Brasil, na Baa e ao vice-rei no Rio de Janeiro. Em 1667
 houve a revolta de Luanda que levou  nomeao dos governadores de
Angola em Portugal. No sculo XIX, por ocasio da Independncia do
Brasil, houve em Angola um movimento pr-ligao com o Novo Estado
Brasileiro, mas devido a tratados da Coroa Portuguesa com a
Gr-Bretanha esta assegurou a integridade dos Territrios
Ultramarinos de Portugal. O comrcio de escravos iria ter a sua
represso, quando em 1836, S da Bandeira secretrio do Estado e do
Ultramar leu perante as cortes o seu notvel relatrio propondo a
abolio da escravatura por completo, (a Sul de Angola existe uma
cidade com o seu nome: S da Bandeira Lubango). Com a represso ao
 trfico abre a poca do grande desenvolvimento no sentido da
individualizao territorial, criando-se uma nova economia baseada
nos recursos do solo. Assim, as conquistas Lusitanas no interior de
Angola fixaram os limites em em 1921, criando-se o regime dos Altos
 Comissrios. O Acto Colonial de 1930 organizou a Administrao. Na
dcada de 60 1961-1970, outras leis deram ao pas o status de
 Provncia Ultramarina. Mas j ento crescia o movimento
 pr-independncia do pas e a luta armada contra o domnio
portugus. O primeiro passo para a Independncia foi dado em Julho de
1974 com a anulao do artigo primeiro da Constituio Portuguesa de
1933, que probia a renncia de Portugal a qualquer parte de seu
territrio. A queda do salazarismo em 25 de Abril de 1974 propiciava
o incio da descolonizao entre as tropas portuguesas e as
 organizaes de libertao. e A Independncia de Angola d-se em 11
de Novembro de 1975, com o nome de Repblica Popular de Angola, cujo
primeiro Presidente foi Agostinho Neto, lder do Partido Poltico do
M.P.L.A., da a Bandeira Nacional ter a sigla deste Partido. Com o
reconhecimento do novo governo pela O.U.A. e por grande nmero de
 pases, destacando-se o Brasil, consolidou-se a posio do
 presidente Agostinho Neto. Com a morte de Agostinho Neto, em 1979,
Jos Eduardo dos Santos foi nomeado presidente. A capital de Angola 
chamada S. Paulo de Luanda, fundada por Paulo Dias de Novais neto de
 Bartolomeu Dias, este ligado  histria: "Podem l passar sem medo
 que o Gigante Adamastor no  mais que um penedo". Paulo In Dias de
Novais na 1.a viagem chega ao rio Cuanza regressa a Portugal e, na 2a
viagem desembarca na ilha de Luanda em 1575, a 70 Km da foz do rio
Cuanza e a funda em 1776 a Vila de S. Paulo. (Depois segue viagem
para o Cuanza e em 1582 para Massangano onde fica morrendo a 1589). A
ilha de Luanda tem a Baa de um lado e a costa martima do outro e,
no morro de nome S. Miguel foram construdas casas e uma fortaleza
 sob o mesmo nome, que ainda hoje existe. A capital  conhecida
tambm pelo nome de "cidade das accias rubras e buganvlias em
flor", considerada uma das mais belas, cuja vista do morro ou
fortaleza de S. Miguel  deslumbrante. A ilha de Luanda foi ligada 
terra pelo trabalho da mo humana, para transformar a ilha em
Pennsula. Hoje a moderna cidade vista do morro tem um encanto diurno
e outro nocturno j que as luzes dos edifcios reflectidas na Baa
 torna-a uma das mais belas do Continente Africano. A plancie
litoral de Angola marcada pela existncia de mangues  orlada a Este
por um grande escarpamento que limita o planalto do Bi. Este, cuja
 altitude mdia vai de 1000 a 2000 m  drenado para o Norte pelos
afluentes do Congo, para o Sul pelos do Zambeze. Por todo o planalto,
as precipitaes so abundantes, ao passo que a costa ainda sob
influncia equatorial ao Norte seca progressivamente na direco do
deserto da Nambia, ao Sul. Pas vasto, Angola  escassamente
povoada, os Europeus, Portugueses, abandonaram-na por ocasio da
Independncia. Constituda na sua maioria por Bantos, a populao
vive principalmente em zonas rurais. Uma parcela da populao
dedica-se  agricultura tradicional (mandioca) e  criao de gado
bovino. As grandes plantaes de origem colonial fomecem caf, milho,
cacau e algodo: os recursos minerais so abundantes e ainda pouco
explorados com excepo do petrleo, o ferro e os diamantes. Rios
principais: Cuanza  o maior, nasce e desagua em Angola, nele se
situa a barragem de Cambambe; o seu afluente rio Lucala fomia as
 quedas, das mais belas do mundo, do Kalandula (Duque de Bragana). O
Zaire  dos maiores rios de frica corre a Norte e, serve de
fronteiras desde Noqui at Soyo (Sto. Antnio do Zaire). O Zambeze
igualmente dos maiores. apenas passa a Este de Angola, serve de
fronteira  Zmbia e ao Zimbabw (Rodsia) e vai desaguar em
Moambique, nele se situa a barragem de Cabora Bassa (Cahaora Bassa).
O Cunene atravessa o planalto de Hula e serve de fronteira com o
Sudoeste Africano (Nambia) nele se situa a barragem de Matala. Alm
 destes muitos mais existem em Angola da a frase: "Angola
transborda em rios". Por outro lado, as costas martimas de Angola
so das zonas mais ricas do mundo em crustceos. As elevaes: as
serras de Canganza e Tala-Mugongo forma o rebordo montanhoso entre a
 plancie costeira e a Zona dos planaltos do Norte de Angola; nas
suas encostas produz-se o caf, ma das riquezas do pas. Os
planaltos de Malanje e Lunda ao Norte e, ao Sul de Benguela, Bi e
Hula so frteis. A serra de Chela a Sul marca o ponto de mudana do
litoral para o planalto Interior, na base desta serra est uma
importante criao de gado. Na exuberante flora de Angola, descobriu
Lus Sambo 450 plantas medicinais para cura das mais variadas
doenas; a rosa de porcelana  a Rainha da beleza da floricultura
angolana; descobriu o Dr. Frederico Welwistsch a Tumbo, considerada
um dos seres mais famosos do reino vegetl; nica no mundo, existente
nas areias escaldantes do deserto de Namibe (Momedes) e Kalahari
Nambia (Sudoeste Africano).

Lus Sambo

 Lus Sambo nasceu em Colibir a 15 de Agosto de 1874, de uma famlia
real de Cabinda. Este homem de Angola, distinguiu-se como ervanrio,
conheceu e utilizou centenas de plantas no tratamento das mais
variadas doenas, tendo obtido curas em Africanos e Europeus que a
ele recorriam desenganados pela medicina. Alm do seu interesse pela
sade, tambm se dedicou  educao com a criao de escolas de
msica, o povo Bengalense perpetuou a memria do clebre ervanrio
com um mausolu.

Frederico Welwitsch

 Frederico Welwitsch, doutor austraco, investigador Botnico, em
1853 embarca para Luanda, em 1854 inicia a sua investigao no
Interior de Angola, inclusiv Pungo-Andongo considerado um verdadeiro
jardim botnico; segue em 1859 para (Momedes) Namibe, onde a poucos
quilmetros no deserto se d a maior descoberta do sculo no mundo da
Botnica: um ser vegetal nascido nas areias escaldantes, disfomie com
enormes folhas semelhantes a um polvo, uma planta extraordinria como
valor cientfico a que os africanos davam o nome de "N'Tumb'ou"
"tumbo", mas a ela foi dado o nome definitivo de Welwitschia
Mirabilis, ligando-a ao nome do descobridor e este  planta gravada
em 1872 na placa do seu tmulo em Inglaterra no cemitrio de Kensal
Green. Como investigadores portugueses do serto africano
destacam-se: Hermenegildo Brito Capelo, oficial da marinha, Roberto
 Ivens, Silva Porto e Serpa Pinto. No sculo XIX recrudescia uma
Campanha Internacional movida por viajantes ingleses, que acusavam
Portugal de no impedir a escravatura. Para a expedio cientfica
destinada a investigar os territrios entre Angola e Moambique e as
bacias hidrogrficas do Zaire e do Zambeze foram designados entre
outros os Portugueses acima referidos, que procuravam desvendar os
segredos dos sertes e dos rios, que os atravessavam realizando
viagens de estudo, contribuindo desse modo para tornar conhecido o
Interior de frica e Povos, que nele viviam (j em 1725 D. Lus da
Cunha e, em 1664 o Capito Jos Rosa investigavam estes territrios).
 Os seus estudos sobre o que observaram fauna, flora, cursos de gua,
 costumes etc. abriram extraordinrias possibilidades a esses povos e
 a um mais racional aproveitamento dos dons da Natureza. Portanto 
justo que no esqueamos os que se sacrificaram ao penetrarem nas
selvas, em pntanos, areias de fogo, sofrendo sede e fome; entre
tantos, Capelo e Ivens de 1877 a 1880, percorreram as regies de
Benguela s terras do laca, tendo determinado os cursos dos rios
Cubango, Luando e Tchicapa. Em 1884, percorreram a costa e o planalto
de Hula e depois atravs do Interior at Quelimane em Moambique. A
fauna  importante: a girafa, gnu (boi cavalo), gunga (cefo), zebra
 da plancie e da montanha, guelengue, leo, leopardo, chita,
hippotamo, bfalo vermelho e bfalo preto, cabra leque, rinoceronte,
elefante, palanca vermelha e palanca preta (real) e a avestruz so
alguns de entre tantos animais da rica fauna angolana a que chamam:
"Paraso da caa". O subsolo  rico em minerais: diamantes, ouro,
prata, cobre, ferro, magnsio, petrleo, etc.

Mapungo e N'Zinga As famosas Pedras Negras de Pungo-Andongo Mapungo
so o espectculo grandioso para o viajante da linha de
 Luanda-Malanje, que percorre a distncia entre a cidade do litoral e
a cidade do planalto. Ali teve o rei Dongo (N'Dongo) a sua fortaleza
 e a sua corte; ali esteve, tambm a clebre rainha Jinga (N'Zinga),
 que enche uma boa parte da Histria de Angola. Jinga tornou-se
 clebre pela sua coragem e resistncia, porque havia cerca de 30
 anos, que os Portugueses lutavam contra ela sem nada conseguirem nem
 com diplomacia nem com guerra. Em 1622  baptizada em Luanda com o
 nome de D. Ana de Sousa, da a chamarem-lhe tambm Anne Zingha,
 embora o seu nome original seja N'Zinga M'Bandi. Zinga foi rainha de
 Matamba, que fazia parte do reino do Dongo, este ficava ao Sul do
 reino do Congo. O reino de Matamba tinha-se formado no sculo XIV,
 quando N'gola, a N'Zinga, a Inene, chefiando as migraes do centro
 de frica se instalou nesse territrio. Mais tarde os Jagas (Jacas)
 fugidos do Congo nos fins do sculo XVI, invadiram a Matamba e foi
 ento, que este reino perdeu a sua unidade. A rainha Jinga no sculo
 XVII reconstituiu o reino de Matamba e, durante muito tempo Jinga
 fez de Matamba o seu refgio e o seu quartel general para combater
 os Portugueses e o Ari Kiluanje, que estava no trono do Dongo.

@REPBLICA DA FRICA DO SUL (AZNIA) Estado situado na frica Austral

 Estado situado na extremidade meridional com cerca de 1221000 Km2 e,
 30 480 000 hab. Capital Pretria e Cabo. Idioma oficial o ingls,
 falando-se o africnder e dialectos bantos. As populaes de raa
 Khoisan foram as primeiras que povoaram a frica do Sul, donde
advieram os Bosqumanos, depois (sculo XI) os Namas e (sculo XV) os
Bantos (Ovambos, Sotos, Zulos, Tsuanas), que repeliram os seus
predecessores, os Zulos ainda hoje so das tribos mais guerreiras. Os
Portugueses atracaram vrias vezes no litoral do pas no sculo XV,
mas ali no se instalaram no local. A Companhia Holandesa das ndias
Ocidentais, fundada em 1602 veio logo a servir de base  Expanso
Colonial das Provncias Unidas. Em 1652 os Holandeses fundaram no
Cabo o seu primeiro estabelecimento permanente na frica do Sul. Os
colonos os Free Burghers ou Boeres agiram como verdadeiros pioneiros
insurgindo-se, ora contra os autctones, que repeliram para o Norte
ou reduziram  escravido, ora contra a Companhia das ndias ao
recusar-lhe a autoridade. A revogao do Edito de Nantes (1685)
provocou forte migrao de Hu o guenotes franceses que veio reforar
a Colonizao Holandesa. Ao genocdio dos Bosqumanos sucederam-se
numerosos conflitos sangrentos com os Bantos (guerra cafre,
1779-1780). Em 1814 o pas passou a ser administrado pelos
Britnicos. As relaes com os novos senhores no tardaram a ficar
tensas o que provocou em 1834 o Grande Trek, que levou os Boeres para
o Norte. Se Natal escapou dos ltimos (tornou-se possesso britnica
em 1844), SE o Transval e o Orange foram reconhecidos como Repblicas
 Independentes (1852-1854). Mas a descoberta de diamantes na regio
de Kimberley e de ou Ca ro no Transval incitou Cecil Rhodes e os
britnicos a marcharem para o Noreste provocando a extenuante guerra
dos Boeres (1899-1902), que terminou com a vitria dos Britnicos.
Entretanto, os Boeres reavivaram rapidamente a vida cultural e
poltica dentro de uma entidade inicialmente chamada Unio
Sul-Africana 1910. membro da Commonwealth britnica depois Repblica
Independente da frica do Sul (1961). A Histria desse Estado 
marcada por dois elementos considerveis: a anexao do Sudoeste
Atricano e o desenvolvimento do nacionalismo "africano", que se
fecham numa poltica de apartheid em relao aos no-brancos. A
resistncia a tal poltica intensifica-se constantemente e, no
princpio de 1986 a frica do Sul anuncia o fim da poltica do
 apartheid e a libertao de Nelson Mandela lder da luta
anti-apartheid, preso  cerca de 20 anos. O meio a frica do Sul 
uma velha plataforma aplainada e parcialmente recoberta de
sedimentos, s vezes entrecortados de desmoronamentos baslticos
(sistema de Karroo). Rebaixada no centro, na bacia do Kalahari
drenada pelo Orange, tal plataforma eleva-se nas bordas, nos
planaltos de Transval. do Alto Veld e do Karroo, estes. na parte
Oriental do pas, reordenaram-se e dominam a estreita plancie
cosceira de um grande escarpamento (Drakensberg). O ciima ope a
parte Ocidental do pas, rida no litoral atlntico (deserto do
Kalahari) e coberta de savana no interior,  parte Oriental, mais
 hmida. A provncia de Natal, que recebe ventos alsios, tem clima
tropical enquanto a regio do Cabo goza de clima mediterrneo. A
populao Concentra-se nas regies Oriental e Meridional do pas e
compe-se de quatro grupos bem distintos: os Brancos (cerca de 17%)
 dominam a administrao e a economia, impem uma poltica de
segregao racial, o apartheid. Os Negros (cerca de 70%)
principalmente, Bantos, Zulos e Sotos so os mais numerosos, grande
parte deles so mantidos em reservas praticando a agricultura
tradicional; os outros, em zonas indstriais e minerais. A criao de
Estados Bantos (bantustans) relativamente autnomos politicamente no
diminui a dependncia econmica. Os Coloreds (cerca de l0o/o)
mestios constituem categoria social intermediria. Os Asiticos (3%)
esto geralmente ligados ao comrcio. Em relao ao resto do
Continente, a frica do Sul  um pas fortemente urbanizado, conta
com muitas cidades de mais de 100 000 hab. A economia o essencial da
 riqueza da frica do Sul  retirado do subsolo. As minas de
diamantes de Kimberley e Pretria, o carvo (75 000 000) e o ferro
(10 000 000 t) do Transvaal e Natal, o urnio, o mangans, o cromo, a
platina e sobretudo o ouro (c 700 t mais de metade da produo
mundial) do Witwatersrand. respondem pela maior parte das
exportaes, que partem dos portos do Cabo. Durban, Port Elizabeth e
East London. Contudo tais matrias-primas igualmente permitiram
 sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial o desenvolvimento de
poderosa indstria no pas. instalada com a ajuda de capitais
anglo-saxes. As fontes de energia locais so o carvo e a
hidroelctricidade, o pas tem de importar petrleo. A actividade
essencial  a metalurgia (7 000 000 t de ao por ano) A qumica est
em plena expanso produzindo adubos e matrias-plsticas. As
indstrias texteis (l e algodo) e alimentares so igualmente
 importantes Tais actividades esto localizadas em quatro zonas
industriais no Transvaal. em particular no Witwatersrand, perto de
Johanesburgo especializado em industrias. pesadas, e nas regies
litorais de Durban. Cabo e Port Elizabeth. Estas regies esto
ligadas por um sistema de vias de comunicao cuja construo data do
incio da explorao das minas. A agricultura por sua vez permanece
 como um sector importante Nas regies mais irrigadas dominam
 culturas de alimentos (milho) ou comerciais vinhas e ctrinos na
regio do Cabo, tabaco no Transvaal e cana-do-acar domina a
pecuria, sobretudo ovina, cuja l  em parte exportada Graas 
irriqao proporcionada pelo Orange deve ser aumentada a superfcie
cultivada. A frica do Sul , assim, a primeira potncia econmica do
Continente Africano

A CAPITAL DO DIAMANTE

 Desta vez, a beno no cau do Cu, subiu das entranhas da Terra,
porque debaixo da terra encontra-se a riqueza em ouro e diamantes. Os
homens atrados pelo brilho do metal precioso e pela cintilao das
pedras preciosas, chegaram rapidamente e em grande nmero. Em pouco
tempo fundaram uma cidade,que em ritmo vertiginoso, converter-se-ia
na terceira do Continente estamos a falar de Joanesburgo
(Johannesburg). Com efeito, esta cidade, a que faltam ainda anos para
que complete um sculo nasceu em fins do sculo passado , conta hoje
com cerca de 2 000 000 habitantes, somando com os das cidades, que
nasceram como satlites atradas pela sua riqueza. Cidade jovem mas
poderosa devido s suas minas de ouro na regio, os seus primeiros
habitantes foram os clssicos e decididos aventureiros caadores de
ouro. Aqueles mineiros curtidos vinham do Sul em carretas puxadas por
bois e levantavam ali as suas toscas tendas. Chegavam continuamente
e, a populao crescia de maneira assombrosa. Era uma grande atraco
aquelas terras de Witwatersrand, onde se encontra Johanesburgo e, que
constituem o depsito aurfero mais rico do mundo, chegando a
produzir metade do ouro mundial. As carretas comearam a ser
abandonadas e os homens desarmaram as suas tendas de campanha para
 erguer slidos edifcios. Vinte e seis anos depois da sua fundao
em 1892, Johanesburgo contava com 30 000 habitantes. Em 1921, j era
de 290 000, actualmente atinge cerca de 2 000 000 de habitantes. So
uma caracterstica da actual Johanesburgo as brancas colinas que se
levantam ao seu redor, estas colinas so formadas de resduos
extrados na explorao das minas. A regio urbana apresenta a imagem
da cidade moderna, com grandes edificaes, arranha-cus e sociedades
bancrias, que atendem os interesses, que flutuam na esfera do ouro e
dos diamantes. O ouro  a sua principal fonte de riqueza, mas a
cidade converteu-se no maior mercado mundial de diamantes, pela sua
proximidade das zonas de extraco. A riqueza do subsolo e a
actividade dela consequente, regida pelos grandes interesses, fizeram
 que Johanesburgo se elevasse  categoria de primeira cidade da
Repblica da frica do Sul (Sul Africana) e a terceira do Continente
Africano depois do Cairo e de Alexandria. Alm de se constituir no
maior mercado mundial de diamantes, Johanesburgo  tambm um grande
centro ferrovirio da frica meridional com linhas frreas que partem
em direco a todos os pontos do Sul,  Rodsia-Zmbia e Zimbabwe e a
Moambique.  o ponto central da rede rodoviria da Repblica, assim
 como estao terminal das linhas areas.  s vezes chamada "Cidade
do Ouro" outras, "Capital do Diamante". Ali, no Sul do Continente
Africano, ergue-se orgulhosa do seu poderio, construda a mais de
1600m de altura, na vertente sul dos montes Witwater sobre um rido
promontrio aoitado pelos ventos. L de cima pode-se contemplar, 
noite, o piscar das luzes das cidades-satlites que surgiram ao seu
redor, que tambm so cidades mineiras e industriais: Germiston,
 Benoni, Boksburgo, Brakpan, Springs e Nigel, a leste; serra,
 Roodepoort, Krugersdorp e Randfontein a oeste. Nestas cidades
 convivem hseparados em bairros, como ocorre em tantas cidades
sul-africanas brancos, negros, mestios, e asiticos. Embora a
riqueza mineira seja caracterstica de Johanesburgo, os seus
habitantes no descuidaram outros aspectos da vida moderna. No que se
 refere  cultura para citar um factor que no se relacione com a
minerao ali se ergue a famosa Universidade de Witwatersrand (com o
mesmo nome daquelas ricas terras) fundada em 1921, com cerca de 400
professores e um grande ncleo estudantil. Possui tmbm galerias de
arte, bibliotecas e observatrios. Como marcos histricos, erguem-se
a orgulhosa Fortaleza levantada pelo governo Boer e o Monumento
Nacional Boer, erigido para comemorar a proclamao da Independncia,
em 1886. Afastemo-nos da activa e rica cidade, ela prossegue com a
sua laboriosa e . profcua agitao, observamos alguma coisa de
estranho no seu clima; a temperatura  muito quente durante todo o
ano, as chuvas, entretanto, caem durante o vero, a estao seca 
invernal... Um contraste a mais, na frica dos grandes contrastes.

 A HISTRICA CIDADE DO CABO A Sul da frica, olhemos desde o mar.
Entre as lindas praias que se nos apresentam no primeiro plano e as
 montanhas, que servem de cortina de fundo e macio de Table (da
 mesa) serpenteia uma formosa, ordenada e moderna cidade; chegamos
 por mar  cidade do Cabo, a Capetown dos ingleses a Kaapstad dos
 "afrikanders". Surpreende-nos ver nos confins da jovem frica, uma
 cidade to semelhante a qualquer das mais antigas e desenvolvidas da
 Europa ou da Amrica. Por um lado, a imponncia dos arranha-cus, as
 modernas avenidas o smbolo da era moderna; por outro lado, os
 velhos recantos quase sagrados, com caladas ecasas que contam
 factos, que aconteceram num longnquo passado. Uma cidade moderna,
 evoluda, a cidade do Cabo  uma cidade histrica. No princpio do
 sculo XVII, os Holandeses perceberam a grande utilidade que lhes
 oferecia a Baa da Mesa; era nos tempos em que a Companhia Holandesa
 das indias Orientais fazia as suas naves singrarem essas guas da
 frica do Sul, rumo ao longnquo Oriente. Em 1562, o holands Jan
 Van Riebeeck, fundou o Cabo e ali estabeleceu os seus homens para
 que fizessem um porto martimo de abastecimento para os barcos da
 companhia comercial holandesa. Com o passar dos anos, o Cabo foi
 ponto de litgio entre as diferentes companhias martimas em
 contnua concorrncia: os Ingleses ocuparam-na desde 1795 at 1802,
 para evitar que aquele ponto estratgico no caminho para as ndias
 fosse aproveitado pelos Franceses. Em 1806 foi declarada possesso
permanente e, a histria seguiu o seu curso at chegar 
Independncia da Repblica Sul-Africana. Antes de comearmos a falar
da actual cidade do Cabo,  digno citar a zona do centro da cidade,
perto do Ajuntamento, onde se encontravam algumas casas do sculo
 XVII; esse foi o primeiro ponto de fixao dos Europeus. Erguida de
frente para o mar com a montanha s suas costas, a cidade moderna
cresceu alongada e serpenteante, seguindo o litoral por um lado e,
beirando as montanhas por outro.  a maior cidade da sua provncia e
a segunda da Repblica (Sul-Africana) frica do Sul, depois de
Johanesburgo, actualmente tem mais de 1400000 habitantes; deles,
 aproximadamente a metade so mestios ou "coloreds" descendentes dos
primeiros colonos europeus casados, com mulheres Hotentotes -; cerca
de uns 600 000 so brancos; 95 000 pretos; e quase 10 000 asiticos.
Na cidade moderna, de grandes edifcios, luxuosas casas comerciais e
brilhantes letreiros luminosos, encontram-se bairros residenciais de
 acordo com a situao de seus habitantes. no centro e em certos
bairros residenciais das proximidades vivem os Europeus; perto do
porto encontra-se o pitoresco bairro malaio, com numerosas mesquitas,
j que quase a totalidade dos seus habitantes so muulmanos; tambm
neste bairro vivem os "colored's. enquanto os negros se encontram nas
"locations" das proximidades. A actividade da Cidade do Cabo
desenvolve-se por terra. mar e ar com efeito,  ponto de partida de
 vrias ferrovias que comunicam o mar com o interior do pas para o
trfego de ls, carnes, diamantes e diferentes produtos industriais.
O seu porto  o principal da Repblica com intenso movimento dessas
mercadorias, alm de outras da prpria cidade do Cabo que conta com
indstrias mecnicas, qumicas e alimentcias e, tambm um intenso
movimento de passageiros, que para negcios ou atrados pelas suas
lindas praias e o seu clima agradvel utilizam esse meio de
transporte. Com os mesmos fins se apresentam as suas numerosas linhas
 areas. nas quais o movimento mais intenso faz-se notar no
importante aeroporto de F.D.Malam, a 64 quilmetros da cidade. A
Cidade do Cabo  tambm, a capital legislativa e sede do Parlamento
 da Repblica da frica do Sul e, ainda, importante centro cultural,
com uma moderna Universidade. Alm das suas praias e do seu clima,
conta com outros elementos, que a convertem em centro turstico de
primeira ordem. Podemos citar, alguns dos seus mais importantes
 edifcios e monumentos: uma catedral catlica, e outra anglicana; o
Parlamento, o Palcio do governo, o Museu da frica do Sul, um
castelo do sculo XVII, o Aqurio de Sea Point, a Biblioteca Pblica,
a Galeria Michaelis, os jardins Botnico e Municipal e o Parlamento
Marine Drive, que se estende ao Sul, na costa do Atlntico, rodeado
pela pennsula e pela Baa de False Baa Falsa atravessando numerosos
subrbios e, que seguindo o Monte da Mesa, volta a desembocar na
cidade. Mas, foram os esforos mdicos que deram outro motivo para
 que os olhos do mundo voltem seu olhar  cidade dos confins da
 frica do Sul, os mdicos esforados entre eles, o doutor Barnard
 comearam a realizar grandes operaes cirrgicas entre outras o
 transplante de coraes, donde partiu o brilhante exemplo, agora
 tambm desenvolvido em Portugal. Um erro  pensar que viram a
frica do Sul, s por terem visitado estas cidades. frica do Sul 
um mundo de diferenas com grandiosos cenrios de montanhas e de mar,
florestas, vinhedos, pesqueiros, pomares e vistas histricas.




BOTSWANA (BECHUANALNDIA)
Estado da frica Austral Membro da Commonwealth, com cerca de 560 000
 Km2 e, 1089 000 hab. Falam o ingls e o tswana misturado com
dialectos bantos. A capital - Gaborone. Por ser pas pobre, parte da
 populao emigra para a frica do Sul, pas de que depende
economicamente. Povoado por Tswanas ou Bechuanas, Negros do grupo
Soto, no scculo XIX o pas sofreu incurses dos Boeres, atrados
pelo ouro o que levou os Tswanas a buscarem a proteco Britnica. O
protectorado tornou-se efectivo em 1885, sobre a ento
Bechuanalndia. A independncia do pas que passou a chamar-se
Botswana, foi proclamada em 30 de Setembro de 1966. O pas fica num
 vasto planalto, que corresponde  parte central e setentrio- nal do
Kalahari. O clima tropical seco (250 a 500 mm de chuva por ano)
formou uma vegetao de savana, com (baobs) imbondeiros. A populao
 de maioria banta e concentra-se na parte Oriental do pas sobretudo
ao longo do rio Limpopo. Nmada vive da criao de bovinos e
caprinos. Os recursos minerais so quase inexplorados.

@LESOTO (BASUTOLANDIA) Estado da frica Austral

Membro da Commonwealth, com cerca de 30 340 Km2 e, 1 500 000 hab. A
sua populao Basutos-Bantos fala o soto e o idioma ingls Sesuto.
Capital --Maseru, com o melhor acesso ferrovirio de 25 Km s linhas
de frica do Sul. Lesoto foi, sob o nome de "Basutolandia", uma
criao poltica do sculo XIX. Era ento dominado pela personalidade
poltica do rei Moshoeshoe I (1787-1870), que conseguiu impr a sua
autoridade sobre os cls Sotos e repelir as ameaas dos Zulus e
Matabeles. Mas, ameaado pelos Boeres, recorreu  tutela da
Inglaterra, que fez da Basutolandia um protectorado britnico (1868).
A partir de 1943, o pas encaminhou-se para a Independncia: Conselho
Legislativo (1960), Assembleia Nacional (1964). Em 4 de Outubro de
1966, Lesoto tornou-se independente tendo como soberano, Moshoeshoe
II. Em 1970, este entrou em conflito com seu primeiro-ministro,
Leabua Jonathan. o qual deps o rei. A tal ponto que Jonathan,
verdadeiro chefe de Estado restabeleceu a realeza a ttulo puramente
honorfico. O pas estende-se sobre um conjunto de terras de grs,
baslticas elevadas cobertas pela savana. A populao pouco densa,
compe-se principalmente de Basutos. Escassamente urbanizada, cultiva
milho, trigo e sorgo em culturas tradicionais. Mas a principal
actividade  a criao bovina e ovina. A industrializao no existe,
e os diamantes extrados do subsolo, constituem, com a l, o
principal produto de exportao. Uma complementao de recursos 
proporcionada pela emigrao temporria de numerosos habitantes que
vo trabalhar na frica do Sul. (Em 1986 aps um golpe de Estado,
Lesoto  governado por um conselho militar).

NAMBIA (SUDOESTE AFRICANO) Territrio da frica Austral

Autnomo, dependente de frica do Sul (embora se preveja para breve
data da independncia). Com cerca de 820 000 Km2 e, 800 000 hab.
Capital Windhoek. Ocupada pelos Bosqumanos, que se juntaram no
sculo XII aos Hotentotes foram expulsos pelos Bantos no sculo XVI,
a regio no interessou aos Boeres Tanto que graas aos missionrios,
passou  influncia Alem a partir de 184 Em 1 844, Bismark assegurou
ao grande negociante alemo Adolf Luderit (1834-1886) e aos seus
estabelecimentos a proteco do Reich. Pouco depois os Bantos
reconheceram o protectorado alemo sobre o que se denominava
"Sudoeste Africano". Mas os Alemes tiveram de enfrentar fortes
sublevaes locais, que repliram com muita dureza. Conquistado pelos
Sul-Africanos em 1915. o pas passou em 1920 a mandato da frica do
Sul, que em 1944, foi includo no apartheid. A partir de 1966 tomou
corpo no pas um movimento de libertao SWAPO (South West African
People's Organization); a frica do Sul respondeu  sua aco em prol
da independncia do que denominou, a partir de 1968, a Nambia com a
criao de territrios autnomos, mas essas medidas foram rejeitadas
pelo SWAPO, que vem instigando, desde 1974, aces de boicote s
eleies.

Os Altos planaltos. entalhados ocupando o centro do pas, so
margeados a oeste pelo deserto costeiro de Namibe a Este, pela bacia
desrtica do Kalahari, um pouco mais hmidos cobertos pelas plantas
herbceas, concentram a maior parte de uma populao muito dispersa.
Esta. composta sobretudo de Bantos. compreende uma minoria de
brancos que controla a economia. A criao de (bovinos, ovinos e
caprinos  a principal actividade rural. pesca industrial 
desenvolvida na costa em torno do encrave de Walvis Bay Mas o pas
extrai o essencial de suas riquezas das minas de diamante cobre e
chumbo.

SUAZILANDIA (Ngwane) Estado da frica Austral

Com cerca de 17 000 Km2 e, 630 000 habitantes Capital Mbabane, o
idioma oficial  o ingls embora a populao fale dialectos bantos.
Sob o regime de Sobhuza I (de 1815 a 1836) e de Mswaizi (de 1836 a
1868), cls Bantos especificamente os Dlaminis, fundiram-se com os
Autctones; bateram os Zulus ao lado dos Boeres (1877), que
terminaram por ameaar a soberania da Suazilandia. O protectorado
britnico instaurou-se em 1902, com o apartheid. Tendo obtido a
autonomia interna em 1967, a Suazilandia tornou-se independente em
1968, com Sobhuza II como soberano; este instaurou um regime pessoal
em 1973. A parte Ocidental deste pequeno Estado, situado entre a
frica do Sul e o Moambique,  um conjunto montanhoso (Grande
Escarpamento) da parte Ocidental. O clima, tropical na estao seca,
permite o crescimento de arbustos ou da floresta, muitas vezes
degradada. A populao composta de Bantos, vive principalmente da
agricultura.  produo alimentcia (milho, milho-mido, sorgo) e 
criao de gado bovino juntam-se algumas culturas comerciais
(cana-do-acar, algodo). Mas o pas tira o essencial de seus
recursos do subsolo: exportao de ferro e amianto.

ZIMBABW (Rodsia do Sul) Estado da frica Austral

Ao Norte da frica do Sul com cerca de 389 300 Km2 e 8 140 000
habitantes, Capital Salisbria (Harare) (Rodsia e Zambia em tempos
formaram um bloco de participao na federao da frica Austral).
Idioma oficial--ingls A Rodsia ant. Estado da frica Oriental em
1980 converteu-se no Zimbabw Foi em 1895, que as regies ocupadas
pelos pioneiros de Cecil Rhodes tomaram o nome Rodsia, com Salisbury
como capital. Depois de vencidas as revoltas dos Matebeles
(1896-1897), a British South frica Campany explorou os recursos
naturais do pas, at 1902 alis, a Rodsia do Norte permaneceu sob
sua administrao antes de se tornar, em 1924, protectorado britnico
(Zambia a Niassalandia beneficiou-se desse Estatuto em 1911. A
Rodsia do Sul, aps um referendo s entre brancos (34 000 hab.),
portanto interdito aos Negros (770000), tornou-se colnia da Coroa
Britnica com governo autnomo (1923). O primeiro-ministro mais
popular, Sir Godfrey Huggins (Lord Malvern), constantemente reeleito
de 1933 a 1953 pelo Partido da Rodsia, embora condenasse o
apartheid, nada fez para dar aos Negros paridade com os Brancos.
Estes foram os nicos a beneficiar-se de uma espectacular
prosperidade econmica, fornecida por mo-de-obra barata vinda de
Niassalar dia, pobre, ou das reservas indgenas superpovoadas. Em
1953, a Niassalandia e as duas Rodsias foram englobadas em uma
Federao da frica Central. Esta, porm desfez-se em 1963: a
Rodsia do Norte proclamou-se ento Independente sob o nome de
Zambia. o mesmo fazendo a Niassalandia sob o nome de Malawi. A
Rodsia (do Sul) viu ento crescer uma posio negra conduzida pelo
Partido Nacional Democrtico, fundado em 1960, por Joshua Nkmo, e
que. proscrito, foi substitudo pela Unio do Povo Africano do
Zimbabw (UNAZ), c pastor Ndabaningi Sthole. Enquanto os dois
lderes negros eram postos em residncia vigiada, a Rodsia reclamou
de Londres a sua independncia, contudo a Inglaterra exige
primeiramente o fim do apartheid. Ento o chefe da Frente Rodesiana
Nacionalista, Ian Smith, proclamou unilateralmente a independncia da
Rodsia (11 de Novembro de 1965), isto apesar de Londres, que desde
ento tratou a Rodsia como colnia rebelde. A Repblica da Rodsia
nasceu em 2 de Maro de 1970 No reconhecida pela ONU, sem
representao diplomtica, boicotada pela Gr-Bretanha, a Rodsia,
ajudada pela frica do Sul, continuou a prosperar Mas a fuso em
1972, dos dois partidos Autctones num conselho Nacional Africano
reforou a oposio, a prpria guerrilha intensificou-se pela ajuda
fornecida pelos pases vizinhos, especialmente por Moambique. Tal
situao cada vez mais perigosa para os brancos, levou Smith a
entabular difceis negociaes com os nacionalistas africanos. As
negociaes empreendidas por Ian Smith, primeiro-ministro da Rodsia
com certos lderes nacionalistas moderados, culminaram em 1978 num
acordo do que previa a transferncia do pas  maioria negra. As
eleies de Abril de 1979 traduziram-se efectivamente pela criao de
um parlamento de maioria negra e o bispo negro Muzorewa tornou-se
primeiro-ministro. Mas, a entidade internacional contestou
amplamente o carcter democrtico dessa evoluo. Por iniciativa da
Gr-Bretanha, que restabeleceu provisoriamente a sua autoridade sobre
o pas, o acordo entre os insurrectos e Muzorewa levou a um
cessar-fogo, em Novembro de 1979. Novas eleies, em Fevereiro de
1980, foram marcadas pelo lder nacionalista R. Mugabe, de tendncia
socialista, que formou um governo. A Independncia de Zimbabw foi
proclamada em Abril de 1980. O pas estende-se sobre um conjunto de
planaltos cristalinos (Matabeland, Mashonaland) que se eleva a Este e
 limitado pelo vale do Zambeze, ao Norte pelo do Limpopo, ao Sul e
pela bacia de Kalahari a oeste. O clima tropical relativamente seco,
embora em Salisbury as precipitaes permitam o crescimento da savana
em alguns locais da floresta pouco densa. A populao composta em
grande maioria por Bantos, compreende uma minoria de 275 000
europeus. A densidade  baixa mas cresce num ritmo muito rpido,
superior a 3% devido  taxa de natalidade de Bantos. A populao
concentra-se em torno de Bulawayo e de Salisbury, as duas cidades
principais do pas, alis pouco urbanizado. A economia 
inteiramente controlada pela comunidade branca. Parte das terras 
dedicada  cultura tradicional de alimentos (milhete, milho), pelos
africanos. Mas as principais produes vm das plantaes
"europeias": fumo, algodo, cana-do-acar, ch, que fornecem com os
produtos da criao bovina, parte das exportaes sendo o restante
assegurado pelas riquezas do subsolo (ouro, cromo, amianto, ferro,
carvo). A energia elctrica  produzida pela barragem de Kariba, no
rio Zambeze, mas a industrializao permanece limitada.

@Cecil Rhodes

Cecil Rhodes, foi outro dos homens. que entraram na Histria de
frica:defensor das anexaes colocou a Inglaterra em lugar
privilegiado no (Continente Negro. Viveu 49 anos (nasceu em
Bishop-Stortford em 1853, e morreu em Muizenburg, em 1902) e esse
tempo foi o bastante para que se compactuasse com o rei negro
Lobengula, com domnio sobre o territrio Norte do Limpopo, que logo
se chamou Rodsia. A frica do Sul fascinava-o com o visionamento dos
metais extrados das minas dominando-o de maneira obsessiva.
Lanou-se para o Cabo, envolveu as suas empresas mineiras com a
poltica e, convenceu-se que o melhor modo de colonizar o Continente
Negro era a anexao. O "meu pas", dizia aos Africanos, "trar as
conquistas da civilizao, mas, antes devemo-nos unir. A frica e a
Inglaterra sero uma s e nica coisa". Os discursos habitualmente
apresentados, fascinavam os habitantes do Continente. A consequncia
de um desses discursos foi a anexao de Mafeking, que a Inglaterra
ocupou em seguida. Um jornalista perguntou a Rhodes o que pensava
fazer com a cidade, "uma segunda capital inglesa"--respondeu o
aventureiro. Eram as promessas douradas, como diziam os antigos,
migalhas que os autctones engoliam para no enfurecerem o senhor de
pele branqussima. Porque Rhodes tambm era violento, e quando se
irritava apelava para todo o gnero de represlias. Em 1889, em
troca da fundao de uma grande empresa para o intercmbio comercial
do territrio ocupado pelos Portugueses ao Norte da Bechuanalandia,
prometeu a ferrovia e o telgrafo, que s chegavam a Kimberley e a
Mafeking. Obteve a soberania da regio para desgosto dos
Portugueses, porque nestes assuntos Rhodes era inflexvel. No
prometia nem fazia nada, que no trouxesse em troca uma vantagem
considervel para o seu pas. Esse pacto de intercmbio levou-o,
entretanto a traar uma estrada de 600 quilmetros, que inclusiv
teve um forte a que chamou Salisbury. Esta localidade, com o seu
edifcio levantado para conter o ataque dos autctones
transformou-se, em 1890, na capital da Rodsia. Cansados desse
colonizador, os Matabeles, como na poca de Khasna, lanaram-se
contra os Ingleses mas, as hostes de Rhodes derrotaram-nos; este,
tempos depois em 1892, alcanou o posto de primeiro-ministro da
colnia do Cabo. A partir desse instante, a frica do Sul ficou nas
suas mos, ingleses e autctones ficaram submetidos s suas
disposies. A liberdade e as garantias constitucionais eram simples
conceitos, que passavam previamente pelo seu gabinete. Mais que um
ministro parecia um fundador de um pas inexistente; os Boeres,
entretanto conspiravam perto dali e, Rhodes no pode conter esta
outra guerra.

194

@REPBLICA DA ZAMBIA (Rodsia do Norte) Estado da frica Austral

Membro do Commonwealth, com cerca de 746 200 Km2 e, 6 550 000
habitantes. Capital Lusaka. Idioma oficial--ingls. No comeo do
sculo XIX o pas era um mosaico de povos dentro do qual sobressaiam
trs organizaes unitrias: a dos Bembas, a dos Lozis e o reino do
Kazemb. Tais populaes viram-se expostas a invases de Kolonos e
Ngonis, ao passo que os rabes, vindos da costa, introduziram o
trfico esclavagista.  penetrao europeia definiu-se com as
investigaes de Livingstone (1851-1873), em 1890, a British South
frica Company (de Cecil Rhodes) assinou com Lewanika, rei dos Lozis,
um acordo que lhe concedia a exclusividade dos direitos comerciais e
de minerao. Em 1911, todo o conjunto situado ao Norte do Zambeze,
unido administrativamente sob o nome de Rodsia do norte passando em
1924  condio de protectorado da Coroa. Em 1948, surgiu um
 movimento nacionalista, o Congresso que encontrou o seu lider no
professor Kenneth Kaunda (nascido em 1924). A minoria Europeia,
inquieta acreditou, que lhe seria benfica uma frica Central,
federao que agrupou as duas Rodsias e a Niassalandia (1953) e onde
se estabeleceu de facto o regime do apartheid. As revoltas ocorridas
em 1959 na Niassalandia obrigaram os britnicos a libertarem Kenneth
Kaunda. agora lder do United National Independence Party (UNIP), que
obteve a dissoluo da Federao (1963) e depois a proclamao da
Independncia da Rodsia do Norte com o nome de Zambia (1964). Desde
ento esse Estado est dotado de um regime presidencialista encarnado
em K. Kaunda, que se esfora por promover, no contexto de uma
democracia participante baseada em seu partido nico, um "socialismo
humanista" e um neutralismo positivo.  A Zambia  um conjunto de
planaltos de altitude mdia, alteia-se a Este, nos montes Muchinga,
que dominam as fossas da fenda rochosa africana. O clima tropical,
temperado pela altitude, permite o crescimento da floresta, que no
entanto j foi quase totalmente degradada em savana. A populao
Banta pouco densa, dedica-se a lavouras de subsistncia de milhete e
sorgo, associadas a uma criao bovina extensiva. As lavouras
comerciais (tabaco, caf) localizam-se nas plantaes criadas pelos
antigos colonos Europeus. Mas a economia depende fundamentalmente da
indstria extractiva: o subsolo contm mangans, chumbo, prata, zinco
e sobretudo cobre de que Zambia  um importante produtor mundial (700
000 toneladas). Algumas fbricas de tratamento de minrio foram
implantadas perto dos locais de extraco, mas na sua maioria os
produtos so exportados em bruto. O pas ressente-se da ausncia de
um escoadouro martimo e o seu intercmbio comercial efectua-se
principalmente pelo porto de Dar-Es-Salaam na Tanznia, servido por
via frrea.

"... Ajudai (as crianas) a desempenharem o seu papel na nossa grande
famlia. E acima de tudo. deixai-as ensinar-vos o que se calhar
tinheis esquecido--a compreenso. a tolerncia, a amizade, a paz, a
fraternidade e acima de tudo o amor". So frases de Kenneth Kaunda
em: Hlne Gratiot-Alphandry, le droit  um nom et  une patrie, le
Courrier Unesco, Paris, 32 (8)


@REPBLICA DO MALAWI (Niassalandia) Estado da frica Austral

Com cerca de 120 000 Km2 e, 6 180 000 habitantes quase todos Bantos,
distribudo em tribos; capital Zomba antiga, Lilongwe actual. Os
seus habitantes como no contam com riquezas minerais emigram j que
por um lado a agricultura no oferece possibilidade estvel e, por
outro  uma populao desintegrada. O idioma oficial  o ingls,
embora falem o myanja, o tumbuco e o Jao; a maior parte  pag e, a
religio muulmana  a que predomina, a seguir a catlica e,
finalmente Anglicanos e Hindus. Embora Malawi seja um pas pobre, em
vegetao  rico. Um imprio Marawi (Malawi), que no era mais de
que uma federao de tribos, desagregou-se no sculo XIX sob o efeito
de dupla invaso dos Ngonis da frica do Sul e dos Yaos de
Moambique. Percorrendo este pas (1858-1863), D. Livingstone deu ao
lago de Malawi o nome de Niassa, em seguida o pas dos Malawis foi o
ponto de partida de intensa actividade missionria. A era colonial
abriu-se em 1889, quando o administrador Hany H. Johnston (1858-1927)
fez tratados de protectorado com os chefes autctones. Em 1907. a
Niassalandia britnica teve as suas fronteiras delimitadas. Em 1953
na Federao da frica Central, foi trabalhada pelo movimento de
Independncia conduzido pelo Congresso Africano de Niassalandia, cujo
lder era Hastings Kamuzu Banda. Em 1958, recebeu verdadeira
autonomia; Independente em 6 de Julho de 1964, tornou-se o Malawi,
erigido em Repblica, presidida por H. K. Banda, proclamado
presidente perptuo em 1970, apoiando-se num partido nico, o Partido
do Congresso do Malawi. O pas estende-se por um conjunto de altos
planaltos dominando no Este uma estrutura da crosta terrestre, que
constitui a terminao meridional das fissuras africanas e que 
ocupada pelo lago Malawi. O clima, tropical na estao seca, 
temperado pela altitude. Permite o crescimento da floresta que foi
quase em toda a parte reduzida a savana arborizada. A populao de
Bantos,  essencialmente rural, (a nica cidade importante 
Blantyre) e concentra-se no Sul do pas. O milho constitui, a base da
produo de subsistncia, sendo o arroz cultivado nas regies baixas.
As culturas comerciais fornecem o essencial das exportaes: ch,
tabaco, amendoim, algodo. A pesca  praticada no lago Malawi. A
industrializao permanece limitada  transformao de produtos
agrcolas, e numerosos habitantes tm de emigrar para a Zambia e
Zimbabu e (Rodsia) em busca de trabalho. O pas, cujo balano
comercial  deficitrio, sofre da ausncia de uma sada martima.

@REPBLICA POPULAR DE MOAMBIQUE Estado da Costa Oriental da frica
Austral

Com cerca de 785 000 Km2 e, 13 200 000 habitantes. Capital Maputo
(Loureno Marques), o idioma oficial  o portugus, embora falem
dialectos bantos. Faz parte da sua rea o enorme lago Niassa; o
litoral  banhado pelo canal de Moambique (1), que separa o pas da
ilha de Madagascar, esta no Oceano ndico. Na parte meridional
encontra-se a Baa de (De lagoa) Lagoa descrevendo uma curva e
fechando-se no Golfo de Sofala onde a Nordeste fica a Baa de Mocambo
(2). Um dos rios mais importantes o Zambeze, que penetra no
territrio na altura de Zoumba, recebe o Konocki, forma cascatas e
desemboca ao Sul de Quelimane, formando um delta depois de atravessar
o centro do pas. A populao  formada pelos Vtuas, Chopes e
Matabeles que constitui a maioria absoluta; a religio que conta
maior nmero segue cultos pagos. Foram os Bantos que repeliram os
primeiros habitantes Bosqumanos. Em 1490, o primeiro Portugus
chegou ao pas, por onde passou tambm Vasco da Gama. Em 1502 havia
ali uma Feitoria Portuguesa, instalada na ilha de Moambique; em
1505, foi construda em Sofala uma Fortaleza. Em 1561, os
missionrios Portugueses converteram o Monomotapa; mas a violenta
reaco dos Muulmanos provocou uma expedio militar portuguesa, que
foi dizimada (1569) . Desde ento, a penetrao portuguesa seria do
tipo comercial, pois os conflitos interafricanos permitiram aos
Portugueses inserir-se no pas atravs do sistema de concesses. Em
1544, Loureno Marques fundou a cidade que teria seu nome. Em 1752
cria-se a capitania-geral de Moambique separando-o do governo da
ndia, em 1763 a colnia tem um estatuto original. A partir de ento,
por um lado, fomenta entre os colonos a cultura de espcies
caractersticas de zonas tropicais importantes: mandioca, caf,
cana-de-acar, os citrinos e o cajueiro. Por outro lado, surgem
tentativas para ligar as duas costas a de Moambique e a de Angola,
as terras do mapa cor-de-rosa. Na conferncia de Berlim em 1885 foi
decidido que os Portugueses teriam de deixar essas terras
(actualmente Rodsia e Congo ex-Belga) as quais em 1890 a Inglaterra
exigia a sua posse  partida para a criao dum grande domnio
Europeu na frica Austral. No comeo do sculo XIX, o domnio
Portugus era ainda precrio, as pretenses Inglesas avolumaram-se
nas fronteiras meridionais. Mais tarde os Alemes ocupariam a Baa de
Kionga. Alis, os limites da Colnia Portuguesa s foram fixados em
1893; a crise poltico-financeira que grassou em Portugal na passagem
do sculo permitiu at que as potncias coloniais rivais chegassem a
pensar numa partilha de Moambique. Este permaneceria portugus mas 
custa de repetidos choques com a populao autctone.

(1) Mussa-bin-Mbiko. Sulto da ilha de Moambique deu o seu nome 
dita ilha. (2) A Norte existem ainda as Balas de Nacala e Pemba
sendo esta importante na Histria de Moambique no perodo de
influncia rabe e tambm por ser considerada a terceira mais bonita
do mundo e a segunda em condies de navegabilidade ,

Gungunhana senhor das terras de Gaza

Na Histria da Resistncia de Moambique, destaca-se Gungunhana chefe
dos Vtuas uma das tribos que mais lutaram na Histria da Resistncia
de Moambique. Gungunhana senhor das terras de Gaza, contra o qual
foi enviada em 1895 uma expedio pelos Portugueses, resiste aos
combates de Marracuene, Mogul, Coolela e outros. At que-preso por
Mouzinho de Albuquerque em Chaimite,  levado para Portugal,
encarcerado em Monsanto--de onde mais tarde  transferido para os
Aores, onde morreu cerca de 1906. Aps a pacificao, o
desenvolvimento econmico do pas beneficiou sobretudo os
capitalistas Ingleses e Belgas. Quando Tanganica se tornou
Independente em 1961, uma slida organizao Nacionalista
implantou-se em Moambique (Frelimo) de Eduardo Mondlane (1961-1969)
e iniciou as suas operaes de guerrilha em 1964, com o que contou
com a Resistncia Portuguesa. Em 1972, uma lei orgnica transformou a
"provncia" de Moambique em Estado dotado de uma Assembleia Eleita
essa medida no interrompeu a Guerra de Libertao. Foi a mudana de
regime em Lisboa, em Abril de 1974, que precipitou os acontecimentos.
Em 7 de Setembro um Acordo com a Frelimo foi um preldio 
Independncia, esta efectivou-se em 25 de Junho de 1975, Moambique
tornou-se ento Repblica Popular, tendo como presidente o chefe da
Frelimo, Samora Moiss Machel*. As obras da Barragem de Cabora Bassa
(1), situada no rio Zambeze e iniciadas a cargo dos Portugueses esto
ainda em curso. A vasta plancie costeira que orla o Oceano ndico
eleva-se progressivamente para o ocidente atravs de uma srie de
planaltos que atingem 1000m de altitude na fronteira Zimbabwense. O
clima tropical cuja durao aumenta em direco ao Sul com
temperatura amena, embora exista algumas diferenas, permite o
crescimento da savana, que cobre a maior parte do territrio passando
 floresta rasteira ao longo dos rios Zambeze, Limpopo e Incomati. A
populao concentra-se na regio costeira, sendo esta ainda pouco
urbanizada. A agricultura ainda  o sector essencial da economia. Ao
lado da policultura e subsistncia tradicional (milho, mandioca),
existem plantaes (desenvolvidas durante a Colonizao Portuguesa),
que fornecem produtos destinados  exportao: algodo,
cana-de-acar, coqueiros (copra) (2). Os recursos do subsolo so
pouco explorados, e a indstria limita-se  transformao dos
produtos agrcolas. A flora com vrias espcies de palmeiras, o
coqueiro--que cresce nas zonas costeiras e a tamareira--que eleva a
sua figura esguia nas proximidades das vias fluviais; tambm os
cedros, pau-rosa, bano, (baob) imbondeiros, carvalho, bambu e nas
regies mais secas predominam as accias rubras bem como os arbustos.
A fauna  o motivo da atraco da caa em frica, tambm em
Moambique  extensa e variada: panteras, leopardos, lees,
elefantes, rinocerontes, bfalos, antlopes e zebras etc., a grande
quantidade de macacos que habitam as regies das florestas e, os
crocodilos, tartarugas e lagartos nos rios; os (ofdios) cobras e a
sua relao com os insectos: gafanhotos, escorpies, formigas dos
mais diversos tipos e a perigosa mosca ts-ts que transmite a doena
do sono cujo vrus tambm pode ser transmitido atravs do crocodilo
este como agente transmissor da doena do sono--descoberta de Robert
Koch. Fazem parte da fauna as aves marinhas. No campo-base da
economia, embora o solo cultivado representa cerca de 3% da sua
superfcie, a economia de Moambique baseia-se fundamentalmente nos
produtos agrcolas: arroz, milho, amendoim, gergelim o ch e outros:
os cultivos da cana-de-acar nos vales do Limpopo Incomati e Buzi: o
algodo. os cocos; a madeira pau-rosa, cedro so o forte da
exportao deste pas. Por outro lado, como mais de 50% do pas est
coberto de pastos. a pecuria constitui grande importncia. A
actividade pesqueira (2)  rica e, a mineira limita-se  extraco de
carvo bauxita, mica, cassiterita, sal gema e quantidades
desconhecidas de ouro embora se tenha comprovado a existncia de
urnio e amianto, fluorita: a turmalina e reduzida. As poucas
indstrias dedicam-se a transformar os produtos agrcolas. Os Portos
tm grande importncia para a exportao dos produtos: as vias de
comunicao: sistema ferrovirio, as rodovias e aeroportos que unem
Moambique com o Mundo.

Aps a morte de Machel, no desastre areo de 1986, foi seu
sucessor--Joaquim Chissano.

Cahaora Bassa (quer dizer--garganta apertada). (

2) O maior coqueiral da frica (Zambeze).

() Zona do Gorn (Zambzia).

(2) Devido  influncia da corrente quente do Canal de Moambique
toda a costa  rica em peixes e crustceos (exportao de camaro).

@REPBLICA DEMOCRTICA DE MADAGSCAR (Malgaxe) Estado constitudo
pela ilha de Madagscar no Oceano ndico

Com cerca de 587 000 Km2 e, 9 729 000 habitantes. Capital
(Antananarivo) Tananarive . Madagscar  uma das maiores ilhas do
mundo, separada da frica, pelo canal de Moambique, de origem
vulcnica  constituda por montanhas e, por trs regies climticas
com grandes florestas. A sua populao  de origem tribal e embora
sejam chamados malgaxes, pertencem a diferentes tribos-destas a
malgaxe  a mais importante; (malgaches) a religio predominante  o
cristianismo. O idioma oficial  o malgaxe, mas tambm falam o
francs e numerosos dialectos. Os habitantes so chamados Malagueses.
As mulheres tm a tendncia de se manterem castas, tabu principal da
vida social malgaxe. O povoamento malgaxe resultou da mistura de um
povo negro-africano com outro. indonsio. No sculo XII os rabes
instalaram-se na costa Ocidental. Desde o ano 1500 os Portugueses iam
 ilha; em seguida vieram os Holandeses e depois os Ingleses, que em
1644 fundaram uma feitoria de curta durao. Os Franceses criaram, em
1642-1643, uma feitoria mais durvel, Fort-Dauphin. que teve certa
prosperidade mas foi abandonada em 1674. Madagscar. abandonada
pelos Europeus, tornou-se um covil de piratas e uma reserva de
escravos. Nessa poca estava dividida em reinos de constituio
tribal. Foi o reino Imerina que tomou a iniciativa da unificao da
ilha, cerca de 1787. o rei Andrianampoinimerina (m. 1810) transferiu
a capital para Tananarive. Seu filho. Radama I (de 1810 a 1828),
obteve da Inglaterra instalada na ilha Maurcio. o ttulo de rei de
Madagscar; quando morreu, a maior parte da ilha estava aberta ao
comrcio exterior e dependia de Tananarive. Em compensao,
Ranavalona I (de 1828 a 1861) exerceu uma poltica de reaco
xenfoba, e o verdadeiro "renascimento" malgaxe data do reinado de
Radama II (de 1861 a 1863), que multiplicou os tratados comerciais
com o Ocidente favoreceu as misses crists. Essa tentativa de
abertura e de modernizao foi continuada por Rasoherina (de 1863 a
1868), Ranavalona II (de 1868 a 1883), que se converteu ao
protestantismo (1869) e, Ranavalona III (de 1883 a 1895), cujos
reinados foram dominados pelo todo-poderoso ministro Rainilaiarivony,
tambm ele convertido ao protestantismo pela influncia
anglo-saxnica. Mas as aspiraes dos colonos da ilha da Reunio e
as queixas dos grupos catlicos determinaram a interveno da Frana
em 1883. Como a Frana tivesse deixado os Ingleses  vontade no
Egipto, Londres permitiu, que os Franceses agissem na Grande ilha que
em 1885 foi colocada sob o seu protectorado. Em 1895, a expedio de
Duchesne levou  deposio de Ranavalona III e  colonizao directa
da ilha pela Frana.

202

A actuao do general Gallieni, governador de 1896 a 1905,
impulsionou o progresso econmico e demogrfico de Madagscar, que no
decurso da primeira metade do sculo foi dotada de infra-estrutura
escolar, administrativa, ferroviria e rodoviria. A oposio
nacionalista s se manifestou, realmente, depois da Segunda Guerra
Mundial, quando a ilha j possua uma representao parlamentar e se
tornara territrio Ultramarino Francs (1946). Em 1947-1948 uma
violenta rebelio ensanguentou o Este da ilha, e foi duramente
reprimida; o Movimento Democrtico pela Renovao Malgaxe (M.D.R.M.),
considerado o principal responsvel pelo incidente, foi perseguido.
Quando em 1956 a ilha recebeu certa autonomia, Philibert Tsiranana
tornou-se o chefe do executivo. Dentro do contexto da Comunidade
(1958), foi outorgada uma Constituio Republicana, Tsiranana foi
eleito presidente (1959) de uma Repblica proclamada independente em
27 de Junho de 1960. Tsiranana--apoiado no Partido
Social-Democrtico, foi amplamente maioritrio.Imediatamente aps sua
reeleio (1965), esta poltica provocou uma repulsa crescente,
censurando-o a oposio pelo bipartidarismo formal e pelas
discriminaes mantidas: uma revolta dos camponeses (1971) foi
severamente reprimida. Reeleito em 1972, Tsiranana enfrentou a
insatisfao estudantil: outorgou, em Maio plenos poderes ao general
Ramanantsoa, que concedeu uma amnistia ampla e tirou Madagscar da
influncia francesa mas, no chegou a resolver as dificuldades
econmicas. Depois da exonerao de Ramanantsoa em Fevereiro de
1975. o poder ficou com os militares, que orientaram o novo regime
para o socialismo. sob a direco de Didier Ratsiraka. Este, em 15 de
Junho de 1975. foi investido na chefia do Estado e do governo,
recebendo apoio da esquerda: em 30 de Novembro de 1975, Ratsiraka
proclamou a segunda Repblica Malgaxe. Em 1977. a chefia do governo
passou ao primeiro-ministro Desir Rakotoarijoana, permanecendo
Ratsiraka como presidente. A maior parte da ilha Madagscar fica sob
um terreno de planalto de origem grantica, s vezes coroado de
macios vulcnicos. A Este. h uma estreita plancie costeira, e a
Oeste o planalto  flanqueado pelas bacias sedimentares de Majunga e
de Morondava, onde predominam o arenito e o calcrio e nas quais se
desenvolveu um relevo. A ilha fica inteiramente na zona tropical e
tem clima quente. temperado pela altitude. A influncia dos ventos
alsios de Sudeste  o motivo de contraste existente entre as duas
vertentes. A vertente Oriental. exposta aos ventos e onde chove
muito (3562 mm de chuvas em Tamatave).  coberta por uma floresta
densa. A vertente Ocidental, protegida e muito mais seca (1567mm em
Majunga), apresenta florestas mais abertas, savanas, e, no Sul
cerrados. A populao  composta por diversos grupos malagaxes. Em
mdia,  pouco densa e tambm pouco urbanizada. Est concentrada nos
planaltos, em tomo de Antananarivo e em vrios pontos da costa
(Tamatave, Diego Surez, Majunga). Vive basicamente da agricultura; o
arroz, cultivado em campos irrigados,  a base da alimentao, que
est associada  mandioca, ao milho e sobretudo  criao de gado de 
Zebu.

As culturas comerciais (caf, cana-de-acar, baunilha e
cravo-da-ndia) fornecem o suporte da exportao. A pesca, em bases
artesanais  um recurso complementar. O subsolo  rico em jazidas de
cromita, mica, grafite, urnio e pedras preciosas. O desenvolvimento
comercial ainda  limitado, principalmente pela insuficincia de
meios de comunicao. O pas precisa de importar bens de consumo e
equipamento em geral.

@FRICA ORIENTAL

Estende-se entre os trpicos, ao longo do Oceano ndico o que permite
a relao com a sia do Sudoeste. A influncia inglesa foi durante
muito tempo um elemento unificador, facilitado pelas direces
maiores do relevo e da hidrografia (Alto Nilo grandes fracturas,
macios vulcnicos e grandes lagos). O conjunto da frica Oriental 
dominado entre Altas Terras com paisagens variadas: savana,
floresta, montanhas e colinas s vezes cobertas de lavas ou edifcios
vulcnicos; Lagos e rios; Vulces: Kilimandjaro, Kenya, cadeia de
Virunga. Grande variedade climtica em funo da altitude; quanto
mais altas mais frescas as florestas; precipitaes irregulares. Por
outro lado, nota se diferenas regionais: a Norte o Imprio da
Etipia em altos planaltos e com origem tnica e religiosa
especfica. A Somlia, deserta, mais ao Sul domnio dos pastores,
Tuskana e Nandi no Kenya, com forte densidade, rene muitos pequenos
Estados Polticos. Ao Sul Estados diferentes, Moambique ex-tutela
portuguesa; Zambia quarto exportador mundial de couro, para alm de
outras riquezas. Ocupada pelos rabes desde a Idade Mdia, a costa
da frica Oriental foi disputada pelos Portugueses no sculo XVI e
XVIII. Deste perodo restam as minorias rabes e Goanesa e o papel do
Islo sobre a costa. As exploraes comearam cerca de 1850 e, foi s
no fim do sculo, que Britnicos e Alemes partilharam o espao
Este-Africano (1886 1890). Deram se mudanas onde existem maior
influncia Europeia. a S.D.N. (1) confiou o Tanganhica  Gr-Bretanha
e o Ruanda Urundi  Blgica. que o ligou ao Congo Belga. Nesta parte
da frica nota-se grande diversidade tnica mais ao nvel da lngua
do que caracteres fsicos; existem quatro grandes grupos: Pigmeus.
Bantos (j agricultores mais ou menos numerosos); Nilotas (pastores).
Hamitas, pastores Nmadas, prximos dos Somalis (2) Os pases
situados na frica Oriental so a Tanzania (Tanganhica e Zanzibar),
Burundi, Qunia, Jibuti Djibuti (Afar e Issas), Somlia. Sudo e
Etipia (Abissnia).

(1) Sociedade das Naes. (2) OS Suaili (ou Sauili)--que hoje do o
nome a um idioma africano--foram originariamente um povo de
marinheiros que dominou toda a costa oriental africana. Possuam uma
cultura prpria e abraaram o islamismo. Faziam a ligao do ocidente
com o oriente, pois comerciavam com a india e a China (em 1414 uma
pintura chinesa mostra-nos o imperador junto de uma girafa africana).
Em 1200 tiveram o seu apogeu, mas a partir do sculo XVI, com a
chegada e fixao dos portugueses, entram em declnio.

@REPBLICA UNIDA DA TANZANIA (TANGANICA E ZANZIBAR) Estado da frica
Oriental

Membro do Commowealth com cerca de 939 700 Km2 e, 24 000 000 hab.
capital-Dar-es-Salam. Idioma oficial--Sauli e ingls. Quase todo o
pas  acidentado sendo comum as alturas superiores a 1500 m, nele
existe o ponto mais alto de frica--monte Kibo 5993 m na montanha
Kilimanjaro (Uhuru) e ainda os montes Livingstone. Entre os rios
destaca-se o navegvel Rufiji seguido pelo Rovuma, que marca a
fronteira com Moambique; tambm o Kalambo  digno de meno, que ao
desembocar no lago Tanganica forma a espectacular catarata de
Kalambo--215m de altura. A Tanzania foi remotamente ocupada e, a
regio prosperou desde o sculo XII, graas s cidades mercantis da
costa: Kilwa e Zanzibar. O litoral portugus a partir de 1498,
passou em seguida s mos dos sultes de Om (1752): um deles
instalou-se em Zanzibar em 1832 e fez-se reconhecer pela Inglaterra.
Os portos do Continente--Tanga, Bagamoyo, Lindi--prosperaram com o
apoio dos financeiros indianos e dos negociantes ocidentais. No
interior. a penetrao rabe foi rapidamente substituda pela dos
Europeus (Livingstone. Stanley, etc.) atrados pelos Grandes Lagos.
A partir de 1886, o sultanato de Zanzibar--protectorado britnico a
partir de 1890--ficou reduzido a uma estreita faixa litoral, sendo o
interior partilhado entre Alemes e Britnicos, que exploravam o
sisal. A Primeira Guerra Mundial ps fim  dominao Alem. e a
antiga frica Oriental Alem tornou-se o territrio de Tanganica,
confiado em mandado aos Britnicos pela Sociedade das Naes (1922).
Entretanto, um movimento de Independncia multiracial ampliou-se em
decorrncia da aco de Julius Nyerere, lder da Unio Nacional
Africana de Tanganica (TANU); as vitrias eleitorais dessa formao.
em 1858 e 1960 culminam na independncia, concedida em 1961.
Presidente da Repblica em 1962, J. Nyerere anexou o Zanzibar a
Tanganica, o que deu origem  Tanzania (1964): instaurou ento
(1965-1967) un regime de tipo socialista. Em 1979, as foras
tanzanianas deram o seu apoio aos opositores ugandeses para pr fim
ao regime ditatorial de Idi Amin Dada Zanzibar a "Prola da frica"
denominao que se deve aos rabes. que na Ilha se estabeleceram em
tempos remotos e, constituram o principal grupo no autctone da sua
populao: como foi um protectorado no ingls at 1963 ano em que
logrou sua autonomia para unir-se depois com a Tanganica e formar a
Repblica da Tanzania em 1964, era portanto uma das provincias
britnicas da frica Oriental Inglesa. A sua jurisdio abrangia a
ilha de Zanzibar e outra ilha adjacente a 48 Kn chamada Pemba, as
duas constituiam um territrio. A costa Oriental de Zanzibar 
escarpada e bastante rida; a costa Ocidental pelo contrrio, tem
rvores e pntanos e o solo de aluvio  frtil. Por outro lado, esta
costa apresenta muitas colinas possuindo baas profundas de fcil
acesso  navegao, estas baas contm um grande nmero de pequenas
ilhas que fazem despertar a vocao martima nos seus habitantes.
Zanzibar  uma das mais frteis regies de frica, produz:
cana-de-acar, sorgo, mandioca, pimenta, etc. Os donos das
indstrias maiores so rabes, economicamente menos poderosos esto
os Negros Swahilis. Os rabes so maometanos Sunitas e na poca do
protectorado ingls, o Sulto que os governava e quase todo o seu
squito pertenciam  seita de Ibadhi. A maior parte das indstrias de
Zanzibar so do cravo-de-cheiro o mesmo de Pemba--a tal como que so
considerados os grandes fornecedores desse produto no mundo.

@DAVID LIVINGSTONE Entre os grande investigadores da frica

Entre os grandes investigadores da frica, ligados tambm  Histria
da Tanzania os que abdicaram de uma vida tranquila para penetrar nas
selvas, nos seus pntanos, nas areias de fogo, na sede e na
fome--esto os irmos Gautier, A. G. Laing, Anthony Fergunson e o
bondoso David Livingstone que so alguns dos nomes de um quadro
herico que a Histria recorda para honra da civilizao. De todos
eles, David Livingstone foi talvez, a figura mais pura--o
investigador. que levou por um lado, a faca para abrir o caminho
entre as rvores fechadas e, por outro, a verdade de um Deus que os
Negros desconheciam. Nasceu em Blantyre, Esccia, em 19 de Maro de
1813. Aos nove anos foi aprendiz de fiao; inteligente, de grande
persistncia, estudou sempre e como pde; levava os seus livros 
fbrica e lia-os enquanto trabalhava. O esforo era duplo, sem se
prejudicarem mutuamente, a letra e a aco filtravam atravs da sua
capacidade de aprender e, desta maneira, formou-se em Medicina. O
mesmo modo de agir (trabalhar e estudar a um s tempo) levou-o a
obter a sua graduao em Teologia. Com ambos os ttulos mdico e
missionrio, inscreveu-se na Sociedade das Misses, de Londres, da
foi mandado para a frica lugar onde os seus sonhos de redeno e os
seus ideais em favor dos Africanos--vendidos e reduzidos  escravido
num comrcio aviltante, que ia aumentando--concretizaram-se
definitivamente . Dobrou o Cabo da Boa Esperana, depois, passou por
Algoa e deteve-se em Kuruman. A, com a mesma tenacidade com que
estudava na sua terra natal, dedicou-se a aprender o idioma dos
Bechuanas. Depois, prosseguiu atravs da selva, at s regies do
Norte, onde teve contacto com os Bakuenas, que significa "gente dos
crocodilos". Isto aconteceu em Litobaruba, de onde partiu para
explorar caminhos desconhecidos, selvas imprecisas, que se levantavam
como signos imbatveis da frica. Em pouco tempo, regressou a
Kuruman. Conheceu Maria, Filha de Moffat, outro esforado paladino,
que levou a bbla a essas regies to distanciadas; casa-se com
Maria e, funda uma misso em Mabotsa. Primeiramente, teve que lutar
com os lees, que assolavam a provncia. Num desses encontros,
inutilizou o seu brao esquerdo. Pronunciou o Evangelho, convertendo
ao cristianismo Sechele, chefe negro de Kolobeng, que abjurou a magia
e as suas mulheres, ficando somente com uma, ante a indignao dos
outros chefes. Construiu uma Igreja e oficiou durante trs vezes por
semana, ante o assombro da gente africana que via nele o Homem Bom,
como diziam. Enquanto impunha as lies do Evangelho e socorria os
enfermos, investigava os angustiosos labirintos da frica e
enfrentava os Boeres, vindos da Repblica do Transval. Duas vezes se
ausentou da sua misso e outras tantas vezes a encontrou destruda,
com os livros que constituiam seu acervo. Mas duas vezes e muitas
outras levantou edificaes e prosseguiu a sua aco de investigador
e civilizador. Enviou a sua famlia a Londres (j tinha 3 filhos
africanos de Maria), e em 1851, investigou a regio dos africanos
makolos em Secheke e descobriu o rio Zambeze. Trs anos depois
chegou a Chinte, com o squito de africanos que o seguiam fascinados.
Ali contraiu uma febre maligna, mas recuperou-se e, a 12 de Dezembro
de 1856 regressou a Londres, onde foi recebido pela rainha Vitria.
Aproveitando a oportunidade somente pediu  rainha apoio ao seu
esforo para acabar com a escravido dos Negros. A rainha atendeu o
seu pedido e enviou-o, como diplomata, a Zanzibar. Ao voltar a frica
penetrou na selva perdendo-se nela atravs das demonacas
encruzilhadas, consternando o Ocidente que o deu como morto, todavia,
Livingstone continuava vivo. Quem o encontrou foi o jornalista Henry
Moreland Stanley, o Herald de Nova York, que havia chegado  frica
com o propsito de o procurar, isto aconteceu em 1871. Agora ambos
unidos e aps superadas as febres malignas, exploraram o Norte do
lago Tanganica. Depois, Livingstone parte  busca das fontes do Nilo
e, em 1873, chegou a Chitambo, novamente com rumo perdido. Ali no 1.
de Maio de 1873, morreu ajoelhado ao lado da sua cama de ervas. Chuma
e Suzi, dois africanos que o acompanharam durante os seus anos de
pobreza, embalsamaram-no e, enviaram o seu corpo a Londres, onde foi
sepultado na Abadia de Westminster. No entanto, o corao e as
entranhas foram enterradas ao p de uma rvore em Chitambo, onde
esto gravadas estas duas linhas: David Livingstone 1. de Maio de
1873

"Coqueiristas do deserto"

Foi em Zanzibar ao iniciar a expedio s nascentes do Nilo que
Livingstone e Mogueh originaram os "coqueiristas do deserto", para
resolverem o problema da falta de gua, que cheia de impurezas em
algumas zonas, embora sugada atravs de bambus ocos (recurso empregue
entre Bosqumanos e Pigmeus) provocavam a peste-comum em frica;
Livingstone aceitara a ideia do seu amigo Mogueh de juntar 
caravana, um destacamento especial, apenas com a funo de
transportar cocos e, durante a viagem reabastecer-se deles, para que
a gua do coco solucionasse a falta de gua potvel. Foi Livingstone
e Mogueh em Zanzibar que a partir da deram origem aos "coqueiristas
do deserto".


@REPBLICA DO BURUNDI Estado da frica Oriental

Com cerca de 28 000 Km2 e 4480 000 habitantes. Falam o kirundi e o
kiswahili, mas o idioma oficial  o francs. A capital--Bujumbura,
(Usumbura) tem um importante aeroporto e, nas guas de Tanganica h
um intenso trfego, que liga este pas  Tanzania e ao Congo.
Burundi  um dos raros Estados africanos que existiu tal qual antes
da colonizao O reino cuja dinastia poderia remontar pelo menos ao
sculo XVII, goza at de uma unidade lingustica atravs do kirundi,
lngua banto, suporte de uma refinada literatura oral e do francs.
No sculo XIX, o soberano mais notvel foi Mwezi Gisabo. O pas faz
parte da frica Oriental ex-Alem a partir de 1892. De 1916 a 1962,
formando com Ruanda o Ruanda-Urundi, esteve na rbita do Congo Belga,
com o estatuto de "mandato B" 1923), depois com o de "pas sob
tutela" (1946). Em 1959, o Burundi foi dotado de um regime autnomo.
Adquiriu a Independncia no 1. de Julho de 1962. Em 1966 foi
abolida a realeza, que deu lugar  Repblica (28 de Novembro), mas as
oposies tribais entre os Hutus e os Tutsis continuam a subverter a
vida poltica. Uma cadeia montanhosa central (que culmina a 2670 m)
domina a Oeste uma fossa de afundamento ocupada pelo lago Tanganica e
desce suavemente para Este por uma srie de planaltos escalonados. O
clima, equatorial pela latitude,  temperado pela altitude, sendo a
regio recoberta pela savana arborizada. A populao (Banto) muito
densa, compe-se de dois grupos tnicos: os Hutus (85%) e os Tutsis
e, vive da agricultura. s produes de subsistncia (mandioca) e
comerciais (algodo, caf, ch) associa-se a criao (bovinos,
caprinos). A indstria  inexistente, e as duas cidades principais,
Bujumbura e Gitega, so pequenos centros administrativos. Sem acesso
ao mar, o pas  ligado por uma rodovia, e depois por ferrovia (a
partir de Kigoma, na Tanzania), ao porto de Dar Es-Salaam, atravs do
qual recebe o essencial das importaes.

@REPBLICA DO QUNIA (KNIA) Estado da frica Oriental

Membro do Commonwealth, com cerca de 583 000 Km2 e, 19 320 000
habitantes. A Sul povoado pelos Bantos, a Nordeste tribos Nilticas,
nas fronteiras com a Somlia, os Gallas e Somalis, nas regies do
litoral Swabilis (bantos-rabes) e Hindus. A maioria  pag alguns
so maometanos e outros catlicos. O idioma oficial  o ingls e o
Sauli, falam ainda Kikuyu e Kamba. A capital Nairobi. A partir dos
meados do sculo XIX o litoral foi o centro das rivalidades
germano-britnicas. Em 1888 em virtude de um acordo de influncia com
Bismark, a Imperial British East frica Company, obteve a concesso
de importantes territrios, que em 1895 foram transferidos  coroa
britnica excepto uma parte do litoral, que permaneceu como
protectorado. Desde 1920 os Kikuyus empreenderam um movimento de
Independncia, que s se fortaleceu realmente em 1925 com a criao,
por Jomo Kenyatta, da Kikuyu Central Association (K.C.A.). Em 1944
criou-se um verdadeiro partido intertribal, o Kenya African Union
(KAU), movimento de massa que o mesmo J. Kenyatta presidiu a partir
de 1947. Ao mesmo tempo desencadeou-se o terrorismo anti Europeu dos
Mau Mau (1952). Em 1961, J. Kenyatta, que se tornou em 1959
presidente da Kenya African National Union (KANU), foi libertado
pelos britnicos que, em 1963, a 12 de Dezembro, acabaram por
conceder a Independncia ao Qunia. Por ter obtido em 2 de Dezembro
de 1964, a aliana do principal partido da oposio, Kenyatta, ento
presidente da Repblica, pode modificar a Constituio num sentido
centralizador, favorvel, alis, aos Kikuyos. Quando morreu (1978)
foi sucedido por Daniel Arap Moi. O pas estende-se por dois
conjuntos naturais muito diversos: a Este, uma srie de plancies que
diminuem de altitude na direco do Oceano ndico, ao passo que no
Oeste ocorrem planaltos expressivos, limitados pelo lago Vitria.
Estes planaltos parcialmente cobertos por derramamentos de lavas e
dominados pelo vulco extinto do monte Qunia, so interrompidos pela
fenda rochosa Valley, de orientao Norte-Sul que caracteriza toda a
frica Oriental, o fundo  ocupado por uma sucesso de lagos. O
relevo explica a diversidade de climas: a metade Sudoeste hmida,
apresenta tendncia equatorial atenuada pela altitude dos planaltos;
a metade Nordeste, muito mais seca,  coberta de savanas planas e
ridas. A populao, em mdia pouco densa,  repartida
desigualmente. Concentra-se no litoral, s margens do lago Vitria, e
nos planaltos, em torno de Nairobi vivendo principalmente da
agricultura, apresenta taxas fracas de urbanizao. Alm das
culturas de subsistncia, que fornecem milho mido e sorgo
desenvolvem-se culturas destinadas  exportao: caf, ch, algodo e
amendoim no planalto cana-de-acar sisal e banana nas plancies
orientais. Mantm-se a actividade tradicional da pecuria (ovinos,
caprinos e bovinos). O desenvolvimento industrial ainda  mais
limitado. As principais cidades (Nairobi, Mombaa) concentram as
poucas fbricas (alimentos, pequena metalurgia) mas, o Quenia precisa
de importar o essencial dos produtos de base e de consumo (pelo porto
de Mombaa). O turismo permite a compensao parcial do dficit da
balana comercial. O Qunia possui uma rica flora e fauna variada
considerada como um paraso para caadores.

@REPBLICA DE DJIBUTI (JIBUTI) (ex-Sonilia Francesa Territrio dos
afares e Issas) situado na costa do Oceano ndico, Estado da frica
Oriental

Com cerca de 21 700 Km2 e, 315000 habitantes, na maioria nmadas, que
subsistem graas  criao de caprinos, ovinos e camelos. As
actividades econmicas so: a extraco de pequenas quantidades de
mica, gesso, enxofre, petrleo e a pesca de ostras perlferas (que
Henry de Monfreid descreve nos seus livros). Territrio rido, a
regio oferece sobretudo interesse estratgico pela sua situao no
golfo de Aden e no estreito de Bab al-Mandab, na entrada do mar
Vermelho. A populao justapondo duas etnias dominantes, que por um
perodo, deram nome ao territrio, vive principalmente da criao
ovina no interior. Mas a metade dos habitantes concentra-se em
Djibuti, terminal da ferrovia para a Etipia (Adis-Abeba) e porto,
cujo trfego tem sua importncia amplamente ligada  actividade do
canal do Suez. Capital, Djibuti--levantada na margem Sul do golfo de
Tadjoura, por Lon Lagarde o primeiro governador e criador da "cte
Franais des Somalis". O rio subterrneo de Ambuli assegura gua
potvel  cidade. O porto de Djibuti ganhou maior destaque ao ser
dragado para permitir a entrada de navios de maior calado, com cerca
de dois quilmetros com depsitos de carvo e petrleo. O territrio
de Obock, ocupado pelos franceses em 1884, tornou-se Costa francesa
dos Somalis em 1896, depois de Djibuti ser preferida a Obock, como
porto. Territrio Ultramarino (1946), a Costa francesa dos Somalis
foi dotada de uma Assembleia e um Conselho de governo em 1957. Desde
ento, correntes internas, por vezes violentas, buscaram a autonomia
e at a Independncia. Em 1967, nos termos de um estatuto de
autonomia interna, o pas foi denominado Territrio Francs dos
Afares e dos Issas, tornou-se independente em 27 de Junho de 1977.

213

@REPBLICA DA SOMLIA estende-se desde a entrada do mar Vermelho ao
golfo de den, Estado da frica Oriental

Com cerca de 637 600 Km2 e, 5 260 000 habitantes; onde a religio
muulmana tem cerca de 99% de adeptos. Capital Mogadscio (Mudisho).
O rabe, o italiano e o ingls so considerados idiomas
administrativos mas a populao emprega dialectos somali e rabe. Foi
a partir da pennsula somaliana que se expandiu o Imprio de Askum.
Mais tarde (sculo III), a costa viu-se movimentada por comerciantes
rabes, Iranianos e Egpcios, os futuros propagadores do Islame
(Islo). Os Somalis, divididos em duas grandes tribos, Darod e Isaq,
ocuparam provavelmente a regio entre os sculos X e XII, repeliram
os Portugueses, que entraram em cena no fim do sculo XV e os turcos
dela se assenhorearam, caindo os portos, progressivamente sob a
soberania dos Sultes de Zanzibar. No sculo XIX, os Somalis, por
sua vez, atingiram as fronteiras do Qunia, onde os Britnicos os
contiveram, enquanto os Franceses, instalados em Obock, puseram fim 
sua expanso para o Norte. Depois, speras rivalidades opuseram,
nesse "chifre" da frica, a Frana, a Gr-Bretanha e a Itlia. Os
Britnicos ocuparam Brava (1822) e Berbera (1856), deixando o Egipto
apossar-se do Harar (1875-1885); mas quando o Egipto passou para a
sua tutela, instalaram-se na Somalilandia (1887). Desejosos de
facilitar uma implantao da Itlia para fazer com que a expanso
francesa fracassasse, deixaram que os Italianos comprassem alguns
portos da costa do Benadir. Constitui-se assim, em 1905, a Somlia
Italiana. Mas o fracasso dos Italianos em dua (1896) permitiu que
Menelik II obrigasse os Europeus a assinarem com ele uma srie de
acordos fronteirios que limitaram as estreitas faixas costeiras. Em
1925, a Somlia italiana aumentou com o Transdjuba e Kismyu, cedidos
pelos Britnicos em sinal de reconhecimento pela participao da
Itlia na Primeira Guerra Mundial. A partir de 1934, a Somlia
italiana serviu de base  agresso fascista contra a Etipia que
vencida, foi unida  Eritreia e  Somlia para formar uma "frica
Oriental Italiana". Os Britnicos superados em 1940, libertaram
esses territrios j em 1941. A Somlia e a Somalilandia ascenderam 
Independncia em 1960, fundindo-se para formar a Repblica da
Somlia. Em 1969 aps o assassnio do presidente Abdirachid Ali
Shemmarke, uma junta militar tomou o poder; actualmente--1986 o
presidente da Somlia  o Tenente-General Mohanied Siad Barr. Em
1976, o Partido Socialista Revolucionrio Somali passou a ser o nico
existente, herdando poderes do Conselho da Revoluo. Pouco tempo
depois, a Somlia, que reivindicava uma parte de Ogaden, envolveu-se
num conflito fronteirio com a Etipia. A Somlia estendendo-se pela
extremidade oriental da frica, corresponde a um planalto
parcialmente coberto de sedimentos. Descado para Sul esse planalto
domina a estreita plancie costeira do golfo de den por um
escarpamento de falha de 2000 m de altitude, ao passo que para o
litoral do Oceano ndico ele abaixa-se em suave inclinao. O clima,
tropical na estao seca do Sul, que recebe 600mm de chuvas por ano,
passa no Norte, a ser coberto pela estepe (planta herbcea) da regio
rida. A populao muito pouco densa,  composta de Somalis. Denota
um baixo ndice de urbanizao, sendo a capital a nica cidade
importante. A criao nmada de ovinos, caprinos e camelos
constitui, com o incenso e a mirra, o principal recurso das terras
elevadas do interior. As lavouras limitam-se  Costa Sul, que graas
 irrigao, produz bananas. Pas de balana comercial deficitria,
a Somlia beneficiou-se com ajudas externas em virtude da sua
situao estratgica.

@REPBLICA DO SUDO Estado situado na parte Oriental de frica

A Sul do Egipto estendendo-se pela bacia do alto Nilo, com cerca de 2
506 000 Km2 e, 21 320 000 habitantes. Capital Cartum. Idioma oficial
rabe. O litoral no mar Vermelho proporciona ao pas uma situao
excelente: o Porto do Sudo est a metade do caminho do canal Suez e
do golfo de den. A Histria do Sudo antes da conquista egpcia
(1820-1823) confunde-se com a Nbia. Mehemel Ali conquistou o Sudo
setentrional, que ele dotou da nova capital, Cartum. Expedies
foram enviadas para Sul, a partir de 1840, e o comrcio de marfim e
de escravos desenvolveu-se malgrado a luta dos Quedivas do Egipto e
dos ocidentais contra o trfico de escravos. O Mahadi sublevou as
populaes do Sudo (1881-1885), do qual se assenhorou. A expedio
anglo-egpcia de Kitchener derrotou os Madistas em Omdurman (1898) e
atingiu Fachoda, onde encontrou a coluna francesa de Marchand, que
devia retirar-se no ano seguinte. O Sudo tornou-se ento condomnio
anglo-egpcio (1899). Aps a denncia unilateral do condommio pelo
Egipto (1951) e o acordo anglo-egipcio de 1953, o Sudo teve de
escolher entre a Unio com o Egipto e a Independncia. Em 1955, as
populaes do Sul revoltaram-se e a Independncia foi proclamada em
1956 a 1 de Janeiro. A ditadura militar do marechal Ibrahim Abbud
(1958-1964) foi derrubada pelos motins de 1964. O general Djatar
al-Nimeyri subiu ao poder em 1969 e outorgou em 1972 autonomia s
populaes do Sul, em guerra com o poder central havia quinze anos.
A Constituio de 1973 fez da Unio Socialista Sudanesa o partido
nico do pas. Pas mais vasto da frica, o Sudo  um conjunto de
planaltos e com pltanos baixos que se alteiam a ocidente na soleira,
que o separa da bacia do Chade flanqueada pelos relevos vulcnicos e
a Este pela cadeia que domina o mar Vermelho. O centro  ocupado
pela zona pantanosa Bahr-el-Ghazal e, a montante da confluncia do
Nilo Branco e do Nilo Azul, pela plancie de Gezireh. O alongamento
em latitude explica a disposio das zonas dos climas. Ao Norte,
desrtico, terminao oriental do Saara, sucedem o Centro, saheliano,
coberto pela estepe cheia de espinhos (de 300 a 600 mm de chuvas ano)
e o Sul, sudans onde se estende a savana s vezes arborizada (mais
de 600 mm). O Estado sudans agrupa populaes muito variadas:
rabes no Norte, Negros, mais numerosos ao Sul. As regies
perifricas, quase vazias, constituem o domnio de uma criao bovina
nmada e sobretudo ovina. O essencial dos habitantes concentra-se no
vale do Nilo, nomeadamente no Gezireh (ao Sul de Cartum), parte
vital do pas. A irrigao favorece o cultivo do algodo, riqueza
principal do pas, exportada pelo Porto Sudo. A goma arbica e o
amendoim trazem um complemento de recursos, o sorgo e o milho mido
destinam-se  alimentao. A industrializao tem falta de capitais e
de matrias-primas e limita-se  transformao de produtos agrcolas.

Os Tesouros da Nbia Sudanesa

Os Tesouros da Nbia Sudanesa (Nbia--antiga regio do Nordeste da
frica e de ambos os lados da actual fronteira Egpcia Sudanesa): as
obras de construo da represa de Assu deram um notvel impulso 
pesquisa arqueolgica na Nbia Sudanesa em que misses de
especialistas de todo o mundo aproveitaram antes que as guas
cobrissem uma vasta regio, rica de vestgios da poca crist, de
runas da cuHura nbia e do chamado novo Imprio Faranico. Aos
poucos, a populao nbia do Sudo teve de abandonar as suas terras,
em silenciosa homenagem a um af civilizador, que na realidade pode
mudar em poucos anos a fisionomia da regio. Trata-se de um povo
forte, alto, de pele negra, embora a rigor, seja de raa
mediterrnea; h muito, houve um xodo que inclua os jovens das
famlias nbias, ficando nas suas terras somente os velhos, as
mulheres e as crianas. Cairo, Beirute e outras grandes cidades do
Oriente prximo atraam os Nbios com as suas ofertas de trabalho.
Foram vrias vezes traados os inconvenientes, que a populao
sudanesa at ento residente na Nbia, encontraria em terras
chuvosas, isto porque o clima do Nilo  seco. Os arquelogos
obtiveram esplndidos resultados; descobriram verdadeiros tesouros
rapidamente, num prazo exguo condicionado pelo iminente
transbordamento das guas do Nilo. Nesta tarefa, foram auxiliados
por pequenos exrcitos de cidados Sudaneses, e, sobretudo, Luxor,
 que se caracterizam pela sua extrema habilidade nas escavaes com
fins cientficos. Nessa aldeia, praticamente todos os habitantes so
escavadores, aperfeioando-se de gerao em gerao, os Kuhftis
alcanaram uma apurada tcnica para a explorao, levantamento
topogrfico e a classificao das matrias encontradas. Enquanto
trabalham, cantam versos do Alcoro e imprimem  sua arte um zelo
admirvel. Como exemplo do que se alcanou na Nbia Sudanesa,
mencione-se o trabalho realizado pela Expedio Espanhola,
principalmente na Necrpole de Nag-el-Arba, da poca crist, e da
denominada X Cultura da Nbia. As runas encontradas correspondem ao
perodo que se inicia no sculo I a.C. As descobertas, muito
esclareceram a influncia copta (o Cristianismo egpcio) no Norte do
Sudo. Testemunhos eloquentes dessa influncia so as tumbas, que
foram encontradas encimadas por cruzes feitas com lama do rio ou com
adobe cozido ao sol. No faltaram achados de elementos da poca
faranica, as misses arqueolgicas de vrios pases trabalharam
febrilmente para salvar das guas esses tesouros. Os trabalhadores da
represa serviram, sem dvida, para que se concretizassem em pouco
tempo, certos descobrimentos de grande importncia para o mundo
cientfico.

@ETIPIA (Abissnia ou reino do "Preste Joo) Estado Imperial da
frica Oriental

Na costa do mar Vermelho, com cerca de 1 237 000 Km2 e, 30 678 000
habitantes: Abissnios, Gallas, Somalis e Negros Sudaneses. Capital
Addis-Abeba. O idioma oficial amhari (amrico), fala-se tambm o
agau, o somali, o rabe e o italiano. A Etipia manteve uma guerra
com a Itlia sob o reinado de Vtor Manuel, que com Menelik I firmou
em 1896 o tratado que fixou definitivamente os limites actuais do
pas. Cerca do ano 363, o cristianismo fora introduzido na
Abissnia, as tribos que habitavam o centro montanhoso permaneceram
fiis perante a expanso violenta do Islamismo. A lenda associa a
primeira dinastia etope  descendncia de Salomo e da rainha de
Sab. Constitudo no sculo I da era crist, aps a instalao de
tribos Semitas vindas da Arbia do Sul, o reino de Axum, cujo chefe
tinha o ttulo de Negusa Negast ("rei dos reis"), estendeu o seu
domnio  Etipia do Norte, at ao Nilo Azul. Cristianizado no
sculo IV, acompanhou a Igreja Egpcia no monofisismo; mais tarde,
aps um perodo brilhante (sculo II-IV), sofreu a expanso do
Islame (Islo) que o privou do litoral do mar Vermelho e arruinou-se
no sculo X. O perodo pouco conhecido que ento se inaugurou foi
marcado pelo reinado da dinastia Zagu, no Lasta (de 1149 a 1270),
seguido por uma brilhante renovao com Yekuno Amlak de (1270 a
1285), que pretendia restaurar a dinastia salomnica no Choa. No
sculo XVI, a Europa descobriu a Etipia atravs dos Portugueses e
identificou essa Terra Crist em plena regio Muulmana ao lendrio
reino do 'Preste Joo". Quase inteiramente conquistada pelos rabes
de 1527 a 1543. a Etipia libertou-se com a ajuda dos Portugueses,
mas logo se revoltou contra a aco dos missionrios catlicos e
fechou-se aos Ocidentais. At ao sculo XIX, o pas desenvolveu-se
no isolamento: a autoridade real enfraqueceu-se ante as ambies dos
chefes hereditrios das provncias. os "ras" cujas rivalidades
ameaavam a sobrevivncia do Imprio. Apesar do declnio poltico
que caracterizou esse perodo "feudal". desenvolveu-se um brilhante
centro cultural em Gondar, que se tornou numa grande metrpole
religiosa. No sculo XIX, Teodoro II (de 1855 a 1868) conquistou o
poder sobre os outros reis, fez-se proclamar "rei dos reis" e
restaurou a autoridade central sobre as provncias. Com a abertura do
canal de Suez (1869), a Etipia passou a ser alvo de rivalidades
econmicas e militares dos Europeus. A Frana instalou-se em Obock
(1881) e em Djibuti, os Italianos em Assab (1882) e Massaua (1885).
O apoio dos Italianos permitiu a Menelik II, rei de Choa, subir ao
trono (de 1889 a 1909). Em troca, este reconheceu aos Italianos a
possesso da Eritreia pelo tratado de Uccialli (1889), que denunciou
j em 1893 ante as pretenses italianas ao protectorado. Aps a
vitria etope de dua (1896) a Itlia reconheceu a soberania da
Eritreia. Menelik II transferiu a capital para Adis-Abeba, ampliou e
modernizou o Imprio e reforou a autoridade real, procurando ao
mesmo tempo limitar a Expanso Europeia no litoral. Mas os Europeus
imiscuram-se nos negcios internos do pas, favorecendo a deposio
de Yassu, filho e sucessor de Menelik e a ascenso do rei Tafari como
regente (1917). Este introduziu a Etipia no cenrio internacional
aderindo  Sociedade das Naes (1923) e ao pacto Briand-Kellogg
(1928); posteriormente proclamado Negus (1928), subiu ao trono em
1930 com o nome de Hail Selassi 1. J em 1931, promulgou uma
Constituio do tipo Ocidental e empreendeu vasto programa de
modernizao, interrompido pela conquista italiana (1935-1936).
Derrotada, a Etipia passou ento a constituir, com a Eritreia e a
Somlia, a frica Oriental Italiana. Libertada pelas tropas
franco-inglesas em 1941, recuperou a Independncia em 5 de Maio,
ingressou na O.N.U. em 1945, reconquistou o acesso ao litoral do mar
Vermelho pela Federao (1952) e, depois pela anexao (1962) da
Eritreia. O seu papel na evoluo da frica contempornea tornou-se
preponderante com a criao da Organizao da Unidade Africana, cuja
sede  em Adis-Abeba (1963) e dentro da qual a Etipia exerce
influncia moderadora. No plano interno, o Imperador levou adiante
sua poltica reformadora mas a liberalizao do regime foi
considerada insuficiente. Uma primeira tentativa de golpe de Estado
fracassou em 1960. Ameaado desde o incio de sua histria por
divises tnicas e religiosas, o governo imperial foi forado a
enfrentar o desenvolvimento de movimentos separatistas na Eritreia (a
partir de 1962) e em Ogaden (1964). A essas dificuldades
acrescentaram-se problemas de limites com o Sudo e o Qunia
(resolvidos pelos acordos de 1967 e 1970, respectivamente) e
sobretudo com a Somlia. A persistncia de grande atraso econmico e
baixssimo nvel de vida, de desigualdades sociais e tnicas muito
profundas levaram  crescente degradao da situao interna. A fome
e o desenvolvimento da guerrilha na Eritreia e em Ogaden provocaram
em 1974, uma Revoluo liderada por militares progressistas. Aps a
deposio de Hail Selassi (que morreu em 1975), o conselho militar
orientou a Etipia rumo a um socialismo especfico, acentuado em
1977, quando os elementos mais radicais desse conselho deram o golpe
de Estado e tomaram o Poder. A Etipia  considerada o bero do caf
suave e semiforte, com os nomes de ("moka") e "abissnia". A
colonizao italiana introduziu melhoras no cultivo do caf. A maior
parte do pas estende-se sobre um macio montanhoso coberto de
derrames baslticos e cortado por vales profundos.  cercado a
Nordeste pela bacia dos Danakil, zona de instabilidade da crosta
terrestre, de vulcanismo activo, e a Sudeste por vastos planaltos
(Ogaden).

O clima  fortemente diferenciado segundo a altitude: muito quente
nos vales ao abrigo das precipitaes, tempera-se nas montanhas, que
recebem chuvas abundantes. Em Adis-Abeba, a 2500 m de altitude, as
temperaturas mdias mensais oscilam em torno de apenas 15C, enquanto
o total das precipitaes excede a 1000mm. A populao compe-se de
grupos tnicos variados, de diversas religies e divididos por
antagonismos, concentra-se nas elevaes do macio etope. O pas 
pouco urbanizado; as nicas cidades importantes so a capital,
Adis-Abeba, e Asmara (na Eritreia). A agricultura ainda  o sector
essencial da economia; o Leste dedica-se  criao nmada de gado,
mas no macio etope as culturas escalonam-se em funo da altitude.
Nas zonas baixas, culturas muitas vezes tropicais (algodo,
cana-de-acar, milho, tabaco) fendem a floresta densa. O nvel
intermedirio, de 1800 a 2500 mm,  o mais rico: nele se cultivam o
caf, principal produto de exportao, durah (Variedade de milhete),
frutas e legumes. As terras altas so o domnio da criao bovina
que fornece peles para exportao. A actividade industrial mantm-se
em nvel quase artesanal e, o pas precisa importar bens de consumo.
Os dois principais portos so Assab e Massaua, que suplantaram
Djibuti aps a reintegrao da Eritreia. A Campanha de 1894-1896:
Tendo o Negus Meneleik II denunciado em 1893, o tratado de Uccialli,
firmado com os Italianos em 1889, o corpo expedicionrio do general
Baratieri (1841-1901), aps algumas vitrias no incio de 1895, foi
vencido em dua (1 de Maro de 1896) pelos Etopes, que impuseram 
Itlia a paz de Adis-Abeba (26 de Outubro de 1896). A Campanha de
1935-1936 deu-se em 3 de Outubro de 1935, quando dez divises
italianas reforadas por carros blindados e numerosa aviao,
iniciaram combate ao exrcito do Negus Hail Selassi, de estrutura
feudal. Ainda assim esse exrcito conseguiu resistir por sete meses.
chegando at a obter algumas vitrias como a do lago Achanghi (4 de
Abril de 1936), no conseguiu, no entanto, impedir que Badoglio,
vindo da Eritreia, e Graziani, vindo da Somlia, se juntassem (10 de
Maio) depois da queda de Gondar (1. de Abril), Dessi (15 de Abril)
Adis-Abeba (5 de Maio). Assim, o Negus teve de embarcar em Djibuti e
seguiu para Genebra, onde defendeu em vo a sua causa  Sociedade das
Naes (Junho), antes de se refugiar na Inglaterra.

Adis-Abeba--rei hebreu Salomo--rainha de Sab

Adis-Abeba, que antes se chamou Finfinai  a capital da Etipia
regio antiga conhecida nos tempos do rei hebreu Salomo. Conta a
lenda que Salomo encontrou-se com a rainha de Sab no que hoje
constitui o limite de Adis-Abeba, que tambm se chamou Adi Abbas em
fins do sculo passado. Os historiadores, entretanto, tem colocado
em dvida este encontro real em teniKrio limites da sua rea
geogrfica, a partir da qual os caudilhos comeavam a conspirar
contra a autoridade real. Seja como for, os actuais Etopes
orgulham-se de que o seu territrio tenha sido o cenrio de um
encontro to importante como o de Salomo com a rainha de Sab
apaixonada por ele. Outra verso conta que foi a rainha quem partiu
da Etipia para se encontrar com o homem mais importante da poca de
cuja inteligncia se enamorara. Aos Ocidentais tudo isto interessa
apenas na medida em que tais relatos tornem possvel o conhecimento
do antiqussimo pas da Etipia--que foi o nico Estado africano, que
sempre gozou de Independncia, atravs de reis e imperadores, por sua
vez honestos e leais com os pases vizinhos, inclusiv na poca em
que as grandes potncias Ocidentais se lanaram sobre a frica, a
Etipia foi respeitada pelas Naes expansionistas. Os Etopes
acreditam que este facto se deve ao prestgio de Salomo e da rainha
de Sab os quais so considerados protectores do pas. Adis-Abeba 
capital desde 1894 e, o seu nome, significa "Nova Flor", a qual se
encontra ao nvel do mar e  a residncia do Negus, o chefe Imperador
da Etipia: esta regio paradisaca, de clima temperado  propcia
para os doentes dos pulmes. Adis-Abeba  procurada pelos habitantes
dos pases vizinhos como centro turstico que faz da cidade um dos
lugares mais importantes da regio. Conta-se que Napoleo manifestou
em certa ocasio o desejo de se radicar nessa antiga cidade etope, o
que no deixa de ser uma homenagem  Etipia: o conhecimento vem
atravs do dilogo que Fouch seu chefe de Polcia teve com Napoleo:
"...Porqu a Abissnia? Napoleo esteve indeciso um instante, depois
com um sorriso respondeu: -- fcil de dizer--gosto de Paris como
gosto de outras capitais do mundo que conheci com as minhas tropas e,
pode acontecer que algum dia tenha de escolher uma, em tal caso no
vacilaria em tomar o caminho da Abissnia, ali ningum me perseguiria
e eu gozaria por outro lado, do seu clima temperado". Este facto est
relatado no primitivo original "Memrias de Fouch". Adis-Abeba em
pocas remotas comunicava com a Costa e, por conseguinte com a
Somlia, atravs das rotas percorridas pelas caravanas. Adis-Abeba
foi construda em 1885 sob governo do Imperador Menelik 1, por
iniciativa da sua mulher, Imperatriz Taitou. A cidade de Adis-Abeba
est rodeada de montanhas, o terreno por sua vez est cortado de
arroios, no sucedendo nesta regio, o que acontece noutras quanto 
gua, que aqui existe em quantidade, a grande vantagem em relao a
essas regies onde a aridez  regra, impondo uma vida precria.


@BIBLIOGRAFIA

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Lisboa, Ed. Ulmeiro, 1976, 207 p

OS GRANDES ACONTECIMENTOS do sculo XX, Lisboa, Ed. Seleces de
Readers Digest, 1979.


QUADRO SINPTICO

Pases da A.N.

 Libria Camares Chade

Forma de governo:
Repblica presidencialista Repblica Federal presid. Repblica 
presidencialista

Superfcie em km2:
111.400 474.000 1.280. 000

Populao:
2.150.000 9.667.000 5.179.000

Capital:
Monrvia Yaound N'Djamena

densidade populacional:
295000 habitantes 313700 habitantes 303000 habitantes

Lnguas:
Ingls, linguas tribais Francs, ingls, Francs, rabe
 lnguas afrcanas

Religies:
70% animistas 40% animistas / 40% muulmanos
 15% muulmanos 25% muulmanos 30% animistas
 10% cristos 20% catlicos romanos . 20% catlicos romanos

Moeda:
Dolar Franco CFA Franco CFA

Riquezas do subsolo:
Minrio de ferro, ouro, Petrleo..... Natro diamantes

 Mali Nigria Niger

Forma de governo:
Repblica presidencialista Repblica fed presid. Repblica 
presidencialista

Superficie em km2:
1.240.000 924.000 1.267.000

Populao:
7.600.000 89.600.000 6.000.000

Capital:
Bamako Lagos Niamey

Densidade populacional:
620.000 habitantes 1.476.000 habitantes 300.000 habitantes

Lnguas:
Francs, bambara / Ingls, hassa, ionuba, ibo / Francs, hassa, djemma

Religies:
90% muulmanos 47% muulmanos 85% muulmanos
0% 34% cristos 14% animistas
 0% 19% animistas0%

Moeda:
Franco Naira Franco CFA

Riquezas do subsolo:
Bauxite, ferro, ouro, sal / Petrleo, gs natural, Uranio, estanho, 
ferro,
 carvo, estanho, minrio carvo, fosfatos
 de ferro

 Senegal  Gimbia Burkina-Faso (Alto Volta)

Forma de governo:
Repblica presidencialista Repblica presidencialista Repblica 
presidencialista

Superfcie em km2:
197000 11 200 274200

Populao:
6.680.000 737.000 6.600.000

Capital:
Dacar Banjul Uagadugu
978.500 habitantes 49.100 habitantes 200.000 habitantes

Lnguas:
Francs, lnguas africanas / Ingls, mandinga, jaloto, / Francs, linguas 
africanas

Religies:
80% muulmanos 85% muulmanos sunitas 50% animistas
Animistas, islos Animistas, cristos 16% muulmanos
0% 0% 8% catlicos romanos

Moeda:
Franco CFA Dalasi Franco CFA

Riquezas do subsolo: Fosfatos  Manganes bauxite
 grafne, cobre, vandio


 Benim (Daom) Costa do Marfim Serra Leoa

Forma de governo:
Repblica presidencialista Repblica presidencialista Repblica popular

Superfcie em km2:
115800 322500 72320

Populao:
3.800.000 8.610.000 3.700.000

Capital:
Porto Novo Abidjan Freetown

44.000 habitantes 1.686100 habitantes 375.000 habitantes

Lnguas:
Francs cerca de Francs, lingua africanas Ingls, kno,
 60 lnguas africanas 60 lnguas africanas

Religies:
65% animistas 63% animistas 66% animistas
15% catlicos romanos 15% muulmanos 28% muulmanos
13% muulmanos 12% cristos 8% cristos

Moeda: Franco CFA Franco CFA Leone

Riquezas do subsolo: Diamantes, manganes, Diamantes, feno,
 petroleo, minrio de ferro bauxite, nutlio


 Gana (Costa do Ouro) Togo So Tom e Prncipe

Forma de governo:
Repblica Repblica presidencialista Repblica democrtica

Superfcie em km2:
240.000 56.000 946

Populao:
14.000.000 2.937.000 87.000

Capital:
Accra Lom So Tom
 1.045.000 habitantes 283.000 habitantes 17.380 habitantes

Lnguas:
Ingls, linguas africanas Francs, linguas africanas Portugues, crioulo

Religies:
45% animistas 75% animistas 80% catlicos romanos
 45% cristos 20% cristos 0%
 0% 0%6% muulmanos

Moeda: Cedi Franco Dobra

RRiquezas do subsolo: Mangans, ouro Fosfatos
 diamantes, bauxite

 Cabo Verde Guin-Bissau Guin-Conacri

Forma de governo:
Repblica Repblica Repblica popular

Superfcie em km2:
4033 36120 250000

Populao:
284.000 835.000 5.600.000

Capital:
Praia Bissau Conakri
 36600 habitantes 109500 habitantes 575000 habitantes

Lnguas:
Portugus, crioulo Portugues, crioulo, linguas Francs, manfinga, fula
 africanas

Religies:
65% catlicos romanos 50% animistas 65% muulmanos sunitas
0% 38% muulmanos 30% animistas
0% 5% catlicos romanos


Moeda: Escudo Peso Syli

Riquezas do subsolo:

Minrio de ferro, bauxite,
diamAntes

Guin Equatorial Gabo Repblica Centro-Africana

Forma de governo:
Repblica presidencialista Repblica presidencialista Repblica 
presidencialista

Superfcie em km2:
28.110 267.000 617000

Populao:
310.000 1.200.000 2.600.000

Capital:
Malabo Libreville Bangui
 37237 habitantes 180000 habitantes 375000 habitantes

Linguas:
Espanhol, linguas africanas Francs, linguas bantas Francs. sangho. 
sudans

Religies:
6% catlicos romanos 46% catlicos romanos 40% animistas
 30% animistas 25% protestantes
 0% 25% catlicos romanos

Moeda: Ekuele Franco CFA Franco CFA

Riquezas do subsolo:
Petrleo, gs natural, Diamantes, uranio, ferro
mangans, uranio, minrio cobre
 de ferro, chumbo, zinco,
 cobre, diamantes

 Zaire--Kinshasa Con9O--Brazzaville Ruanda

Forma de governo:
Repblica presidencialista Repblica popular Repblica presidencialista

Superfcie em km2:
2.354 000 342.000 26.300

Populao:
30.940.000 1.700.000 5.290.000

Capital:
Kinshasa Brazzaville Kigali
 2.242.200 habitantes 350.000 habitantes 150.000 habitantes

Linguas:
Francs, linguas africanas Francs, linguas bantas Francs. kinyarwandu
 suaili

Religies:
40% animistas 50% cristos 60% cristos
40% catlicos romanos 47% animistas 34% animistas
 19% protestantes 2% muulmanos

Moeda: Zaire Franco CFA Franco

Riquezas do subsolo:
Cobalto, cobre,

ouro, diamantes, prata,

estanho ferro, petrleo
 uranio, rdio, mangans
 Petrleo, potssio


 Uganda

Forma de governo: Repblica presidencialista

Superfcie em km2: 243400

Populao: 15.220.000

Capital: Kampala
 458.000 habitantes


Lnguas: Ingls, luganda, suali

Religies: 50% cristos
 35% animistas
 5% muulmanos

Moeda: Xelim

Tunqstenio, estanho. ouro

Angola

Forma de governo:
RePblica popular

Superfcie em km2: 1.246.700

Populao: 6.570.000

Capital: Luanda
739000hab.

Linguas: Portugus, lnguas bantas

Religies: 45% animistas 40% catlicos-romanos

Moeda: Kwanza

Riquezas do subsolo: Diamantes, petrleo, Ouro, uranio, diamantes, 
Diamantes, cobre, ouro
 minrio de ferro, cobre, platina, antimnio, manga- niquel e manganes
 Mangans, uranio e ouro ns, vandio, crmio, litio,
 carvo, fenro, niquel
 fostatos, estanho, cobre


frica do Sul (Azanb)
Forma de governo:

Estado unitrio parlamentar

Superfcie em km2: 1.221.000

Populao: 30.480.000

 Capital: Pretria
 1.500.000 habitantes Cid. do Cabo: 1 490 000 hab.

Lnguas: Africander, ingls
 linguas bantas

Religies: 73% cristos 13% animistas

Moeda: Rand

Riquezas do subsolo: Diamantes, petrleo, Ouro, uranio, diamantes, 
Diamantes, cobre, ouro
 minrio de ferro, cobre, platina, antimnio, manga- niquel e manganes
 Mangans, uranio e ouro ns, vandio, crmio, litio,
 carvo, fenro, niquel
 fostatos, estanho, cobre

Botswana (BechuNnalandia)

Forma de governo:
Democracia parlamentar

Superfcie em km2: 560.000

Populao: 1.089.000
CCapital: Gaborone
59.700 habitantes

Linguas: Tswana, ingls

Religies:
85% animistas 15% cristos

Moeda: Pula

Riquezas do subsolo: Diamantes, petrleo, Ouro, uranio, diamantes, 
Diamantes, cobre, ouro
 minrio de ferro, cobre, platina, antimnio, manga- niquel e manganes
 Mangans, uranio e ouro ns, vandio, crmio, litio,
 carvo, fenro, niquel
 fostatos, estanho, cobre

Lesoto (dia) Nambia Suazilandia (Negwane)

Forma de governo:
Monarquia constitucional Territrio sob o dominio da Monarquia absoluta
 Republlca da fnca do Sul

Superfcie em km2:
30340 820000 17000

Populao:
1.500000 800000 630000

Capital:
Masenu Windhoek Mbabane
75.000 habitantes 61 300 habitantes 33 000 habitantes

Lnguas:
Soto, ingls Africander, ingls, alemo Skwab, ingls

Religies:
70% cristos 60% cristos 60% cristos (maiona
30% animistas 40% animistas protestantes) 40% animistas

Moeda: Maloti Rand Lilangeni

Riquezas do subsolo: Diamantes Diamantes, uranio, cobre. Asbesto, bno, 
carvo,
 chumbo, zinco ouro, estanho. amianto


 (Rodsia Sul) (Rodsia Norte) Malawi(N&assalind&a)

Forma de governo:
Democracia parlamentar Repblica presidencialista Repblica 
presidencialista

Superfcie em km2:
389300 746200 120000

Populao:
8.140.000 6.550.000 6.180.000

Capital. (
Harare) Salisburia Lusaka Liion&qwe
641.000 habitantes 130000 habitantes

Lnguas:
Ingls, shona, ndebeh Ingls, linguas bantas Ingls, lnguas bantas

Religies:
65% aministas 70% animistas, 21% catli- 67% aministas
 Anglicanos, presbiterianos, cos&s- min riasprc& Cristos, muulmanos
 catlicos romanos tante, hindusta, muculmana

Moeda: Dlar Kwacha Kwacha

Riquezas do subsolo:
Crmio, ouro, carvo,
asbesto, ferro, cobre,
niquel, amianto

Cobre, cobalto, zinco
ouro, chumbo, mangans
vandio, carvo

 Moambique Madagscar (Malgaxe) Tanzania
 (Tanganica e Zanzibar)
Forma de governo:
Repblica popular Repblica socialista Repblica presidencialista

Superfcie em km2:
785000 587000 939700

Populao:
13.200.000 9.729.000 24.000.000

Capital:
Maputo Tanananve dares-salam
 785.000 habitantes 820.000 habitantes 757.346 hab.

lnguas:
Portugus, linguas bantas Malgaxe, francs Suaili, tngls

Religies:
65% animistas 45% animistas 35% muulmanos
22% catolicosromanos 40% cristos 35% cristos
11% muulmanos 5% muulmanos 30% animistas

Moeda: Metical Franco Xelim

Riquezas do subsolo. Carvo, femo, bauxite. ouro Cromio, grame, mica 
Diamantes, sal, ouro
 cobre, urnio, petrleo, estanho, tun&qstnio, cobre
 mmmore (montepuez) chumbo, prata, pedras
 preciosas, carvo, fen&,
 fosfatos

 Burundi Quenia(Kenia) Dlibuti(Afareissis)

Forma de governo:
Repblica socialista Repblica presidencialista Repblica 
presidencialista

Superfcie em km2:
28.000 583.000 21.700

Populao:
4.480.000 19.320.000 315.000

Capital:
Bujumbura Nairobi Djibuti
78810 habitantes 959000 habitantes 200000 habitantes

Lnguas: Kinundi, francs Sauili, ingls, rabe kabe, somali
 afar, francs

Religies:
50% catlicos romanos 38% animistas, 37% pro- 90% muulmanos
 30% animistas testantes, 22% catolicos
 7% protestantes romanos, 3% muulmanos

Moeda: Franco Xelim Franco

Riquezas do subsolo: Estanho, . . Ouro, diatomitos, sal, ban- Petrleo, 
carvo
 te, magnesite, espatoflor,
 cobre, feldspato, safiras

 Somlia Sudo Etipia (Abissnia)

Forma de governo:
Repblica socialista Repblica presidencialista Repblica popular

Superfcie em km2:
637.600 2.506.000 1.237.000

Populao:
5.260.000 21.320.000 30.678.000

Capital:
Mogadiscio Cartum Adis Abeba
400.000 habitantes 1.089.300 habitantes 1.408.000 habitantes

Lnguas:
Somali, rabe kabe, linguas africanas Amnco, rabe e outras

Religies:
99% muulmanos sunnas 73% muulmanos sunnas 40% muulmanos sunitas
0%18% animistas 35% cristos coptas.
0% 9% cristos 20% animistas


Moeda: Xelim Libra BjN

Riquezas do subsolo: Feno, estranho, gesso Cromio, ouro, cobre, mica,
 Bauxite, uranio asbesto, vemmeulne

Platina, carvo, ouro,
cobre, potassio, asbesto

NDICE

Apresentao
Poema - Aqui Nascemos
Nota prvia
Introduo Geral - frica Negra
Flora Africana
Fauna Africana
Imagens Africanas
A Arte da frica Negra
Na Populao da frica Negra--Hist Popul Banto
No Bantos ou Pr-Bantos
Poema - Aqui Nascemos
Protohistria Africana--frica Antiga
Poemas--Epopeia e Acompanhem-me
A Vinda dos Europeus--Sua permanncia
Poema--Sangrantes e Germinantes
Partilha da frica
Poema--Sangrantes e Germinantes
Consequncias e Independncias
Mapa do Continente Africano
frica Ocidental
Poesia - Epopeia
Libria
Libria, um pas de origem diferente
Camares
Chade
Mali
Tombuctu (Mali)
Nigria
Nger
Poesia - Noite de Sine
Senegal
Gambia--Senegambia
Burkina Faso (Alto Volta)
Benim (Daom)
Costa do Marfim
Serra Leoa
Gana (Costa do Ouro)
Togo
S Tom e Prncipe
Cabo Verde
Histria do Golfo da Guin
Guin - Bissau
Guin Conacri
frica Equatorial
Guin Equatorial
Gabao e Schweitzer
R Centro Africana (Ubangui Chari)
Poesia--Congo
Zaire--Congo Kinshasa '
Congo Brazzaville
Ligado  histria de Brazzaville
Ruanda
Uganda
frica Austral
Angola
Lus Sambo
Frederico Welwitsch
Mapungo e N'Zinga
frica do Sul (Azania)
A Capital do Diamante
A Histrica Cidade do Cabo
Botswana (Bechuanalandia)
Lesoto (Basutolancia)
Nambia (Sudoeste Africano)
Suazilandia (Ngwane)
Zimbabw (Rodsia do Sul)
Cecil Rhodes
Zambia (Rodsia do Norte)
Malawi (Niassalandia)
Moambique
Gungunhana Senhor das Terras de Gaza
Madagscar (Malgaxe)
frica Oriental
Tanznia (Tanganica e Zanzibar)
David Livingstone
Coqueiristas do Deserto
Burundi
Qunia (Knia)
Djibuti (Jibuti)
Somlia
Sudo
Os Tesouros da Nbia Sudanesa
Etipia (Abissinia ou Reino do l'Preste Joo")
Adis-Abeba - Rei Salomao - Rainha de Sab
Bibliografia
Quadro Sinptico dos Pases da AN
nriiCQ

 Nigria, o pas da A N que contem maior populaso
 Zaire, o pas da A N de maior extenso territorial


O lac&o de algumas armas dos palses estarem a duas cores deve-se a no se 
ter tido acesso a todo o seu conlun&o
cromatlco Assim optou-se pela aplicaso de uma cor nacional que tambem e 
utilizada na bandeira Por outro ladomgualmente
no se consegulu obter as armas de Djibuti



Impresso e acabamento:
Antunes & Amilcar, Lda




NOTA: O facto de algumas armas dos pases estarem a duas cores
deve-se a no se ter tido acesso a todo o seu conjunto cromtico.
Assim optou-se pela aplicao de uma cor nacional que tambm 
utilizada na bandeira Por outro lado igualmente no se conseguiu
obter as armas de Djibuti

Impresso e acabamento: Antunes & Amlcar, Lda.

Dezembro de 95.
